sábado, 22 de novembro de 2014

Ingmar Bergman - Parte 2

No passado mês de Agosto iniciamos aqui uma série de ciclos dedicados a Ingmar Bergman, nos quais pretendemos visitar toda a sua carreira. Depois dos primeiros cinco filmes, nesta segunda parte vamos pegar na sua carreira de 1949 até 1951.
Aqui, os filmes de Bergman concentram-se em jovens amantes, geralmente das classes trabalhadoras. A maioria das vezes a acção passa-se nas cidades e nos seus subúrbios, com claras influências do neo-realismo, principalmente Roberto Rossellini. A recordação é um importante recurso estilístico nesta fase.
Vamos acabar este ciclo com "Sommarlek", o filme que revelaria internacionalmente Bergman, e que seria a sua primeira participação num festival internacional de cinema (neste caso, Veneza). Neste filme, através de flashbacks, ele vai abordar uma série de temas que seriam recorrentes na sua obra, como a perda da identidade artística, o fim do amor, e da lenta decadência da vida, que passam a partir daqui a ser exploradas com uma nova confiança.



Sendo assim, o alinhamento para esta semana vai ser o seguinte:

Domingo: Prisão (1949)

Segunda: A Sede (1949)

Terça: Rumo à Felicidade (1950)

Quarta: This Can't Happen Here (1950)

Quinta: Um Verão de Amor (1951)

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Pousada das Chagas (Pousada das Chagas) 1972

"Pousada das Chagas" foi uma encomenda caída do céu. A Fundação Gulbenkian tinha criado um museu de arte sacra em Óbidos e queria fazer um documentário sobre ele. Estávamos em 1970, e depois de " Mudar de Vida", em 1966, eu tinha deixado de acreditar no cinema clássico. A tarefa era urgente e não havia tempo para pensar. Enchi os bolsos com bocados de papel - citações de Rimbaud, Légende Dorée, Camões, Lao-Tse - e fui para Óbidos filmar conjuntamente com Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo, pessoas de talento quase insolente. O que emergiu foi um "drama sacro" modernista, uma colagem de vozes, textos, objectos, espaços, pulsações. Corpos que ardem, que sofrem, que irradiam energia. (Paulo Rocha).
 "Pousada das Chagas" é uma encomenda mecenática da Gulbenkian, antecedendo os subsídios ao Centro Português de Cinema que relançariam o cinema português no inicio dos anos 70. Ante-estreou em 25 de Fevereiro de 1972 na Fundação Calouste Gulbenkian, em complemento ao filme " O Passado e o Presente", de Manoel de Oliveira, também em ante-estreia e, também, subsidiado pela Fundação e produzido pelo Centro de Cinema Português. Nessa noite, no Grande Auditório, com os seus 1500 lugares esgotados, teve lugar uma sessão solene com a presença do Presidente da República, Américo Thomaz, e de quase todo o governo. "Uma representação entre o documentário e a ficção sobre o Museu de Òbidos. O processo de colagem (actor-décor, textos literários-arte sacra) e a precisão gestual evidenciam a influência de outras culturas na obra de Paulo Rocha e anunciam os seus caminhos futuros. O filme é sobretudo um ascético ritual, em busca de uma secreta correspondência das artes".
João Bénard da Costa, "Cinema Novo Português: Revolta ou Revolução?", in Cinema Novo Português 1960/1974, ed. Cinemateca Portuguesa, 1985 

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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Tony (Tony) 2009



Uma semana na vida de um serial killer solitário, com graves problemas de socialização, e um bigode totalmente fora de moda, "Tony" é uma viagem ao lado mais escuro do mundo dos serial killers. Peter Ferdinando interpreta o homónimo anti-herói, um perdedor nervoso e mal compreendido, desempregado e em estado de dependente do subsidio há 20 anos, mas propenso a actos de extrema violência contra qualquer pessoa que o incomode.
Quando dizemos que um filme vai "dividir" as audiências, normalmente quer dizer que metade vai gostar, e a outra metade não. Isso não acontece com "Tony", que pode ser visto como uma versão de "Henry: Portrait of a Serial Killer" filmada por Mike Leigh. Se um filme tão divisior pode ser visto como fiel à sua própria visão, merecendo elogios por essa mesma divisão, então esse filme tem de ser "Tony".
Com apenas 70 minutos, "Tony" não tem muito para mostrar, para além da vida do protagonista. É um homem estranho, com cabelo em forma de tijela e um olhar à Roddy McDowell. O seu pequeno apartamento é o mais deprimente que se possa imaginar. Duas cadeiras, um sofá, e uma pequena televisão onde ele vê filmes de acção. Tony passa os dias a vaguear pelas ruas com o seu casaco preto, ou a observar holligans no pub. E já lá vão 20 anos a viver à custa do estado. "How'd you like a job scrubbing toilets? Meeting people?", pergunta-lhe o oficial de emprego. É difícil compreender até onde vai o limite de Tony, mas ele ocasionalmente mata as pessoas com um martelo, e desmembra-as na banheira.
Tony vai passando de situação para situação. As suas atitudes violentas não são explicadas, não há passado ou insinuações de uma infância infeliz, ele é simplesmente insano o suficiente para se convencer que é uma pessoa diferente, e tudo funciona perfeitamente. Durante todo o filme uma bela melodia de piano toca durante as cenas de exteriores, com Tony a vaguear pelas ruas a observar a sujidade que o rodeia. Estas sequências parecem-se como um pesadelo adaptado para a tela por Gerard Johnson, assim como as cenas em que Tony meticulosamente separa os membros dos torsos, para envia-los no interior de sacos de plástico azuis, para o rio Tamisa. Mas para uma viagem tão brutal e desagradável ao mundo do "voyeurismo" e da perversidade, "Tony" também tem um sentido de humor e um coração a bater, que o ajudam a levantar-se mais alto do que outros filmes recentes do género.
Por Portugal passou apenas no Motelx de 2010.

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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Memórias de um Assassino (Salinui Chueok) 2003



Coreia do Sul em 1986, sob o jugo da ditadura militar: dois polícias rurais e um detective especial da capital investigam uma série de assassínios e violações brutais. Os seus métodos crus tornam-se mais desesperados à medida que os corpos vão sendo encontrados.
Em 1986 a Republica da Coreia viu-se a braços com o seu primeiro serial killer conhecido. Durante a narração da abertura ficamos a saber que o país estava a viver uma ditadura militar, e nas próximas duas horas é nos dado uma lição de como um governo forte e autoritário pode não conseguir deter um único criminoso. Revelar a natureza do governo do país é uma escolha estranha para principal informação a ser dada ao público, quando à maioria dos Coreanos não era preciso ser dito. Para as gerações que não se lembravam pode ser considerado um lembrete, mas também serve para focar a atenção do espectador sobre como isso afetará os elementos processuais deste filme. A principal lei do governo era o autoritarismo e a intimidação, e ao mesmo tempo gerar um clima de medo para persuadir eventuais criminosos a cometerem um crime.
O argumentista/realizador Bong Joon-ho é muito forte em ambos lados da história - a investigação policial tem bastante suspense, apesar do resultado da investigação já ser do conhecimento do público, enquanto as histórias das personagens são muito bem desenhadas, com convincentes alterações da confiança ao desespero. Não é à toa que o filme foi um sucesso na sua terra Natal (um dos maiores êxitos do ano), levando o público a pedir que o filme fosse novamente lançado nas salas. Como drama policial é uma notável peça de trabalho, contando uma boa história e construindo personagens interessantes, criando um sentido de tempo e lugar.
São notáveis as influências de outros filmes americanos de serial killers, como "Seven" ou "O Silêncio dos Inocentes", embora o filme tenha uma identidade muito própria. Correu o mundo, sendo exibido em festivais como Cannes, San Sebastian, Londres e Tóquio,tendo conseguido alguns prémios de relevo. Nunca estreou nos cinemas em Portugal.

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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O Elemento do Crime (Forbrydelsens Element) 1984



O inspector Fisher chega ao Cairo depois de ter conduzido um inquérito sobre um homicídio no continente europeu mas não se recorda do que aconteceu e procura ajuda de uma terapeuta. Sob hipnose, viaja através da memória e da sua dor... pela Europa. E é arrastado para um caso de homicídios invulgares.
Primeira longa metragem de Lars Von Trier, é um thriller de terror futurista, passado num futuro pós-apocalíptico indeterminado, do norte da Europa (apesar de ser falado em inglês). Nascido em Copenhaga, Dinamarca, 1956, Lars Trier era uma criança actor, filho de pais comunistas, antes de entrar em escolas de cinema e workshops, onde aprendeu o ofício de realizador, e acrescentou "Von" ao seu nome. Na Escandinávia, a indústria estava em declínio, e Von Trier iniciava uma trilogia sobre a desintegração da Europa, numa era pós moderna. Começou com este filme intitulado Forbrydelsens Element (The Element of Crime).
Enquanto "Forbrydelsens Element" não tem o tom imperfeito dos seus filmes posteriores, tem uma excelente fotografia noir, com elegantes tons que fazem a sua visão ser sombria, e pós-moderna. A sua única falha, além da sua falta de originalidade comparada com os film noirs anteriores, é que o filme move-se um pouco lentamente, devido ao seu diálogo estilizado. Ainda assim, consegue criar um novo ambiente para os films noir, muito mais europeu, com excelentes movimentos de câmara lenta, e câmara ao ombro.
O argumento é muito estranho, a partir de uma perspectiva europeia pós-moderna, onde tudo começa a desmoronar. Mesmo os twists do filme e as surpresas tornam-se mais chocantes, por causa do comportamento dos seus personagens. Embora o argumento seja da autoria do realizador e dos seus colaboradores, que incluem Mogens Rukov (especialista do movimento Dogma 95), é a realização de von Trier que de facto nos fascina. Especialmente na forma como ele vê as coisas, que incluem violência, moral, rituais, e sexo, onde há uma cena de sexo oral que não chegamos a ver na totalidade.

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terça-feira, 11 de novembro de 2014

A Caça (Cruising) 1980



Steve Burns é um jovem detective que acaba de receber ordens do Capitão Edelson para resolver o caso de uma série de assassinatos brutais que estão a aterrorizar a comunidade gay de Nova Iorque. Com o seu aspecto, moreno de olhos e cabelos escuros, Steve encaixa no perfil das vítimas, mas terá de aprender e praticar as complexas regras desta subcultura para conseguir atrair o assassino...
Já passaram mais de 30 anos desde que este filme fracassou nas salas de cinema, quando estreou, mas desde então a crítica ao filme deu uma reviravolta de 180 graus. Em 1980 a imprensa homossexual criticou o filme violentamente por apresentar um retrato negativo da vida gay. No entanto, nos anos mais recentes, o filme tem sido visto como uma visão pro-gay, tendo sido injustamente criticado e estigmatizado na data da sua estreia, apesar das boas intenções estarem presentes. Porque nada mudou sobre o filme nos últimos 30 anos este foi reavaliado, por causa das mudanças culturais no seu país.
Hoje, os principais pontos de vista culturais são totalmente diferentes da década de oitenta, quando Ronald Reagan entrava pela primeira vez na Casa Branca e a sida ainda era uma doença desconhecida por esse mundo fora. Alguns dizem que eram tempos melhores, outros dizem que era uma época repressiva, conservadora, que suprimia os grupos minoritários e reprimia a expressão humana.
Como filme "Cruising" é notável, mergulhando no homo eroticismo que quase nunca é visto nos filmes de hoje. William Friedkin gozava do sucesso de "The French Connection" e "O Exorcista", e tinha uma estrela maior no elenco, Al Pacino. Mesmo assim, a sexualidade não filtrada transpira por todos os poros, recusando-se a refinar ou coíbir os detalhes da vida gay dos anos 70. Foi chocante na altura, e é chocante agora, não no sentido ultrajante, mas pela sua franqueza documentarista.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Noivos Sangrentos (Badlands) 1973



Estados Unidos, 1959. Kit é um criminoso em fuga, procurado pelas mortes de várias pessoas. Acompanhado pela sua nova namorada Holly, que presenciou os crimes, perde-se num mundo de fantasia em que a violência e o crime são as únicas constantes. Os dois habitam um universo só seu, mas o rasto de balas e sangue que vão deixando enquanto fogem da lei, pelas paisagens desoladas do Dakota e Montana, é muito real.
A estreia de Terence Malick como realizador foi um sucesso estrondoso, tendo criado um conto popular seminal e inovador sobre jovens sem rumo. Passado no final da década de cinquenta, numa pequena cidade da Dakota do Sul, este road movie inovador tornou-se num clássico filme de culto, misturando assassinatos, banalidades, cultura pop, amor e romance, alienação, tudo misturado apanhando a vaga de rebeldia deixada por James Dean. É uma leve dramatização da matança levada a cabo por Starkweather e Fugate no final dos anos 50. Kit Carruthers (Martin Sheen) é um jovem colector de lixo com uma semelhança extraordinária com James Dean, que se vai apaixonar por uma jovem de 15 anos chamada Holly Sargis (Sissy Spacek).
Terrence Malick não romantiza ou julga os fugitivos, apenas conta a sua história tal como ela é, apenas deixa o espectador juntar os pedaços da história em falta. Isto funciona tão bem que poderia ser creditado ás fantásticas prestações de Sheen e Spacek. A beleza do filme é que revela apenas uma história simples que se esconde por detrás de um complexo conjunto de motivações das personagens. Embora essas motivações não estejam explícitas na história, deixam o espectador a pensar sobre a razão para toda aquela violência. Os dois desajustados encontram alegria em tornar celebridades nacionais e parecem muito distantes da realidade, e na sua simplicidade e falta de motivação parecem simpáticos, apesar da violência dos seus actos. O que tem significado para Kit é que o seu novo estatuto na sociedade eleva-o a uma espécie de herói popular, alguém que nunca pensou sobre a vida e a morte. Kit é um produto dos tempos materialistas, onde a televisão e os filmes coloram as suas acções. Estas, embora nunca sejam explicadas, dizem muito mais de que se tivesse sido tentado explicado. Malick apanhou algo sobre os subúrbios da América e a sua juventude desajustada, que é perturbador mas muito real.

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domingo, 9 de novembro de 2014

Serial Killers

O termo serial killer começou a ser usado na década de 70, por um agente do FBI chamado Robert K. Ressler. Até então usava-se Stranger Killer (assassino de desconhecidos) porque se pensava que os assassinos não conheciam as suas vítimas, e que estas eram escolhidas ao acaso. Mas depois de estudados alguns destes criminosos chegou-se à conclusão de que alguns tinham contacto com algumas das vítimas.
Muitos foram os filmes que se debruçaram sobre este assunto, até mesmo antes do tema ter sido inventado. Alguns desses filmes tentaram responder à pergunta sobre o que é um serial killer, e o que o leva a matar, mas esta é uma questão que nem os melhores psiquiatras conseguem responder, e por isso o assunto está em constante desenvolvimento.
O primeiro grande filme a debruçar-se sobre o assunto foi "M" (1931), de Fritz Lang, com Peter Lorre como assassino de crianças, mas o verdadeiro "boom" deu-se nos anos 60, depois da explosão de filmes como "Psycho", ou "Peeping Tom". Desde então o assunto tem sido explorado no cinema de várias formas, desde estudos psicológicos das personalidades, biografias de serial killers verdadeiros, ou simplesmente caças aos assassinos. Talvez o caso mais famoso no cinema tenha sido a adaptação do romance de Thomas Harris, realizada por Jonathan Demme, e interpretada por Anthony Hopkins no papel de um serial killer, que lhe valeu um Óscar.
Quem se lembra do blog anterior, o My One Thousand Movies, deve estar bem familiarizado com o tema, porque alguns dos filmes relativos a este assunto tornaram-se clássicos dos "Thousand Movies". Refiro-me a filmes como "Henry - Portrait of a Serial Killer", "Angst", ou "Man Bites Dog".
Para este ciclo, vamos esquecer um pouco os grandes clássicos do assunto, e ver cinco diferentes abordagens sobre o tema, quer do ponto vista psicológico, quer da simples caça ao assassino. Alguns destes filmes partilhados pela primeira vez, por mim.

Segunda: Badlands (1979), de Terrence Malick 

Terça: Cruising (1980), de William Friedkin

Quarta: The Element of Crime (1984), de Lars Von Trier

Quinta: Memories of Murder (2003), de Joon-ho Bong

Sexta: Tony (2009), de Gerard Johnson


sábado, 8 de novembro de 2014

Mentes Perigosas (Dangerous Minds) 1995



Concretizando o seu sonho de leccionar, LouAnne Johnson (Pfeiffer) é colocada como professora de um grupo de rebeldes adolescentes que aceitam o insucesso como forma de vida. Determinada em ganhar-lhes a confiança e a fazer a diferença nas suas vidas, LouAnne não olha a meios para atingir fins aprendendo, no limite, algumas duras lições.
"Dangerous Minds" é baseado numa história verdadeira, do livro "My Posse Don't Do Homework", escrito por Louanne Johnson, e produzido por dois especialistas em blockbusters, Don Smith e Jerry Bruckheimer.
Uma das maiores ironias de algumas sociedades desenvolvidas é como as pessoas podem desperdiçar as oportunidades educativas que lhe são dadas. Escolas públicas, especialmente o ensino médio, tornam-se mais um clube social, e menos uma instituição de aprendizagem. Infelizmente as piores escolas do ensino médio estão infestadas de gangsters juvenis. "Dangerous Minds" centra-se numa professora que vai ter de lidar com esta juventude degenerada, a quem ela apelida de "rejeitados do inferno".
O filme ficou também famoso pela canção "Gangsta's Paradise," de Coolio, que não era uma glorificação da vida de criminoso, mas sim uma critica sobre estar preso tanto tempo a esta vida, que nem uma educação posso mudar isso. Tanto o filme como esta música tornaram-se grande êxito neste ano.
Não é dos melhores filmes de Michelle Pfeiffer, nem de perto, mas uma obra que cai como uma luva nesta actriz, e do qual ela consegue retirar um dos seus melhores desempenhos.

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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Os Fabulosos Irmãos Baker (The Fabulous Baker Boys) 1989



Frank e Jack Baker são irmãos e excelentes pianistas. Tocam juntos à 15 anos, exibindo-se nos melhores hotéis da América e, segundo eles... do mundo. Mas, embora reconhecendo o seu virtuosismo, o público começa a fartar-se de ouvir sempre as mesmas coisas. Frank e Jack decidem pôr uma nota de frescura no ser repertório, contratando uma jovem vocalista entre 37 candidatas, Susie Diamond. O trio goza de uma notável ascensão, mas com êxito nascem os primeiros problemas...
No seu conteúdo, "The Fabulous Baker Boys" é uma história simples, não muito diferente de outras que vimos nos filmes sobre artistas que tentam ganhar um lugar ao sol. Escrito e realizado por Steve Kloves (argumentista de "Wonder Boys" e dos filme de Harry Potter), tem aparência de um filme da "Primeira Divisão", com entretimento do início ao fim. Muito disto deve-se à química perfeita dos irmãos Bridges, que aprenderam os movimentos de mãos a tocar piano, apenas para o filme, com a parte das canções a ser entregue a Michelle Pfeiffer, que faz realmente todas as partes vocais do filme. Os três elevam este simples a uma obra muito interessante, das mais marcantes do seu período.
Completando a qualidade do filme, temos a música do compositor Dave Grusin (The Firm, Three Days of the Condor) e excelente fotografia de Michael Ballhous (Goodfellas, Gangs of New York). Trabalhando em conjunto eles fazem magia, fazendo Los Angeles parecer a cidade ideal para tocar Jazz à noite.
É neste filme que encontramos Michelle Pfeiffer numa sequência já clássica, com um vestido vermelho, sentada em cima de um piano a cantar "Makin' Whoopee". Esta seria uma das interpretações mais conseguidas de Pfeiffer, para a qual conseguia mais uma nomeação ao Óscar. Infelizmente este seria o ano de "Driving Miss Daisy", e Jessica Tandy levaria o prémio para casa.

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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Ligações Perigosas (Dangerous Liaisons) 1988



Uma rica e pérfida viúva (Glenn Close) desafia um célebre libertino (John Malkovich) a seduzir uma jovem e bela mulher recém-casada (Michelle Pfeiffer). Mas, desta vez, uma regra essencial é violada: os dois jogadores vão apaixonar-se...
Tal como acontece com uma regularidade surpreendente na indústria de Hollywood, na altura em que "Ligações Perigosas" entrou em produção, não era a única adaptação do romance de Choderlos de Laclos, do século 18. O filme rival era "Valmont", que estava a ser preparado por Milos Forman, e que apesar de reconhecer que iria perder a guerra da bilheteira com o filme de Stephen Frears, estava preparado para pressionar. "Ligações Perigosas" estreou quase um ano na frente de "Valmont", e conseguiu muito maior sucesso, tanto criativa como financeiramente. A versão de Frears conseguiu arrecadar sete nomeações aos Óscares, inclusivé algumas das principais, como Melhor Filme, Actriz (Glenn Close) e Actriz Secundária (Michelle Pfeiffer), mas acabaria por conquistar apenas três, principalmente nas categorias técnicas. O filme de Forman seria recebido com algumas críticas medíocres.
Talvez a história de "Ligações Perigosas", uma novela cínica sobre personagens desagradáveis que fazem coisas impensadas, tenham feito melhor eco no final dos anos oitenta e noventa. Na realidade, nada menos do que quatro versões desta história chegaram ao cinema no espaço de 11 anos. Além dos filmes mencionados tínhamos "Company of Men" (que empregava as mesmas idéias) e "Cruel Intentions". Talvez as pessoas encontrassem algo de atraente na noção de que qualquer pessoa, incluindo o mais dissoluto e emocionalmente distante dos humanos, poderia ser desfeito pelo amor. Ou talvez haja algo de agradável na observação de indivíduos maus que vivem numa sociedade podre, serem punidos. Em ligações perigosas tudo começa como um jogo, ou um desporto, mas não termina assim.
"Ligações Perigosas" tem o aspecto de um filme de época muito bem preparado, figurinos impecáveis e um design de produção do mais perfeito. Sendo o livro europeu, Frears (ele próprio um realizador inglês) optou por escolher um elenco totalmente americano, apesar do filme ter sido maioritariamente rodado em França. Mas os actores acabaram por ter sido muito bem escolhidos, e o trio principal (Malkovich, Glenn Close e Pfeiffer), têm uma brilhante interpretação, assim como os secundários, onde se incluem Keanu Reaves e Uma Thurman, ambos em vias de se tornarem estrelas.
O filme também representaria uma mudança na carreira de Frears, que até então apenas fazia pequenos filmes de arte, como "My Beautiful Laundrette", e passaria a estar ligado a filmes muito mais mainstream, começando por "The Grifters", no ano seguinte. O argumento, da autoria de Christopher Hampton, ganharia um Óscar.

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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Viúva...Mas Não Muito (Married to the Mob) 1988



Angela deMarco (Michelle Pfeiffer) é infeliz no seu casamento com um alto membro da Máfia, Frank DeMarco. Quando Frank é assassinado, Angela aproveita para se libertar deste mundo, e começar uma vida totalmente nova. Mas o patão de Frank, Tony Russo (Dean Stockwell), começa a cortejar Angela, ao que ela não responde. O FBI começa a vigiá-la, pensando que ela é a nova amante de Russo, e o agente Mike Downey (Matthew Modine) vai instalar-se como seu vizinho, mas acaba por se apaixonar por ela...
1988 foi um grande ano para Pfeiffer, permitindo que ela mostrasse o seu valor em géneros bastante distintos. Aqui ela prova os seus dotes no território da comédia, no papel de uma ex-mulher que um homem da Máfia que se quer redimir, e deixar de levar a boa vida que tinha anteriormente.
Essencialmente é uma farsa realizada por Jonathan Demme, dirigida a uma ritmo alucinante, como se fosse uma história aos quadradinhos. Aqui ele é ajudado pelo director de fotografia Tak Fujimoto e pela designer de produção Kristi Zea, que faz milagres para desenvolver um olhar estilizado. Os interiores dos vários restaurantes e hotéis são demasiado extravagantes para parecerem reais, mas não é por isso que eles deixam de ser convincentes.A visão que temos dos anos oitenta como uma década em que gastou pouco dinheiro com cenários que se tornaram maravilhosos, parece ter sido aproveitada por Zea, nesta comédia onde os cenários são um dos pontos mais fortes do filme. É também importante referir o guarda-roupa e os penteados das esposas dos chefes da Máfia, em especial Connie (Mercedes Ruehl), cujo cabelo ameaça declarar independência da sua cabeça a qualquer momento.
Provavelmente é uma das melhores comédias sobre o mundo da Máfia, e isso deve muito ao excelente elenco. Stockwell foi nomeado para o Óscar de secundário, e o elenco conta ainda com Alec Baldwin, Joan Cusack, Oliver Platt, mas o filme é todo de Pfeiffer, cuja carreira entrava na sua melhor fase.

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