domingo, 4 de dezembro de 2016

Capítulo 9 - Guerra

Estado de Guerra (Southern Comfort) 1981
Uma equipa da Guarda Nacional, num fim-de-semana isolado, em manobras nos pântanos da Louisiana tem de lutar pelas próprias vidas quando enfurecem os habitantes locais ao roubarem-lhes as canoas. Sem armas de fogo e numa terra estranha, a experiência do grupo começa a assemelhar-se à que alguns tiveram na guerra do Vietname.
Provavelmente o melhor filme de Walter Hill até ao momento,  "Southern Comfort" funciona de duas formas, como puro cinema de acção e entretenimento e como uma alegoria extremamente eficaz do envolvimento dos Estados Unidos no Vietname. Vagamente reminiscente de "Fim de Semana Alucinante", de John Boorman, o filme segue um grupo da Guarda Nacional em manobras nos pântanos do Louisiana. Brilhantemente fotografado por Andrew Lazlo, e uma excelente banda sonora de Ry Cooder que inclui música cajum, "Southern Comfort" é um filme emocionante com uma atmosfera perturbadora. Sem se esforçar muito para passar a sua mensagem, Hill evoca a luta americana no sudoeste asiático, colocando um grupo de recrutas sem direcção num terreno desconhecido contra guerrilheiros invisíveis e conhecedores do terreno.
Um elenco muito seguro, embora com diversos actores de segunda linha: Keith Carradine, Powers Boothe, Fred Ward, Peter Coyote, seria a partir deste filme que surgiu toda a idéia deste ciclo.

Corações de Aço (Casualities of War) 1989
Em 1966, durante a Guerra do Vietname, Meserve (Sean Penn), um sargento, jura vingança, porque outro soldado, que era seu amigo, foi morto pelos vietnamitas. Assim decide "requisitar" uma jovem para ser uma fonte móvel de prazer. Ao comandar uma patrulha de cinco soldados raptam uma jovem e quatro dos soldados violam-na, mas um deles, Eriksson (Michael J. Fox), recusa-se a praticar tal acto e tenta proteger a prisioneira, que acaba por ser assassinada pelos outros. Indignado com tal acontecimento, ele decide denunciar o facto para que os responsáveis sejam julgados.
Onde "Apocalypse Now" de Francis F. Coppola e "Deer Hunter" de Michael Cimino tentam retratar os as ferramentas psicológicas da guerra usando os seus personagens e situações para implicar um contexto maior, Brian de Palma tenta retratar os mesmos problemas aproximando as personagens de pessoas reais. "Casualities of War" não é obrigatoriamente um filme anti-guerra, porque ao contrários dos dois filmes referidos atrás, não se esforça nada para sugerir o que a guerra fez a Meserve ou a Erickson. O ponto é que, más pessoas existem em todo o lado, o caos da guerra apenas lhes deu desculpas para fazerem coisas que não fariam em tempo de paz. De Palma tem como alvo um certo tipo de personalidade, e insinua que as infraestruturas militares permitam que elas permaneçam ocultas ou ignoradas.
Estreou um pouco antes de um outro famoso filme sobre o Vietname, "Born on the 4th of July", e não lhe fica nada atrás.

A Colina dos Heróis (Hamburger Hill) 1987
Durante dez dias do mês de maio de 1969, entre 11 e 20, ocorreu no Vietname uma batalha apelidada de Hamburger Hill, em que soldados norte-americanos batalhavam pela derrocada da fortificada colina chamada HILL 937. O filme acompanha um pelotão de 14 soldados do exército dos EUA que participou dessa feroz batalha.
Não são apenas as balas que passam através das árvores que levam os soldados juntos nas batalhas. Por vezes os seus companheiros de batalha são tudo o que eles têm. Esposas que os traíram, familiares que se tornam estranhos, para muitos dos homens que sobem Hamburger Hill esta é a recompensa vazia que os espera em casa. Escusado será dizer que "Hamburger Hill" é um filme sombrio que tenta recriar o horror da guerra juntamente com os momentos calmos entre as lutas. É uma representação muito menos ostentosa do que "Full Metal Jacket" ou "Apocalypse Now", obras muito mais badaladas que contam a guerra de uma  forma muito mais operística.
Realizado por John Irvin, contava com um elenco de actores então desconhecidos. Alguns deles vieram a destacar-se mais tarde, como Don Cheadle, Dylan McDermott, ou Courtney B. Vance.

Amanhecer Violento (Red Dawn) 1984
Quando a cidade de oito jovens é invadida por soldados soviéticos e cubanos, e gradativamente por forças militares, eles tomam a decisão de fugirem para as montanhas. Os adolescentes adotam então o nome da equipa de futebol do colégio, os Wolverines, e formam uma guerrilha armada contra o comunismo, e em defesa da família, dos amigos e dos Estados Unidos. 
"Red Dawn" foi escrito por Kevin Reynolds (que mais tarde realizaria "Robin Hood - Prince of Thieves" e "Waterworld"), e realizado por John Milius, causando uma onda de pânico na sua estreia, com a preocupação de que fosse levado a sério demais. No entanto, a maioria das mentes mais maleáveis voltou-se para outro tipo de filmes que seria mais popular na década de oitenta, em vez de um apelo às armas. Visto agora, passados mais de trinta anos, é difícil de acreditar que o filme tenha qualquer valor de propaganda diferente do que era habitual. 
Realizado em 1984, com Ronald Regan na Casa Branca, "Red Dawn" é um filme com uma inclinação claramente conservadora. Com John Milius no leme, um realizador que era um conservador assumido, membro da NRA (National Rifle Association), que contava já, entre realizações e argumentos, com uma carreira notável ("Dillinger", "Big Wednesday", "Conan, the Barbarian"), o filme contava com uma série de jovens estrelas, algumas delas chegadas dos filmes de adolescentes realizados por Coppola no ano anterior, como era o caso de Patrick Swayze, C. Thomas Howell, ou Charlie Sheen.
Imdb

sábado, 3 de dezembro de 2016

Capítulo 9 - Guerra

O cinema soube alimentar-se das grandes e pequenas guerras da história da humanidade. Encenando os grandes conflitos onde se projectava a eterna e suprema luta entre o bem e o mal, o cinema encontrou um cenário onde o espectáculo ganha uma nova dimensão. Na década de 80, a que estamos a analisar, fazia-se o rescaldo da Guerra do Vietneme, e o cinema americano explorou este filão ao máximo, com filmes tão contemporâneos como: "Apocalypse Now", "Coming Home", "Deer Hunter", "Platoon", "Born on the Fourth of July", "Full Metal Jacket", entre muitos outros. Mas, o cinema de guerra no tempo do VHS não vivia só sobre esta guerra, havia muito mais guerras. Aqui está a nossa seleção para o nono capítulo.

Feliz Natal, Mr. Lawrence (Merry Christmas, Mr. Lawrence) 1983
Baseado no livro de Sir Laurens der Post, relata o tenso conflito entre brutais comandantes japoneses e os seus obstinados prisioneiros ingleses. O ano é o de 1942, e o mundo está em guerra. Feito prisioneiro pelos japoneses num campo de concentração na ilha de Java, o oficial britânico Jack Celliers (David Bowie), inicia um conflito quando resolve não acatar as regras ditadas pelo Capitão Yonoi), um cruel comandante japonês. Mas, entre eles está o Coronel John Lawrence (Tom Conti), um homem que tem um grande amor pela cultura e língua japonesa, mas que se torna uma ameaça por ser o único a entender ambos os lados.
"Merry Christmas, Mr. Lawrence" é uma curiosa produção internacional do inicio dos anos 80. Produzido por Jeremy Thomas, um produtor britânico de mentalidade internacional (habitual colaborador de Bernardo Bertolucci), e realizado pelo Japonês Nagisa Oshima, num registo bem fora do habitual, e um argumento escrito pelo próprio Oshima e pelo crítico britânco Paul Mayersberg a partir de um romance semi-autobiográfico do escritor sul-africano Laurens Van der Post, com um elenco que misturava actores britânicos com japoneses, como David Bowie, Tom Conti, Ryuichi Sakamoto (também autor da banda sonora), e Takeshi Kitano.
Era uma lógica comparação (e contraponto) ao famoso "A Ponte do Rio Kwai", de David Lean, um filme ao qual Oshima parece reagir activamente de encontro a uma tomada deliberadamente modernista sobre tensões em tempo de guerra, dando uma genuína ênfase no conflito cultural, de ambos os lados, e um desenlace que sugere que ninguém está verdadeiramente certo, nem verdadeiramente errado, o oposto ao heroismo de David Lean.

 A Grande Batalha (Cross of Iron) 1977
Uma frente de soldados alemães luta para sobreviver aos ataques soviéticos na Segunda Guerra Mundial, contando com a liderança do novo comandante, o condecorado oficial Steiner, que busca apenas uma coisa: a Cruz de Ferro para honrar sua família.
"“Cross of Iron” (ou A Grande Batalha, o muito inspirado título português) é o único filme de guerra de Sam Peckinpah e retrata um pelotão não americano, mas alemão, liderado por Rolf Steiner (James Coburn), durante a 2ª Guerra Mundial. Anárquico tematicamente mas, também, estilisticamente, “Cross of Iron” é o filme, formalmente, mais radical do seu realizador. Violento, sim, mas anti-violência como (acredite-se ou não) todo e qualquer filme de Peckinpah: Orson Welles, depois de ter visto o filme achou-o o melhor filme anti-guerra alguma vez feito (pode não o ser, mas estará lá perto). Fora isso, é um “chupem-me” à montagem e narrativas tradicionais e aos produtores e estúdios que tanto atormentaram Peckinpah. E a Hitler, também, claro está.." Tirado daqui
Aconselho também uma leitura sobre este filme, daqui.

Fuga Para a Vitória (Victory) 1981
Num campo alemão de prisioneiros de guerra o major Karl von Steiner (Max Von Sydow), que já tinha pertencido à seleção alemã de futebol, tem a idéia de fazer um jogo entre uma seleção dos prisioneiros aliados, liderados pelo capitão John Colby (Michael Caine), um inglês que era um conhecido jogador de futebol. Colby também teria a tarefa de selecionar e treinar a equipa, para enfrentar a selecção alemã no Estádio Colombes, em Paris. Enquanto os nazis, com a excepção de Steiner, planeiam fazer de tudo para vencer o jogo e assim usar ao máximo a propaganda de guerra nazi, os jogadores aliados planeiam uma arriscada fuga durante a partida. 
O projecto original era um drama sério, baseado na história verídica de um grupo de prisioneiros de guerra aliados desafiado para uma partida de futebol pelos alemães. O acordo era que se os alemães ganhassem os prisioneiros de guerra eram libertados na Suiça. Se fossem os prisioneiros a ganhar, seriam fuzilados. Os prisioneiros decidiram pela vitória, ganharam a partida, e, consequentemente, foram fuzilados.
Realizado por John Huston, já em periodo final da sua carreira, contava com um elenco de estrelas, formado por actores e jogadores de futebol reais, como Pelé, Bobby Moore, Osvaldo Ardiles, John Wark, entre outros. Sylvester Stallone também fazia parte do elenco, como guarda-redes dos aliados. Já era na altura uma estrela em ascenção, em parte por causa do êxito de "Rocky", e insistiu para que fosse ele a marcar o golo da vitória, e o elenco de jogadores de futebol tentou convencê-lo do absurdo que seria o guarda-redes marcar o golo da vitória, mas era apenas para massajar o seu ego. 
Imdb

Capítulo 8 - Heróis do VHS

Nico - À Margem da Lei (Above the Law) 1988
Nico é um policia de Chicago que segue a pista de algo grande, envolvendo o tráfico de drogas. Mas quando começa a apertar o cerco, é obrigado a deixar o caso e a carreira. Contrariado, vê todos os suspeitos que prendeu serem postos em liberdade. Agora Nico está fora da polícia. Mas não fora da acção. E tem um recado muito especial para os criminosos, que traficam drogas e planeiam crimes políticos. Eles não estão acima da lei, não da lei de Nico.
Existe algo de místico à volta de Steven Segal. Treinando artes marciais desde os sete anos, Segal era um enigma mesmo antes de estrear no cinema, com este "Nico - À Margem da Lei". A treinar artes marciais desde os 7 anos, recebeu o seu primeiro "Dan" no Aikido aos 23 anos, para mais tarde começar a treinar a elite de Hollywood. Existia uma cortina de fumo à volta do passado do actor, que supostamente tinha pertencido à CIA e tinha ligações ao FBI e à Máfia. Mas, uma coisa era inegável, e notava-se logo nos primeiros minutos de "Above the Law": o uso que Segal fazia do Aikido era algo até então nunca visto no cinema, e como tal fez do actor uma estrela. O resultado seria um nível de violência muito diferente do que já se tinha visto no cinema.
Parte autobiográfico (supostamente), parte fantasia urbana, Segal conseguiu tirar o melhor proveito possível do seu primeiro filme. O realizador era um homem já experiente, Andrew Davis, que tinha trabalhado com Chuck Norris em "Code of Silence", e o elenco contava com alguns nomes interessantes, Pam Grier, musa do "blaxpoitation", Henry Silva, e Sharon Stone, antes de ser famosa.

Kickboxer - Golpe de Vingança (Kickboxer) 1989
Acompanhado pelo irmão Kurt (Van Damme) o campeão de Kickbox americano, Eric Sloane (Dennis Alexio), chega à Tailândia para enfrentar os lutadores orientais no seu próprio desporto. O seu oponente é o cruel campeão de Thai, Tong Po. Tong não só derrota Eric, como tambem o paraliza para sempre. Enlouquecido pelo ódio, Kurt clama por vingança. Depois de um difícil treino nas antigas técnicas de kickbox com o mestre tailandês Xian Chow, Kurt desafia Tong para uma luta final onde poderá vingar o seu irmão.
Jean-Claude Van Damme, o musculado actor de Bruxelas, tinha-se estreado no cinema de acção dois anos antes, com "Bloodsport", continuou depois com "Cyborg", mas o filme que realmente o trouxe para a ribalta foi este "Kickboxer". Por volta de 1990, todos os adolescentes queriam ser Van Damme neste filme, e em pouquíssimo tempo o actor tornava-se num dos maiores heróis dos video clubes.
Realizado a quatro mãos, por Mark Disalle e David Worth, "Kickboxer" foi feito com um orçamento muito reduzido, de um milhão e meio de dólares, tendo rendido quase 15 milhões só nos cinemas. Mas o verdadeiro mercado deste filme, não era o cinema mas sim o VHS. Saíu recentemente um remake deste filme, que conta com Van Damme num dos principais papéis.

O Legionário (Lionheart) 1990
Lyon Gaultier pertence à Legião Estrangeira. Para socorrer o seu irmão que se encontra em perigo nos EUA decide desertar da Legião. Mas, ao chegar aos EUA encontra uma situação pior do que esperava dado que o seu irmão está entre a vida e a morte e para complicar, a sua cunhada não tem o dinheiro necessário para cuidar do marido e manter a sua criança. Para conseguir esse dinheiro, Lyon aceita fazer parte do um grupo que organiza perigosas e violentas lutas clandestinas. Mas, além de correr perigo nestas lutas, a situado de Lyon complica-se quando membros da Legião Estrangeira vêm à sua procura.
Logo depois de "Kickboxer" Jean-Claude Van Damme partiu para mais um projecto de artes marciais, agora com um orçamento um pouco maior. O que diferencia este filme da maioria dos filmes do actor, é que este de facto tem uma história, e até um coração, conforme o "Lionheart" do título. Com o argumento a ser escrito pelo próprio Van Damme, será a primeira colaboração entre o actor e o realizador Sheldon Lettich, argumentista de "Rambo III". Também seria um dos maiores êxitos de Van Damme.
Alugar
Imdb

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Capítulo 8 - Heróis do VHS

Kalidor: A Lenda do Talismã (Red Sonja) 1985
A vida tranquila de Sonja (Brigitte Nielsen) acaba quando os seus pais são assassinados pela Rainha Gedren (Sandahl Bergman), que cria um reinado de terror, possuindo um talismã pelo qual poderá aniquilar a vida no planeta Terra. Sonja está determinada a vingar a morte dos seus pais e são lhe concedidos poderes extraordinários por uma visão misteriosa. Entretanto, ela tem que jurar que jamais tocará num homem a não ser que o mesmo a derrote numa batalha. A caminho do encontro com a Rainha Gedren, ela encontra Kalidor (Arnold Schwarzenegger), um estranho dotado de uma força superior.
Richard Fleischer, depois de realizado "Conan, o Destruidor", a sequela menos bem sucedida do grandiso "Conan e os Bárbaros", de John Milius, criou outro herói icónico, em parte derivado do universo de Robert E. Howard, desta vez uma mulher chamada Sonja. "Red Sonja" é muito melhor do que o que a sua reputação extremamente baixa possa sugerir, mas também não consegue aproveitar ao máximo o que os seus activos reais. Fleischer já era um realizador muito experiente, sobretudo no território da acção, e este seria o seu penúltimo filme.
Não foi fácil escolher uma actriz para encarnar o papel de heroína neste filme de "sword and sorcery". O produtor Dino De Laurentiis não conseguia encontrar uma mulher para desempenhar este papel, até que descobriu uma modelo muito interessante numa revista, e nascia uma estrela, Brigitte Nielsen. Nielsen era uma jovem dinamarquesa, com pouco mais de 20 anos na altura, e que aproveitaria o embalo para interpretar numa série de filmes nesta segunda metade dos anos oitenta: dois com Stallone ("Rocky IV" e "Cobra"), com quem casaria, "O Caça Policias 2", mas a sua aparição no cinema seria breve, pois tinha muito talento, e depressa passaria para filmes de série B. Arnold Schwarzenegger tem um papel mais secundário.  

Comando (Commando) 1985
O Coronel John Matrix (Arnold Schwarzenegger), reformado das forças especiais, vive isolado com a filha, quando aparece um grupo de mercenários que a raptam, com uma condição: terá de regressar com eles a uma república (fictícia) da América do Sul, e depor o actual presidente que anteriormente tinha ajudado a chegar ao poder. Matrix sabe que, mesmo concordando eles vão matar a sua filha, então só lhe resta chegar ao país antes que os mercenários percebam.
Um gloriosamente primitivo filme de acção, que não tem outro objectivo a não ser um puro objecto de violência gratuita, mas tudo isto com um certo charme. "Commando" ajudou a solidificar a personagem do filme de acção de Schwarzenegger, na altura conhecido apenas pelo cyborg de "O Extreminador Implacável" e pelos seus papéis nos filmes de "sword & sorcery".
O realizador Mark L. Lester é muito directo no comando deste espectáculo, sem grandes floreados estéticos e sem nos servir grandes emoções. Reconhece em Schwarzenegger uma presença forte, que precisa de mais atenção na tela, então permite que o seu herói arrase tudo pelo caminho. Matrix é mais uma força da natureza do que uma personagem, e só faz sentido quando está armado até aos dentes com grandes metralhadoras, explodindo o seu caminho através de dezenas de inimigos como se fosse uma personagem dos jogos de video.A sua filha é interpretada por Alyssa Milano, que na altura era conhecida pela série "Chefe, mas Pouco".

O Gladiador (The Running Man) 1987
Estamos no século XXI os EUA estão sob um cruel regime totalitário. Os livros foram queimados, os discos destruídos, as escolas fechadas e toda liberdade pessoal abolida. Neste mundo estarrecedor, só uma relíquia do século XX foi preservada: a TV, única forma de diversão de uma população oprimida e fria. "The Running Man" é o programa mais popular, uma espécie de jogo de gato e rato mortal e sanguinário, onde o único e valioso prémio é a sobrevivência. Ben Richards (Arnold Schwarzenegger), um rebelde perseguido, vai provar que nem sempre o fugitivo é o perdedor. Contra adversários mortalmente curiosos, ele vai defender a sua vida frente às câmeras de TV.
No mesmo ano em que entrou em "Predador", Schwarzengger entrou em "The Running Man", um projecto menor que funcionava como uma sátira aos anos oitenta saturados pelos mídia, desenvolvendo as tendências então actuais (mesmo políticas) e as suas conclusões lógicas. Embora na altura não houvesse sinais de competições onde os participantes arriscassem a vida, é este mesmo aspecto o mais importante do filme, que continua actual até aos dias de hoje, e quem sabe se amanhã não será mesmo real...
É baseado num livro do mesmo nome de Stephen King, escrito sob o pseudónimo Richard Bachman, e o argumento da autoria de Steven E. de Sousa, que já tinha escrito "Commando", e no ano seguinte escreveria o de "Die Hard".

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Capítulo 8 - Heróis do VHS

Desaparecido em Combate (Missing in Action) 1984
O coronel das Forças Especiais James Braddock precisa de trazer de volta soldados norte-americanos que ainda estão a ser mantidos como prisioneiros no Vietname. Contando com a ajuda da funcionária do Departamento de Estado e de um ex-colega do Exército, Braddock reúne informações altamente confidenciais e armamento da última geração. Braddock forma então um exército de um homem só, disposto a invadir o Vietname para localizar e salvar os seus restantes companheiros desaparecidos em combate.
Um dos filmes de acção mais famosos dos anos oitenta, que originou uma vaga de filmes revisionistas sobre a Guerra do Vietname. O argumento de James Bruner é tipicamente tão anticomunista que faria Ronald Regan orgulhoso. A questão de soldados americanos ilegalmente mantidos no Vietname e do campo minado da diplomacia burocrática já tinha sido explorada com algum efeito em "Uncommon Valor" (1983). Mas onde "Uncommon Valor" procura desenvolver as personagens, motivações, e o estado emocional, "Missing in Action", como veículo promocional de Norris, opta por todos os tipos de acção. A odisseia do coronel James Braddock chegou aos cinemas pouco antes do seu copycat, "Rambo: First Blood Part II" (1985).
Com um modesto orçamento de 2,5 milhões de dólares (ao contrário de "Rambo: First Blood Part II", que tinha um orçamento de 44 milhões) o realizador Joseph Zito consegue fazer milagres. Ele foi, sem dúvida, prejudicado pela estratégia económica da Canon Films, mas era extremamente eficiente a trabalhar com baixos orçamentos, já tinha sido assim com "The Prowler" (1981) e "Friday the 13th: The Final Chapter" (1984), dois interessantes filmes de terror. "Mission in Action" foi uma das entradas mais importantes nos filmes dos anos 80 transbordantes em  testosterona e machismo. Podem ler mais sobre ele, aqui.

Invasão EUA (Invasion U.S.A.) 1985
Mikhail Rostov (o eterno vilão Richard Lynch) é um terrorista russo que resolve, literalmente, invadir os Estados Unidos. Junta uma quadrilha de mercenários e terroristas de todo o mundo, liderados por ele e pelo seu braço direito, Nikko (Alexander Zale), e entram facilmente no território americano, iniciando uma série de atentados e assassinatos que seria o início da auto-proclamada "Invasão dos Estados Unidos". O plano de Rostov é jogar os próprios americanos uns contra os outros e fazer ruir a democracia americana. E só há uma pessoa capaz de o deter: Matt Hunter (Chuck Norris).
 Apesar da sua longa associação com Charles Bronson, e a sua curta colaboração com Sylvester Stallone e Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris era, inquestionavelmente a jóia da coroa da Canon Films desde meados dos anos 80 até ao início dos anos 90. Era uma estrela internacional que não ligava a nomes, nem se importava com argumentos, desde que tivesse hipóteses de dar uns tiros e pontapés. Em "Invasion USA" ele escreveu o argumento em conjunto com James Bruner, a partir de uma história do seu próprio irmão, Aaron Norris, ´que tinha trabalhado como duplo em vários filmes do seu próprio irmão. Joseph Zito era de novo o realizador, depois de "Desaparecido em Combate".

Força Delta (Delta Force) 1986
Quando um avião norte-americano de passageiros é sequestrado e levado para Beirute, o Presidente chama a Força Delta - uma equipa de ataque comandada pelo Coronel Nick Alexander (Lee Marvin) e o Major Scott McCoy (Chuck Norris). Enfrentando todas as adversidades, os homens invadem o esconderijo e - sem levar nenhum prisioneiro - resgatam os reféns. Mas a missão ainda não acabou. Alguns passageiros remanescentes estão a ser "escoltados" a Teerão, o que dá início a uma corrida contra o tempo à medida que Alexander e McCoy tentam salvá-los e vingar a honra da América, antes que seja tarde demais.
Vagamente baseado num sequestro do voo 847 da TWA, é um filme muito parecido com os blockbusters da série "Aeroporto". Introduz-nos a um número elevado de personagens (na forma típica dos filmes da série "Aeroporto", como Martin Balsam, Joey Bishop, Shelley Winters, Lainie Kazan, ou George Kennedy), antes de serem todos empurrados para um avião comercial em Nova Iorque, e serem raptados por dois terroristas libaneses (Robert Forster, David Menachem) que protestam a existência de Israel. A mais estranha e impressionante coisa sobre o filme, é o balanço entre heróis e vilões. Em vez do heroísmo exagerado esperado o realizador/ produtor/ co-argumentista Menahem Golan (ele próprio um israelita), permite que a Força Delta faça algumas coisas más, e os terroristas façam algumas coisas boas. Não era exactamente um filme com o preto no branco, como era habitual na tarifa da Canon.
O elenco era recheado de estrelas, e para além das faladas em cima contava ainda com: Hanna Schygulla, Susan Strasberg, Bo Svenson, Robert Vaughn, Kevin Dillon, e Liam Neeson.
Alugar
Imdb  

domingo, 27 de novembro de 2016

Capítulo 8 - Heróis do VHS

O tempo do VHS era o tempo dos grandes heróis de acção. Aqueles que entrassem em que filme entrassem, era sempre um sucesso garantido. Se não fosse nos cinemas, era nos clubes de vídeo. Quem é que nunca saíu de um clube de vídeo com uma cassete do último filme do Sylvester Stallone ou do Chuck Norris? Vamos ver alguns destes filmes nos próximos três dias.

Os Falcões da Noite (Nighthawks) 1981
Quando Wulfgar (Rutger Hauer), o mais temido terrorista da Europa, de forma repentina e explosiva, anuncia a sua presença na cidade de Nova Iorque, dois agentes secretos, Deke DaSilva (Sylvester Stallone) e Willis Fox (Billy Dee Williams) são destacados para a tarefa praticamente impossível de localizá-lo antes que ataque novamente. No jogo de gato e rato brutal que se segue, o terrorista fere Willis, mantém diplomatas das Nações Unidas e suas famílias como reféns num teleférico sobre a cidade e consegue estar a um passo à frente de Deke DaSilva.
"Nighthawks" é um filme com um passado muito sórdido. Começou por ser a terceira parte de "French Connection", mas quando Gene Hackman saíu o projecto afundou. Depois tornou-se no filme que conhecemos hoje, mas com bastante tumulto ao longo do caminho. Sylvester Stallone, que gozava de alguma reputação por causa da saga Rocky (já ia no segundo episódio), resolveu fazer a vida negra ao seu antagonista, Rutger Hauer (primeiro filme na América, ainda antes de "Blade Runner"), e a tensão cresceu durante as rodagens. O realizador original, Gary Nelson, foi substituído por Bruce Malmuth e Stallone teve algumas cenas cortadas por causa da violência, e problemas com a MPAA.
Para Sylvester Stallone era o início de uma nova fase da sua carreira, a de herói de acção. No ano seguinte entrava no primeiro Rambo, e a partir daqui, até, pelo menos meados dos anos noventa, entraria num elevado número de filmes de acção com relativo sucesso, independentemente da qualidade dos filmes.

Cobra - O Braço Forte da Lei (Cobra) 1986
Cobra é um policia que sabe tudo sobre o submundo da cidade grande, e, também, é um especialista em tarefas impossíveis que ninguém mais quer fazer. O seu nome faz estremecer de medo a sociedade marginal, e os seus métodos pouco ortodoxos criam uma paranóia extrema, mesmo entre os colegas policias. Agora, um terror igualmente mortal acelerou o pulso da cidade, e Cobra foi escolhido: ele tem total liberdade de ação para encontrar o assassino que anda a matar, de forma impiedosa e selvagem, como uma besta que escapou do inferno. Mas este monstro não age sozinho. Ele é o líder de um bando de assassinos psicopatas, auto denominados Nova Ordem, determinados a eliminar a única testemunha que pode ameaçar o anonimato do grupo: uma bela modelo (Brigitte Nielsen) que felizmente está sob a custódia protetora de Cobra.
Um dos filmes mais polémicos de Sylvester Stallone que abriu inúmeras discussões em relação ao tema abordado pela história, mostrando uma visão distorcida do policia e do seu papel na sociedade, fazendo justiça pelas próprias mãos. Foi também dos filmes de acção mais violentos dos anos oitenta.
Apesar de toda a polémica, acabou por se tornar um êxito, tornando-se uma das personagens mais famosas do actor. O realizador era George Pan Cosmatos, que já tinha realizado no ano anterior a segunda parte de Rambo, e o elenco contava com a super sexy Brigitte Nielsen, uma famosa modelo dinamarquesa então casada com Stallone, e que já tinha protagonizado "Red Sonja".

Tango e Cash (Tango & Cash) 1989
Ray Tango (Sylvester Stallone) e Gabriel Cash (Kurt Russell) são dectetives do departamento de narcóticos. Ambos são extremamente bem sucedidos na carreira mas, no entanto, não se "cruzam" muito. Enquanto isso Yves Perret (Jack Palance), um chefe do crime, está furioso por perder muito dinheiro, porque Tango e Cash atrapalham os seus "negócios". Assim, Perret articula um plano no qual os dois detectives são incriminados pela morte de um agente, em que além de estarem ao lado da vítima quando foram presos a arma do crime era o revólver de Cash, que foi encontrada no local do crime.
De todos os filmes de acção dos anos oitenta de grande orçamento este tem de ser o mais estupidamente divertido de todos. Um buddy cop movie na tradição de "Lethal Weapon", onde dois polícias se autoproclamam o policia número um de Los Angeles. Nunca se encontram em trabalho, por causa dos seus egos, mas depois de irem parar à cadeia vão ter de se unir para sobreviverem e capturarem os culpados.
Realizado pelo russo Andrey Konchalovsky, que nunca tinha feito algo parecido, o mais próximo tinha sido "Runaway Train", sobre dois proscritos em fuga, num comboio sem travões, tem algumas cenas de acção impressionantemente encenadas, e basicamente é um filme só para os fãs da acção pura e dura.

sábado, 26 de novembro de 2016

Capítulo 7 - Suspense

Anatomia do Golpe (The Grifters) 1990
Lilly (Anjelica Huston) trabalha para um gangster e aposta o dinheiro dele em corridas de cavalos. Afastada há muitos anos de Roy (John Cusack), o seu filho, decide reencontrá-lo, provocando reações de amor e ódio. Torna-se rival da sua namorada, Myra (Anette Benning), o que faz disputar o amor do próprio filho.
Um film noir moderno, absorvente e muito bem interpretado, retirado de um obscuro livro de Jim Thompson, e adaptado para o cinema por Donald Westlake. Os personagens são complexos, as situações do filme são bastante autênticas, enquanto que o objectivo do filme parece enigmático, ainda que pareça fascinante.
Realizado pelo britânico Stephen Frears, era a segunda vez que dirigia em território britânico, e com sucesso, depois de "Dangerous Liaisons", de dois anos antes. "The Grifters foi lançado quase ao mesmo tempo no cinema que outras duas obras de Thompson, "Kill Off", de Mary Greenwald, e "After Dark, My Sweet", de James Foley. Contudo, o marketing da Miramax, e a presença muito publicitada de Martin Scorsese como produtor executivo, levaram o filme a ser um sucesso crítico e a conseguir quatro nomeações para os Óscares em categorias importantes: Anjelica Huston, Anette Benning, realizador e argumento. Mesmo assim alcançou resultados de bilheteira modestos.

Diva e os Gangsters (Diva) 1981
Jules, um jovem carteiro apaixonado por ópera que está particularmente fascinado pela voz de uma diva, que raramente se apresenta e não permite que os seus cânticos sejam gravados. Levado pela sua obsessão, ele faz uma gravação pirata durante um de seus espetáculos, tornando-se alvo de perigosos gangsters.
Ao vermos "Diva", de Jean-Jacques Beineix, é difícil não pensarmos em outros filmes, como "Janela Indiscreta", de Alfred Hitchcock ou "Blowup" de Michelangelo Antonioni, este "thriller" francês é um filme sobre ver filmes.O que é impressionante em "Diva" é a integridade dada aos personagens, e a relutância em repetir outras personagens em filmes do mesmo género.
Seria a primeira obra de Jean-Jacques Beineix, e conseguia logo algum reconhecimento internacional, ao ser nomeado para Melhor Filme em Lingua Estrangeira, nos British Awards, num ano em que concorria com diversos tubarões, como Francesco Rossi, Wolfgang Petersen ou Werner Herzog. Cinema francês em VHS era uma coisa rara, mas este filme de Beineix era imperdível.

A História de um Soldado (A Soldier´s Story) 1984
No final da Segunda Guerra Mundial o Capitão Davenport (Howard E. Rollins, Jr.), um orgulhoso negro, advogado do exército, é mandado ao Fort Neal, Louisiana, para investigar o brutal fuzilamento do Sargento Waters (Adolph Caesar). Em entrevistas com os soldados, Davenport percebe que o Sargento era um bêbado servil dos brancos, renegando as suas próprias raízes. Seria o assassino um intolerante oficial branco? Ou poderia ter sido um soldado negro, amargurado pelas constantes ofensas raciais de Waters?
 Dirigido por Norman Jewison, baseado numa obra de Charles Fuller vencedora de um prémio Pulitzer, é uma história sobre racismo e segregação num regimento de negros no exército dos Estados Unidos, num tempo e lugar onde um oficial negro não tem precedentes, e os negros eram amargamente ressentidos por quase todos.
Foi um filme dificil de se produzir, mesmo tendo em conta que o realizador Norman Jewison era um peso pesado em Hollywood, já com várias nomeações aos Óscares. Várias produtoras recusaram o filme, até que alguém da Columbia leu o argumento e resolveu produzir. Dado que o tema era tão arriscado só foi dado um orçamento a Jewison de 5 milhões de dólares, ao que ele acabou por aceitar, fazer o filme sem ter salário, para reduzir os custos. Acabou por ter um enorme lucro, rendendo quase 23 milhões nos cinemas, conseguindo ainda três nomeações aos Óscares, incluindo Melhor Filme e Actor Secundário, Adolph Caesar. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Capítulo 7 - Suspense

Calma de Morte (Dead Calm) 1989
"Dead Calm" reduz as nossas emoções e arrepios para as suas formas mais raras. Sem um grande argumento elaborado, nem twists ou reviravoltas. Isto é pura tensão, quando encontramos em apuros um homem e uma mulher casados na luta pelas suas vidas contra um inimigo instável, que eles convidaram para bordo do seu veleiro no oceano.
O filme vale sobretudo para os fãs de Nicole Kidman que pretendem conhecer o trabalho da actriz pré-Hollywood, filmado na Australia, terra da sua descendência, tal como do realizador Philip Noyce, também ele prestes a mudar-se para Hollywood. Kidman mostra aqui algumas das suas melhores capacidades de interpretação jogando com o terror, medo e força de vontade, tudo ao mesmo tempo e de forma muito realista. Depois é coadjuvada por dois actores no topo da forma, Sam Neill e Billy Zane, que dá ao seu personagem um apelo assustador, que parece ao mesmo tempo assustador e sedutor, aterrorizante e simpático.
A história já se disse que não era das melhores, mas "Calma de Morte" funciona muito bem o tempo todo. Tornou-se num filme australiano de culto.

O Inquilino Misterioso (Pacific Heights) 1990
Drake e Paty (Matthew Modine e Melanie Griffith) realizam o seu grande sonho, comprar uma casa vitoriana. Mas para pagar as despesas eles tem que alugar uma parte da casa. Carter Hayes (Michael Keaton) parece ser o inquilino ideal: rico, charmoso e bem sucedido. Assim que começa a morar na casa, coisas estranhas começam a acontecer. A solução é despejá-lo, mas quando tomam esta atitude tem início a uma crescente guerra psicológica contra o indefeso casal. Drake e Paty não podem perder esta guerra, porque isso pode custar a sua relação, a casa e talvez as suas vidas. E para piorar a situação, a lei está do lado de Hayes.
Um filme sobre os horrores das regras e regulamentos. Um exemplo do sistema jurídico moderno, um sistema destinado a proteger os inocentes, mas frequentemente abusado por aqueles que são maus. "Pacific Heights" conta a história do pior inquilino do mundo, um homem que engana todos no seu caminho para conseguir uma nova casa, e de seguida usa cada lacuna legal ao seu alcance para tornar a vida dos seus proprietários num inferno.
Seria o primeiro filme de Michael Keaton depois de "Batman", de Tim Burton. Depois deste filme largava os papéis de cómico a que estávamos habituados,  e começa a fazer cinema mais sério. Como vilão tem uma das suas interpretações mais agradáveis, sobre as ordens do experiente John Schlesinger.

Frenético (Frantic) 1988
Harrison Ford é o Dr. Richard Walker, um médico famoso que, com a sua esposa Sondra visitam Paris pela segunda vez. Da primeira vez, viveram uma lua-de-mel inesquecível, mas agora vão viver momentos de suspense e terror. Tudo começa quando Sondra desaparece misteriosamente do hotel e Walker se vê sozinho numa terra estranha e sem pistas. Até que surge a linda Michelle que resolve ajudá-lo e o leva à aterradora realidade do submundo numa busca incansável pela sua esposa.
Provavelmente não é o melhor filme para o turismo em Paris, mas é muito eficaz como um thriller hitchcockiano, e um triunfante regresso ao género de Roman Polanski, que vinha do enorme fracasso de "Piratas", o seu filme anterior, normalmente considerado um dos maiores fracassos da década. Ainda assim, mesmo com um actor da moda como Harrison Ford, acabaria por ter resultados de bilheteira algo desapontantes.
Harrison Ford tem um desempenho notável como o doutor, e mantém o filme no bom sentido, mesmo quando este está mal orientado. O filme é perfeito nos primeiros 45 minutos, com um mistério verdadeiramente emocionante, mas as coisas começam a diminuir quando Richard se aproxima da verdade. Podem ler mais sobre o filme aqui.

Na Vigília da Noite (Someone to Watch Over Me) 1987
O detetive Mike Keegan (Tom Berenger) é promovido e tem sua vida virada do avesso. Recebe a missão de proteger a socialite Claire Gregory (Mimi Rogers), uma testemunha de um assassinato importante. Mike luta para manter o profissionalismo, em relação à sua família, mas a cada noite fica mais seduzido pelo mundo glamuroso de Claire. Trabalhando para manter a bela mulher a salvo tenta descobrir os próximos passos do assassino. 
Era o terceiro filme de Ridley Scott na década de 80, e de longe o menos conhecido. Um thriller erótico que triunfa mais como policial do que filme de suspense, em parte pela sua incapacidade de causar sustos. Com cenários deslumbrantes, mostra a extraordinária arte visual de Ridley Scott, um realizador que habitualmente caprichava neste campo, basta nos lembrarmos de "Blade Runner".
A carreira de Ridley Scott está recheada de fracassos, mas este acaba por não ser dos maiores, visto que o seu orçamento também era mais reduzido.Há uma tentativa de aproveitar Tom Berenger como protagonista, depois do actor ter sido nomeado para um Óscar em "Platoon", mas os filmes seguintes não correram muito bem. Este seria o pimeiro depois da nomeação.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Capítulo 7 - Suspense

A palavra "suspense" já há muito que foi retirada dos dicionários dos cinéfilos. Sofreu uma americanização, e agora passou a ser chamado de "thriller". Não se sabe bem de onde vem este género, mas se teve algum impulsionador, sem dúvida que foi Alfred Hitchcock. Hitchcock desenvolveu a premissa do "suspense" de forma brilhante, ousando sugerir, mais do que mostrar, a violência que o seu conhecimento podia acarretar, sobretudo com as pessoas que o espectador mais facilmente se podia identificar. Os anos oitenta foram óptimos para esta premissa, provavelmente tão bons ou melhores que as décadas anteriores. Vamos conhecer neste capítulo alguns dos filmes de suspense mais brilhantes.

Sangue Por Sangue (Blood Simple) 1984
No Texas, o dono de um bar que normalmente não é reconhecido como uma boa pessoa, contrata um detective privado obscuro para obter provas (fotográficas) de que a sua esposa o anda a enganar com um dos empregados do bar. Quando o casal adúltero descobre que o marido percebeu a traição resolvem fugir, mas o marido enganado volta a contratar o detective, desta vez para matar o casal e esconder os cadáveres num sitio onde não possam ser encontrados.
"Blood Simple", o sublime filme de estreia dos irmãos Coen, não envelheceu um bocadinho desde a sua estreia, a mais de 30 anos atrás. Atravessado por uma grande tensão, e cheio de momentos de suspense, bem escrito, e soberbamente construido com um enorme senso de humor negro, é um filme noir deliciosamente perverso, bem modernizado e transportado para as planícies abertas do Texas. Onde o mal, o desejo e a culpa apodrecem nas paisagens húmidas e claustrofóbicas dos filmes noir dos anos 40. Os ingredientes chave estão todos aqui, ou seja, emoções intensas e a vontade de matar por causa dessas emoções, e a história construída de forma desonesta para manter os personagens na tela inconscientes do que realmente está a acontecer.
Brilhante o quarteto principal, Dan Hedaya (o dono do bar), M. Emmet Walsh (o detective), Frances McDormand (a traidora), John Getz (o traidor).

Terror na Auto-Estrada (The Hitcher) 1986
C. Thomas Howell  é um jovem de Chicago que atravessa o pais de carro, até à Califórnia. A estrada do Texas é solitária e o jovem está cansado, mas encontra uma forma de se manter acordado ao dar boleia a Rutger Hauer.Não demora muito para que o jovem fique assustado com o seu passageiro, quando ele lhe diz que decapitou viciosamente a última pessoa que lhe deu boleira, e pretende fazer o mesmo com ele. A partir daqui começa um jogo entre o gato e o rato...
Originalmente foi um fracasso nos cinemas, mas tornou-se num fenómeno de culto para os fãs do VHS e da televisão por cabo. A razão para tal acontecer era muito simples: o filme agarra-nos pelos desenvolvimentos sórdidos, e nunca mais pára até ao seu final sangrento, e explosivo. Não faz muito sentido, porque nunca é claro quem é John Ryder ou porque escolheu fazer da vida de Halsey um inferno, mas tentar inventar teorias faz parte da diversão. Em muitos aspectos é um filme derivante de outro jogo mortal entre o gato e o rato, "Duel", de Steven Spielberg, mas também influenciou outros filmes pelo seu próprio direito, como "High Tension" (2003).
Rutger Hauer, o replicant de "Blade Runner" tem um dos seus momentos mais brilhantes. E não esquecer a realização de Robert Harmon" (em estreia), e o argumento de Eric Red (também em estreia), duas enormes promessas que infelizmente não corresponderam às expectativas.

No Rasto dos Assassinos (Cohen & Tate) 1988
Cohen e Tate são dois assassinos profissionais contratados pela máfia para matar a família Knight e os agentes do FBI que os protegem. Cohen é um atirador profissional e é regido por um determinado código de honra, Tate, no entanto, é um jovem rude e brutal sem escrúpulos. Tendo cumprido sua missão, raptam o filho de Knight e trazem-no para Houston, mas o jovem não é tão inocente como parece.
Escrito e realizado por Eric Red, com um orçamento muito limitado, "Cohen & Tate" seria um dos melhores filmes de suspense dos anos 80. E aqui tem que se falar em Eric Red, uma grande promessa do cinema americano independente, numa altura em que não havia cinema independente. Red tinha-se destacado como argumentista de duas das obras mais promissoras dos anos 80, "The Hitcher" e "Near Dark", e seria com todo o mérito que lhe seria dada uma hipótese de realizar a sua primeira obra com este "Cohen and Tate". Os três filmes (poderão ser todos vistos neste ciclo) têm um ponto em comum: pegam num outsider inocente, e atiram-no para o meio do perigo, com um ou mais psicopatas.
Red poderia ter feito uma carreira brilhante, mas dois anos depois viu-se envolvido num acidente que mudaria a sua vida. Matou duas pessoas involuntariamente e tentou cortar a sua própria garganta. Levou meses para se conseguir livrar de acusações em tribunal, e isso acabou por trazer implicâncias para a sua carreira. Também escreveria o argumento de "Blue Steel", de Kathryn Bigelow.

Perigosa Sedução (Sea of Love) 1989
Em Nova Iorque, ao investigar um caso no qual homens são assassinados depois de responderem a um anúncio de correio sentimental, o detective Frank Keller envolve-se na investigação, e ennvolve-se com Helen Cruger, a principal suspeita. Quanto mais ele se apaixona, mais provas surgem para incriminar Helen.
Se há um papel que parece destinado a Al Pacino é o de policia. E se "Sea of Love" não é dos seus melhores filmes, é a sua interpretação que faz o filme ser tão interessante. Com alguns toques que parecem inspirar o resto do elenco (Ellen Barkin muito bem no papel de mulher fatal, e John Goodman como polícia), Pacino estava afastado do cinema já há quatro anos, desde a sua interpretação em "Revolução" de Hugh Hudson, já no ano de 1985, e como esse filme tinha sido um grande flop, haveria que ter cuidado no regresso. Não foi preciso muito trabalho para o realizador Harold Becker levar o trabalho a bom porto. Bastou o argumento de Richard Price, e Al Pacino entrar em modo de piloto automático.
Pacino ficou fora dos Óscares, mas ainda conseguiu uma nomeação para os Globos de Ouro. O seu primeiro e único Óscar só seria conquistado quatro anos depois, em "Scent of a Woman".

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Capítulo 6 - Policial

Brigada de Homicídios (Homicide) 1991
O detective Bob Gold (Joe Mantegna) tem de capturar um assassino que nem o FBI consegue apanhar. Mesmo antes de começar é enviado para outro caso do assassinato de uma velha senhora judia numa zona habitada por negros. As evidências apontam para um grupo de ódio aos judeus, mas o caso não é tão linear como parecia à primeira vista.
"Homicide" era o terceiro filme de David Mamet como realizador, depois de se estrear em 1987 com "House of Games", e "Things Change", de 1989, que já vimos neste ciclo, e é um dos seus filmes mais estranhos e atraentes. Embora comece como um thriller policial convencional, gradualmente transforma-se num psicodrama sobre a crise de identidade de um detective, que o leva a um mundo negro de organizações secretas e violência.
Com o director de fotografia Roger Deakins (favorito dos Coen) atrás da câmara, "Homicide" é um filme visualmente impressionante, que rapidamente desvia qualquer criticismo ao background teatral de Mamet. Concorreu no festival de Cannes de 1991.

Pacto Fatal (Best Seller) 1987
Ao planear a vingança contra um executivo corrupto, Cleve (James Woods), um assassino profissional, junta-se a um ex-policia (Brian Dennehy), agora tornado escritor de sucesso, para executar o seu plano. Mas essa aliança irá tornar-se perigosa, pois pode solucionar um caso misterioso, e os verdadeiros criminosos já estão no encalce destes dois homens.
Realizado por John Flynn, e com argumento de Larry Cohen, "Best Seller" tem o seu argumento mais forte na presença electrizante de James Woods, um dos grandes actores dos anos 80, sempre em papéis bastante complexos e em registos diferentes, acrescentado uma enorme complexidade ao personagem principal. É dificil imaginar outro actor neste papel, e o que leva a pensar se ele terá sido feito exclusivamente para o actor, já que ele mistura um charme maléfico com uma intensidade maníaca, atirando para segundo plano Brian Dennehy, que também tem uma admirável prestação.
O realizador John Flynn foi sempre um dos realizadores mais ignorados deste período, realizando dois filmes de culto dos anos 70, "The Outfit" e "Rolling Thunder", traz aqui uma qualidade extra ao filme. Podem ler um pouco mais sobre o filme aqui, num texto magnifico do João Palhares.

A Câmara Secreta (The Star Chamber) 1983

Steve Hardin (Michael Douglas), um jovem juiz precisa de dar satisfações à sua consciência quando criminosos deploráveis são libertados no seu tribunal devido à ação de advogados espertalhões que encontram buracos na lei. Hardin sente-se totalmente impotente até que descobre "O Esquadrão da Justiça", um pequeno grupo de homens poderosos determinados a estabelecer a sua própria justiça vigilante. Em reuniões secretas e a portas fechadas, eles decretam as suas próprias sentenças para os culpados que escaparam do sistema sem pagar pelos seus crimes.
"A Câmara Secreta" tem para nos oferecer provocadores conflitos morais e éticos que lidam com a complicada dicotomia do sistema da justiça. Por um lado as leis existem para proteger as pessoas inocentes de serem exploradas pelos agentes da polícia, por outro lado podem não ser suficientes para condenar pessoas que se sabe que são culpadas, com os criminosos a conseguirem escapar às grades. Isso coloca a questão de se as leis devem ou não ser seguidas, e se a protecção do público esta comprometida.
Reakizado por Peter Hyams, contava ainda com Hal Holbrock no papel de um grupo de policias renegados, depois de um papel muito parecido em "Magnum Force".

Os Duros Não Brincam (Though Guys Don´t Dance) 1987
A maior parte da história é contada em flashback: Dougy Madden (Lawrence Tierney) visita o filho Tim (Ryan O´Neal) pela última vez porque tem cancro. E Tim está a sofrer um bloqueio na sua criatividade, também por conta dos efeitos de muitos anos de bebida, drogas e sexo.A sexy esposa de Tim, Patty Lariene (Debra Stipe), deixou-o recentemente e ele tenta refazer a sua ligação com a ex-mulher Madeleine (Isabella Rossellini), que agora está casada com um chefe da polícia psicótico, Alvin Luther Regency (Wings Hauser).Um crime vai acontecer, e ele é o principal suspeito.
17 anos depois de "Maidstone", Norman Mailer, um escritor que já tinha ganho dois prémios Pulitzer, volta para trás das câmaras, num argumento promissor, homenageando o film noir. O argumento era baseado num livro seu, tendo ele próprio escrito o argumento com alguns toques nos diálogos de Robert Towne, que por sua vez já tinha recebido um Óscar num filme parecido, "Chinatown". Infelizmente tudo correu mal, e o filme foi uma das grandes desilusões dos anos 80. Acabou com a carreira de Ryan O´Neal, que nunca mais conseguiu entrar num filme decente, e conseguiu sete nomeações para os prémios negativos da moda, os Razzie Awards. Mesmo assim foi respeitado por uma pequena parte da crítica, que o classificou como um interessante neo-noir.

sábado, 19 de novembro de 2016

Capítulo 6 - Policial

Foi ainda no início deste blog que eu fiz um ciclo chamado "Policiais dos anos 80". Foi um ciclo que me deu bastante prazer a fazer, e pelo qual deu para perceber o "boom" do cinema policial nesta década, acompanhando igualmente a explosão do periodo do VHS. Se houve um género que os video clubes ajudaram a desenvolver foram os policiais. Muitos deles não tiveram a devida divulgação nas salas, com passagens despercebidas, enquanto outros se tornaram autênticos sucessos, como "Beverly Hills Cop" ou "48 Hours". Se seguirem este capítulo aconselho também a seguirem o ciclo dos "Policiais dos anos 80", caso não o tenham feito já.

A Máfia em Paris (Détective) 1985
Dois detectives investigam acontecimentos estranhos num hotel em Paris, enquanto um pugilista se prepara para um importante combate. Ao mesmo tempo entra em cena um casal que quer ajustar contas com o empresário do pugilista, e alguns malandrins, que tentam reaver dinheiro que lhes é devido.
Jean-Luc Godard no território do policial, puro e duro. Aqueles não familiarizados com as histórias de Godard. o uso intrusivo de música clássica, certamente que encontrarão neste filme uma experiência perturbadora. Mas os fãs de longa data do realizador facilmente reconhecerão aqui algumas obsessões familiares: a dificuldade em determinar a "verdade" de qualquer coisa, os constantes mal-entendidos entre os homens e as mulheres, o caos da vida urbana, e o impacto dos mídia em tudo, desde o desporto até ao sexo. O filme pode ser considerado como um tributo ao film noir. Os homenageados no grande ecrã são John Cassavetes, Edgar G. Ulmer, e Clint Eastwood. 
Contavam-se pelos dedos de uma mão os filmes de Godard disponíveis em VHS. Para além deste, só havia mais 4: "Atenção à Direita", "O Desprezo", "Eu Vos Saúdo, Maria" e "Pedro, o Louco". Dois clássicos, e três contemporâneos, era tudo o que havia do realizador.
Imdb 

Morto à Chegada (D.O.A.) 1988
Um professor universitário e escritor (Dennis Quaid) chega, já envenenado, a uma esquadra da polícia, mas ainda ajuda a descobrir quem o envenenou. O título do filme, "D.O.A.", significa "dead on arrival", mas convém esperar para ver se o herói acaba mesmo morto no fim. Para descobrir o assassino o protagonista vai contar com a ajuda de uma aluna, interpretada por Meg Ryan.
Estreia na realização de uma dupla de realizadores, Annabel Jankel e Rocky Morton, que só fariam mais um filme na carreira, o terrível "Super Mario Bros.". Aqui fazem um remake de um famoso noir dos anos cinquenta, realizado por Rudolph Maté. Os dois realizadores criaram a personagem de Max Headroom em 1984, e estavam destinados a ser uma dupla de sucesso, mas o fracasso de "Super Mario Bros" parece ter condenado a sua carreira. É essencialmente um filme de perseguição, com um ritmo rápido e algumas boas interpretações. Meg Ryan aparece aqui em inicio de carreira, pela segunda vez contracenando com Dennis Quaid, com quem tinha inciado uma relação durante as rodagens de "Innerspace". 
O filme também tinha um bom elenco de secundários: Charlotte Rampling, Daniel Stern e Brion James. 

Crime em Campo de Cebolas (The Onion Field) 1979
Dois polícias (John Savage e Ted Danson) abordam dois tipos na estrada por causa de um farol no carro onde viajavam. Acabam por ser desarmados e ficam reféns dos dois homens. Um dos policias é morto num campo de cebolas, o outro consegue fugir. Daqui para a frente o filme gira à volta do policia que ficou vivo, e dos dois criminosos que foram logo capturados e agora disputam na justiça o adiamento da sua pena de morte.
Realizado por Harold Becker em inicio de carreira, um realizador que se tornaria especialista no policial e o no thriller, e que teve no seu melhor filme "Sea of Love", com Al Pacino e Ellen Barkin. A história é baseada em factos reais, num livro best seller de Joseph Wambaugh, um homem que era polícia antes de se tornar escritor. Dois anos antes Robert Aldrich tinha feito um filme a partir do seu livro "The Choirboys", que tinha odiado, tal como os críticos. Depois desta experiência estava determinado a não perder o controlo de qualquer outra adaptação sua. Quando surgiu a idéia de adaptarem "The Onion Field", um dos seus livros mais famosos, não só tomou conta do argumento como também investiu dinheiro na sua produção. Queria, sobretudo, mostrar como as coisas realmente tinham acontecido, sem os aditivos de Hollywood, e o resultado é um trabalho extremamente profissional, mas que sofria em comparação com outros policiais dos anos 80 e 90. 
James Woods, no papel de um dos criminosos, é o melhor do filme, conquistando uma nomeação para os globos de ouro. 

Brigada Anticrime (Sharky´s Machine) 1981
Tom Sharky (Burt Reynolds) é um policia dos narcóticos em Atlanta, que foi rebaixado depois de uma captura mal sucedida. Nas profundezas desta humilde divisão, ao investigar um caso de alta prostituição, Sharky tropeça num assassinato da Máfia com laços governamentais, e responde reunindo a sua equipa de investigadores ("sharky´s machine") para descobrir os cabecilhas dos criminosos e leva-los à justiça, antes que estes matem todos os investigadores e testemunhas, incluindo o próprio Sharky. 
Burt Reynolds atrás e à frente das câmaras, no seu filme mais maduro até aos dias de hoje, numa obra bastante fiel ao livro de onde é inspirado, "Born Innocent", escrito por William Diehl. Infelizmente grande parte da rica narrativa do livro foi perdida nas duas horas de duração do filme, mas Reynolds estava mais interessado na caracterização das personagens e nas sequências de acção, e nesse campo trabalhou muito bem. É um filme violento, uma espécie de primo não muito afastado de "Dirty Harry", mas Reynolds contrabalança as sequências de violência com uma pitada de humor. 
Tem um grande elenco, que inclui nomes como Vittorio Gassman, Brian Keith, Charles Durning, Henry Silva, Rachel Ward, entre outros.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Capítulo 5 - Infantil

 Tartarugas Ninja (Teenage Mutant Ninja Turtles) 1990
Nos esgotos de Nova Yorque, quatro tartarugas e um rato tornaram-se mutantes depois de entrarem em contacto com um líquido radioativo. O rato (Mestre Splinter) por ser mais sábio criou e educou as tartarugas. Ele era um rato mascote de um conhecedor de artes marciais e ensinou as tartarugas a arte do Ninjitsu. Quinze anos depois, uma onda de crimes impera em Nova Yorque,uma misteriosa quadrilha liderada pelo terrível Destruidor é responsável por esses crimes. April O'Neil uma repórter televisiva é atacada quando investigava esta quadrilha e é salva pelas Tartarugas. Depois dos Ninjas do Destruidor capturam o Mestre Splinter, as quatro Tartarugas juntam-se a April e a Casey Jones para salvá -lo e derrotar o perigoso gang.
"The Teenage Mutant Ninja Turtles" foram um fenómeno entre os adolescentes em meados dos anos 80, depois de um humilde inicio nos quadradinhos, expandiram-se com uma linha de figuras de acção que chegaram ao mercado em 1987, coincidindo com uma popular série de desenhos animados que saíu no mesmo ano. Uma explosão maciça de merchandising seguiu-se, incluindo cereais, roupa, jogos de vídeo, e uma disposição infinita de artigos. O filme chegou em 1990, embora estranhamente, apesar do apetite voraz do público, teria de ser uma pequena companhia (New Line), para trazer a história para a grande tela, com um orçamento modesto de 13 milhões de dólares. Viria a render 10 vezes mais só nos Estados Unidos, fora a rentabilidade que conseguia no mercado de vídeo, que estava em altas nesta altura.
A realização era de Steve Barron, um homem mais virado para os videoclipes. O filme teve três sequelas.

História Interminável (Die unendliche Geschichte) 1984
Quando o jovem Bastian "pediu emprestado" um misterioso livro jamais sonhou que ao virar uma página seria levado a um mundo de fantasia onde pudesse ver um caracol de corrida, um morcego planador, um dragão da sorte, elfos, uma Imperatriz Menina, o valente guerreiro Atreyu e uma pedra ambulante chamada Come-Pedra. Vai parar ao estranho mundo de Fantasia, que precisa desesperadamente de um herói para o salvar.
Não é lá muito bom saber que o autor do livro (Michael Ende) quis o seu nome retirado dos créditos finais do filme. "História Interminável" é um filme muito adorado por aqueles que o vêm através dos olhos indiscriminados de uma criança, ou por todos aqueles que se sentem nostálgicos por tudo aquilo que viram na infância. De resto é um filme muito imaginativo, com bons efeitos especiais, e uma espécie de filme de culto para aqueles que viveram os anos 80.
Sendo ele uma co-produção entre a Alemanha e os Estados Unidos, foi realizado por Wolfgang Peterson, realizador alemão que vinha de um dos filmes daquele país mais marcantes dos últimos anos, "Das Boot", e que iniciava aqui uma carreira de sucesso em Hollywood.

O Voo do Navegante (Flight of the Navigator) 1986
Numa noite da Flórida, David (Joey Cramer) desaparece e só regressa oito anos depois. Sem ter envelhecido, David aparenta ter a mesma idade de quando foi raptado por extraterrestres e feito uma grande viagem intergaláctica numa nave espacial. Agora o jovem precisa da ajuda dos seus amigos do outro planeta para voltar ao tempo correcto antes que seja tarde demais...
"Flight of the Navigator" é um filme da Disney, realizado em meados dos anos oitenta que tem os seus momentos, mas que sofre de um argumento extremamente simplista, faltando argumentos para sustentar uma longa metragem. A produção é muito barata, com grande parte do seu orçamento a ser desviado para a nave espacial e para os efeitos especiais, mas tem um grande apelo aos jovens, ou não fosse uma produção da Disney.
A realização estava a cargo de Randal Kleiser, realizador que já tinha a seu cargo dois grandes êxitos dos últimos anos: "Grease" e "A Lagoa Azul". O jovem protagonista era Joey Cramer, e elenco de secundários continha nomes como Paul Reubens (voz de Max), Cliff de Young, Veronica Cartwright (de "Alien") e Sarah Jessica Parker.
Imdb 

Viagem Clandestina (The Journey of  Natty Gann) 1985
Natty Gann é uma jovem que, em fuga, decide atravessar a América para ir ao encontro do pai. Os tempos, difíceis, são os da Depressão, nos anos trinta, quando a luta pela sobrevivência separava famílias. A travessia da jovem Natty é minorada pela sua vontade indómita, e pela companhia de um lobo.
"The Journey of Natty Gann" é um dos filmes mais peculiares da Disney com a sua história de uma jovem que viaja pelo país a tentar encontrar o pai. Hoje em dia pode soar bastante típico, principalmente quando temos uma jovem a fazer amigos tanto humanos como animais, mas esta aventura acaba por ser muito pesada para ser apenas um filme para crianças. Temos uma luta de cães, violência, e até um homem que tenta abusar da jovem. E esse talvez seja o problema de "Viagem Clandestina", que acaba por não resultar bem como filme para crianças, para o qual ele foi feito. De resto, todo o filme é muito bem concebido, com grandes exteriores, uma grande energia e um bom ritmo. Também conseguimos algumas boas interpretações, principalmente no papel da protagonista, interpretada por Meredith Salenger, uma jovem de 15 anos que se estreava no cinema. John Cusack e Ray Wise são os co-protagonistas, sendo a realização de Jeremy Kagan.