sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Ragnar Bragason e os filmes gémeos

Ragnar Bragason é um dos realizadores mais populares e aclamados da recente geração de realizadores islandeses.
Nascido em Reykjavik mas criado na pequena vila piscatória de Súðavik, a sua primeira experiência no mundo do cinema foi a ver filmes numa pequena sala aos sábados de manhã. Depois de dirigir um grande número de videos musicais para bandas nacionais e internacionais, fez a sua primeira longa-metragem chamada Fíaskó (Fiasco). Na sua obra Ragnar usou métodos de trabalho similares aos usados por John Cassavetes e Mike Leigh, trabalhando com actores para estes criarem personagens com argumentos improvisados.
Em 2006 e 2007 Bragason realizou uma dupla de filmes que são considerados gémeos, duas obras que exploravam os papéis dos pais e dos filhos numa  Reykjavik contemporânea. Passados nos subúrbios da capital, e filmados a preto e branco, os dois filmes tinham um realismo muito poderoso como pano de fundo.  Enquanto o primeiro se debruçava mais sobre as personagens mais humildes de Reykjavik, o segundo centrava-se na classe média. Feitos com um orçamento muito pequeno, os dois filmes devem ser vistos em conjunto, daí este post duplo. Ambos os filmes são legendados em inglês.

Children (Börn) 2006
"Children" nasceu do desejo de Ragnar Bragason fazer um filme com o mais famoso grupo de teatro da Islândia, o grupo de Vesturport, totalmente baseado na improvisação, tal como antes já o tinha feito John Cassavetes. Uma mãe solteira luta para dar educação aos seus quatro filhos. Trava uma batalha perdida com o seu ex-marido pela custódia de 3 filhas, mas não se apercebe ao que está a acontecer ao seu filho de 12 anos, Gudmund, vitima de um bullying brutal na escola, caminhando a passos largos para a destruição. O seu único amigo é um esquizofrénico de  40 anos. 

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Parents (Foreldrar) 2007
As vidas de três personagens desesperadas cruzam-se nesta pequena obra inspirada pelos métodos da improvisação. Mais uma vez em conjunto com os actores do grupo de teatro de Vesturport, Bragason baseou os seus personagens em pessoas reais. O filme é acerca de vários pais, e a questão sobre quem são os pai e quem são os filhos, relações e família. As famílias serão os parentes de sangue, ou será que isso interessa?  "Parents" é uma sequela independente de "Children".

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Noi, O Albino (Nói Albinói) 2003



Noi será o idiota da aldeia ou um génio disfarçado? Com apenas 17 anos de idade ele deriva pela vida num fiorde longínquo. No inverno o fiorde fica isolado do mundo exterior, cercado por montanhas ameaçadoras e enterrado sob um manto de neve. Noi sonha escapar desta prisão gelada com Iris, uma rapariga da cidade que trabalha no local. Mas as suas tentativas desastradas de fuga saem fora de controle, e terminam num completo falhanço. Apenas um desastre natural vai partir o universo de Noi, e abrir-lhe uma janela para um mundo melhor.
Dagur Kári  é um jovem realizador islandês (tinha apenas 30 anos nesta altura), para quem fazer filmes era apenas uma forma de expressão artística. No seu filme de estreia, leva-nos até ás paisagens cobertas de neve do extremo Noroeste da Islândia, até uma pequena comunidade onde a vida é muito lenta para todos os seus habitantes, incluindo um jovem albino de 17 anos.
Como filme, "Nói Albinói" é bastante inconsequente, uma série de eventos e anedotas passadas à volta de uma personagem bastante invulgar, mas é suficientemente estranho para se tornar num filme invulgar, e bastante interessante. O personagem principal e a localização são demasiado estranhos e desligados da realidade para que o espectador comum não se sinta ligado a eles.Mas enquanto o filme nunca liga os seus eventos particulares a uma narrativa convencional, ou a um estudo de personagem, captura um estado de espírito muito especial com um maravilhoso trabalho de câmara e uma banda sonora assombrosa, que se acumulam numa experiência invulgar. A maioria dos actores são amadores, ou trabalham em part-time, o que dá ao filme um certo charme extravagante, comparado aos filmes de Aki Kaurismäki, populados por personagens excêntricas numa comunidade onde o tempo e as experiências se movem a um ritmo e a um nível de realidade diferentes.
Passou em inúmeros festivais pelo mundo fora, tendo inclusive ganho os prémios de Melhor Actor e Melhor Realizador nos European Film Awards.

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Duas Curtas Islandesas

On Top Down Under ( On Top Down Under) 2002
Um conto erótico com uma diferença. Passado nos terrenos baldios da Islândia, e no interior da Austrália.  Um homem e uma mulher...duas pessoas separadas por milhares de quilómetros, que nunca saberão da existência do outro. Ambos procuram respostas para a sua solitária existência. O contraste das paisagens, a neve do norte da Europa e a terra vermelha empoeirada da Austrália fazem um contraste muito interessante.
Não tem o objectivo de ser um filme feliz, mas tem uma enorme beleza em cada sequência.
Sem diálogos ou comentários, salvo por versos de um soneto de John Keats, "On Top Down Under" liga os pensamentos, as emoções, o desejo sensual de jovens amantes em lados opostos do mundo. Realizado pelo nosso já conhecido Friðrik Þór Friðriksson.

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The Last Farm (Síðasti Bærinn) 2004
Curta metragem realizada por Rúnar Rúnarsson, conta-nos a história de um velho agricultor que terá de lidar com a perda da mulher. Um filme muito, muito escuro, não apenas em relação à luz, mas também em relação à iluminação. Deita um olhar sobre o que vale a nossa vida, e outro ao amor que este camponês sente pela esposa. Com muito pouco diálogo, mesmo que não queiramos ler as legendas conseguimos perceber a mensagem. Foi a segunda nomeação ao Óscar de um filme islandês (aqui, melhor curta metragem), e um início de carreira auspicioso para Rúnar Rúnarsson, de quem ainda iremos ver outro filme neste ciclo.

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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Falcons (Fálkar) 2002



Simon, um homem com um passado misterioso regressa à Islândia com a intenção de acabar a sua vida. Antes de conseguir completar a tarefa conhece uma jovem mulher chamada Dúa, que ele acredita que pode ser a sua filha. Quando ela arranja problemas com a polícia, Simon esquece o seu desejo de morrer, e decide ajudá-la. Juntos fogem para a cidade de Hamburgo, e levam com eles aquela que é a melhor exportação dos Vikings, o falcão islandês, que pretendem contrabandear...
Para quem viu "Kes", de Ken Loach, o simbolismo da ave de rapina capturada é imediatamente significativo - a representação de um espírito livre que pretende elevar-se acima da pobreza das suas circunstâncias - mas enquanto este simbolismo pode não ser original, é bem sucedido na caracterização de Dúa. Caso não a consigam identificar com a ave, Simon refere-se a Dúa como uma "ave estranha".
"Falcons" é um "road movie" minimalista desenhado num tom sedutor, mesmo quando o sentimos estranho e artificial.  Fridriksson trabalha no já reconhecido estilo islandês - luzes e cores fortes, personagens idiossincráticos, e sequências tanto com longos silêncios como diálogos desconexos.
Contracenando lado a lado estão Keith Carradine e Margrét Vilhjálmsdóttir, que já a tínhamos visto como protagonista de "O Riso da Gaivota". Estes dois personagens encontram conforto na presença um do outro. Estão ambos ligados e descobrindo verdades sobre eles próprios que ignoraram nos seus passados. Fridriksson permite que eles se desenvolvam organicamente na tela. É uma odisseia envolvente, que nos surpreende continuamente, é tão original que nunca sabemos para onde vai a seguir.  
Legendas em inglês, nas partes faladas em islandês.

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O Mar (Hafið) 2002



Um velho patriarca, desafiando a modernização, recusa-se a vender um negócio de pesca que ele próprio fundou, e como resultado causa enormes conflitos no seio da sua família. Sendo um homem rico, junta os seus herdeiros para discutir o futuro do negócio da família. Mas ao fazer isto, desencadeia uma tempestade de abuso sexual reprimido, suspeitas persistentes, rivalidades entre irmãos, e paixões incestuosas. Vai ser uma dura batalha entre o passado e o futuro, que culmina numa noite explosiva de raiva.
Shakespeare viaja até à Islândia para visitar uma particular família odiosa. "The Sea" é muito mais uma comédia de humor negro do que uma tragédia, este segundo filme de Baltasar Kormakur (depois de "101 Reykjavík"), deita um olhar em como um homem de família consegue dividir a sua família, mesmo que cheio de boas intenções, ao querer dividir o seu império.
O implacável frio islandês estabelece o cenário para um família que está unida por laços de sangue, mas não por amor. À medida que vamos conhecendo os personagens vamo-nos deparando com grandes doses de raiva, incesto, ciúmes, e uma batalha pela modernização de um negócio de família.
A história desta família está longe de ser amável. O pai está agora casado com a irmã da sua falecida esposa. Uma história de abuso e humilhação emerge rapidamente neste clima cinzento. A desolação na aldeia é paralela ao desespero que impera no seio da família, e que explode numa raiva (literalmente) ardente.
A paisagem exótica de gelo, neve e montanhas contrasta com a vulgaridade dos personagens. O talento de Kormakur reside em criar um ambiente opressivo, sem passar por cima destes personagens. Há momentos de humor suficientes para manter o ritmo do filme, ao mesmo tempo que pulamos para aquele canto esquecido do mundo, onde se vai passar a acção.

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domingo, 25 de janeiro de 2015

O Riso da Gaivota (Mávahlátur) 2001



Interior Islandês no pós-guerra, por volta de 1950. Freyja que era uma adolescente gordinha, regressa da América, agora uma viúva com uma cintura de 20 polegadas, sete malas de vestidos, e uma lista de quem a tratou mal em adolescente. Ela vai morar com um tio e uma tia socialistas, e encontrar um novo marido não está na sua agenda. A ordem social e Freyja são mais complicadas do que parecem à primeira vista. Divisão de classes, laços de família, orgulho, o início da puberdade, são alguns dos temas que vamos lidar.
"O Riso da Gaivota" é um filme dirigido e escrito por Ágúst Guðmundsson ("The Dance"-1998), baseado num livro escrito por Kristin Marja Baldursdóttir, com o mesmo nome. Dos realizadores que veremos neste ciclo, Guðmundsson é dos poucos que já tinha carreira anterior a 1991, em especial no território da televisão, sendo ele autor da série "Áramótaskaup". O filme começa como uma típica comédia/drama, mas pelo final demonstra o seu lado mais sombrio, com a sua heroína a revelar-se uma mulher fatal, e o filme a deslocar-se para o território do "film noir". O filme pode ser visto com um complexo estudo de uma personagem, neste caso uma mulher amargurada com o passado, a preparar uma conspiração contra os homens que a fizeram sofrer no passado.
A história é nos contada pelos olhos de Agga, uma jovem menina que espia Freyja, e vai contar tudo a quem a quiser ouvir. O seu maior confidente é Magnus, um policia decente que parece estar atraído por Freyja mas nunca avança para ela. Agga diverte-o quando lhe diz que pensa que Freyja matou o seu marido na América.
Sempre enigmática, mesmo para Agga que segue todos os seus passos, Freyja revela que a sua maior esperança é encontrar um homem rico e casar com ele. Na antiga mitologia nórdica Freyja era a deusa do amor, e as acções desta personagem são reminiscentes da heroína das sagas islandesas.
Legendado em inglês.

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Angels of the Universe (Englar Alheimsins) 2000



Páll é um jovem e sensível artista. Depois de ser abandonado pela namorada, Dagny, desencadeia uma enorme descida para a loucura. Seguimo-lo na inevitável descida para a perdição: primeiro em casa com os pais, até ao momento em que não conseguem mais lidar com ele, e depois numa instituição mental.

"Sendo comummente apelidado como a versão islandesa do célebre One Flew Over the Cuckoo’s Nest, este filme de 2000 surpreendeu-me muito. Em primeiro lugar, o desempenho dos actores é digno de ser relembrado, especialmente no que concerne ao homem que interpreta o papel principal, Ingvar E. Sigurðsson. As suas expressões foram muito bem trabalhadas e construídas, assim como os maneirismos retratados, em tudo típicos de um doente esquizofrénico. O olhar deste actor, perdido no vácuo, bem como a sua expressão violenta e, por vezes, alheia à realidade, esteve sempre muito presente em todas as cenas.
O que mais me fascinou neste filme, para além da história, foi a dinâmica e o impacto espelhado nos diálogos. Inicialmente somos confrontados com uma personagem feliz, apaixonada e capaz de fazer tudo pela pessoa amada. Todas as suas palavras são poesia, os elementos da natureza utilizados como belas metáforas, possibilidades inimagináveis, a vida toda à frente do seu sorriso. Após a separação, e já no contexto da doença mental de Páll, surgem as reflexões mais profundas, acompanhadas sempre pelo cigarro (elemento, a meu ver, demasiado presente em todas as cenas. Poucos foram os momentos em que não se viu esse objecto fumegante suspenso nos dedos dos actores).
Existem pérolas magníficas, que deixam o espectador a pensar e a reflectir. Exemplo disso é o diálogo entre Páll e Óli, travado no corredor do hospital psiquiátrico:
Páll: When I was a boy, the patients went around in uniforms that looked like canvas bags.Óli: They changed that ages ago. The policy now is to make hospitals look as much like ordinary homes as possible.Páll: Why do you think that is?Óli: Because ordinary homes have become so much like hospitals.
Quanto à banda sonora (o motivo, aliás, que me fez ver este filme), é, na minha opinião, bastante boa. Quase etérea, com alguns laivos de uma loucura contida, proporciona a envolvência necessária para que o espectador viva todas as cenas da melhor forma possível. Correndo o risco de ser um pouco parcial neste aspecto, o tema final – “Bíum Bíum Bambaló” - é lindíssimo, sendo da autoria da banda Sigur Rós.
Englar Alheimsins tornou-se num filme especial para mim devido à sua capacidade de me fazer pensar e reflectir em vários assuntos, nomeadamente numa questão que há muito me fascina. Depois de o ver, penso que é inevitável que o espectador se questione acerca da dicotomia entre a realidade e o sonho, a lucidez e a loucura, a doença e a sanidade mental. Até que ponto podemos nós afirmar que a sociedade na qual estamos inseridos é uma sociedade sã, dita normal e cujos padrões devem ser seguidos? Como podemos afirmar que esta sociedade é “normal” quando vemos pessoas a roubar, maltratar e atacar pessoas? Não serão esses indivíduos ditos loucos? Como podemos afirmar que esta sociedade é normal quando assistimos a violência gratuita, ataques terroristas? Afinal de contas, o que separa estes dois conceitos tantas vezes tão próximos, sanidade e insanidade? Será que existe uma barreira que é destruída em algum momento da vida de um homem e que o faz ser um louco, um doente mental?
É pelo olhar atento e algo desiludido de um homem perdido que assistimos a todas estas questões. Porque, afinal de contas, o que é ser louco? O que é ser doido? O que são doentes mentais?
A personagem principal responde: são anjos. Anjos do Universo.
E é nessa resposta que se encontra a beleza deste filme."
Texto tirado daqui 
Legendas em inglês.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O Mundo Musical da Islândia

O dia de hoje, vai ser exclusivamente dedicado à música alternativa que se faz na Islândia. The Sugarcubes, Bjork, Sigur Rós são os primeiros nomes que vêm à memória. Mas há muito mais, como podem ver por estes três documentários.


Backyard (Backyard) 2010
Árni Rúnar decidiu improvisar e criar o seu próprio mini-festival enquanto o resto da cidade de Reykjavik celebra a anual noite da cultura. O alinhamento inclui algumas das mais excitantes bandas islandesas da actualidade: Múm, Hjaltalín, Borkó, Sing Fang Bous, Reykjavik!, Retro Stepson, e os FM Belfast. Árni Sveinsson e a sua câmara capturam a atitude "do it yourself" de Rúnar, a mesma atitude que fez da música underground ser tão bem sucedida. O festival é realizado no quintal de Árni Rúnar, e a única coisa que os pode impedir é a chuva forte. Mas o fim do verão tem muitas nuances, e o sol regressa ao recinto, que se transforma numa festa muito maior do que se esperava.

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Screaming Masterpiece (Gargandi Snilld) 2005
Documentário escrito e realizado por Ari Alexander e Ergis Magnússon sobre a cena musical islandesa, tentando explicar a razão porque este país tem uma serie de talentos tão ricos e habilidosos.
O filme em si mostra perfomances ao vivo e entrevistas a alguns dos maiores nomes musicais islandeses, incluindo Bjork, Sigur Rós, Slowblow, múm, Ghostigital, Quarashi, Singapore Sling, entre muitos outros, com o frio cenário islandês como background.
Segundo Bjork, desde que o país se tornou independente em 1944 que tentam descobrir o significado do que é ser irlandês. Screaming Masterpiece mostra um dos aspectos da cultura irlandesa em debate, a procura pela definição da identidade nacional através da expressão musical.

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Legendas 
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Heima (Heima) 2007
No verão de 2006 os Sigur Rós regressaram a casa para tocar uma série de concertos gratuitos, sem aviso prévio para o povo Islandês. Este filme documenta essa já lendária tour, com reflexões íntimas sobre a banda, e uma mão cheia de novas perfomances acústicas. O filme é realizado pelo canadiano Dean DeBlois, que realizou também filmes de animação como "Lilo & Stich" ou "How to Train Your Dragon". 


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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

101 Reykjavík (101 Reykjavík) 2000



Hlynur (Hilmir Snaer Gudnason) é o slacker para acabar com todos os slackers. 30 anos de idade, ainda a viver com a mãe, desempregado, o nosso anti-herói está prestes a mudar a sua vida com a chegada de uma bela professora de flamenco (Victoria Abril), que se vem a descobrir que é lésbica.
Embora a natureza da vida islandesa desempenhe um papel importante na estreia como realizador de Baltasar Kormakur (vimo-lo como protagonista de "A Ilha do Diabo"), esta é uma história que poderia ocorrer em qualquer país do mundo livre. Os filmes de slackers americanos são as primeiras influências que nós vêm à idéia, e de facto "101 Reykjavik" vai ali buscar muito conteúdo.
Não há romance, apesar de ser um filme sobre as relações entre homem e mulher, e o protagonista não é uma pessoa particularmente simpática. Existem motivações secundárias neste filme, que sugerem outros motivos ainda mais escuros: como numa sequência em que um jovem Hlynur fecha a porta a um pai bêbado, e sobe para cima da cama da mãe, que lhe vira as costas.
"101 Reykjavik" apresenta um retrato realista do que é a vida noutros sitios. Pelo menos duas coisas fazem valer a pena este filme: a cena de abertura, e a banda sonora. Esta tem a espectacular colaboração do ícone da música punk Einar Orn, membro dos The Sugarcubes, onde também pertenceu Bjork, e ainda do músico dos Blur, Damon Albarn. Mas toda a banda sonora vale a pena.
Foi dos filmes islandeses a conseguir mais sucesso, na virada do século. Passou em vários festivais, como Bogota, Buenos Aires, Chicago, Locarno, Tbilissi, entre outros.

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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A Ilha do Diabo (Djöflaeyjan) 1996



"Djoflaeyjan" acontece em Reykjavik, nos anos que sucedem a Segunda Guerra Mundial. O exército de ocupação britânico e americano deixou os seus bunkers para trás, que se tornam a casa de centenas de pessoas da classe mais baixa, que se encontravam sem casa durante este período. O filme conta-nos a história da luta, e da vida durante aqueles tempos, de um grupo de pessoas.
Desde 1996 que Fredrik Thor Fridriksson tinha deixado de ser o segredo mais bem guardado da Islândia. "Cold Fever" tinha já incluído alguns diálogos em inglês, um elenco internacional, que incluía a então raínha do cinema independente Lili Taylor, cenários espectaculares, e uma mistura eficiente de comédia e drama, para mostrar ao mundo que a Islândia, apesar de ser dito que tinha mais ovelhas do que pessoas, também tinha indústria de cinema. "A Ilha do Diabo" era uma viagem no tempo até à terra natal do realizador.
"A Ilha do Diabo" enfatiza um dos recorrentes temas abordados por este realizador: a forte influência da cultura americana na sociedade islandesa. Através de uma viagem ao passado, Fridriksson mostra-nos que as coisas não eram muito diferentes no pós-guerra, quando os americanos tinham abandonado a base militar em Camp Thule.
Ao longo da sua carreira, Fridriksson nunca foi crítico sobre a americanização do seu país, embora se possa ver este "A Ilha do Diabo" como uma reversão na tendência do realizador, porque pode-se ver mais pontos negativos do que positivos. O filme também reflecte as experiências do realizador na juventude, já que ele nasceu em 1953, mesmo na altura em que a acção se passa.
O tom escuro do filme está espalhado por todo o lado, alternando entre a comédia negra e o drama sombrio, e poderia ser aborrecido se Fridriksson não fosse tão habilidoso. O melhor de tudo é que ele consegue manter o filme relativamente imprevisível, e consegue fazê-lo não centrando o filme numa só personagem. Mantém a acção voltada para a família, para o meio ambiente, e as condições nas quais eles vivem. Fica claro que a melhor forma de sobreviver é manterem-se unidos.
Legendado em inglês, é um filme bastante raro.

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Cold Fever (Á Köldum Klaka) 1995



"Cold Fever" conta-nos a história da viagem espiritual de um jovem japonês de negócios natural de Tóquio, Atsushi Hirati, que desiste de umas férias memoráveis no Hawai para prestar tributo aos seus falecidos pais, que faleceram num rio isolado na Islândia, anos atrás. De acordo com os costumes japoneses os seus espíritos devem ser reconfortados e alimentados para que possam viver em paz.
A resistência e a paciência de Hirati são postas à prova numa difícil viagem por toda a ilha, num velho Citroen. Ao longo do caminho ele encontra uma mulher obcecada por funerais, um casal de perigosos americanos, uma menina espírita cujos gritos devastam icebergs. Hirati vai também encontrar um homem que tem o que ele precisa para cumprir as obrigações familiares.
No final não é a meditação sobre o tempo e a morte que nos ficam na mente, mas sim o seu aspecto de "diário de viagem". A neve está em todo lado, e em todas as suas variações. Durante o dia são quilómetros de quietude, nada mais do que o branco congelado. Mas, à luz da lua tudo muda de côr.
Escrito e realizado por Fridrik Thor Fridriksson, "Cold Fever" é um filme fascinante, especialmente para quem quiser conhecer as belezas paisagísticas da Islândia. Lembra-nos que as experiências mais gratificantes da vida muitas vezes não são planeadas, e podem ter pouco a ver com o lazer. Tal como diz o protagonista no final: "Sometimes a journey can take you to a place that's not on any map."
Lili Taylor e Fisher Stevens aparecem creditados no filme em segundo e terceiro lugar, mas na realidade têm apenas pequenos papéis.
Ganhou o prémio principal no Festróia de 1996.

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domingo, 18 de janeiro de 2015

God Bless Iceland (Guð Blessi Ísland) 2009



A crise financeira poucas vezes atingiu o núcleo de um país tão gravemente como aconteceu com a pequena Islândia: um país que nos últimos anos vinha a ser uma das nações mais prósperas no mundo, e de repente torna-se uma metáfora para a crise global e uma prova para a incontrolabilidadeda fúria capitalista.
Nos últimos meses era mostrado ao mundo uma série de quadros dramáticos: manifestantes indignados no centro de Reykjavik, exigindo a demissão de dirigentes de bancos e do governo, assim como eleições antecipadas para Maio de 2009.
Este documentário conta a história da crise financeira na Islândia, mergulhando nos confrontos diários e muito reais da calamidade, que prejudicou não só a economia da Islândia como a identidade desta pequena nação.
Helgi Felixson, o realizador, filma os protestos e as respostas que o povo ía dando ao facto do país viver num estado de bancarrota, e filma também os grandes tubarões da sociedade.
É um documentário muito raro, que muitos políticos preferem que não seja visto. 

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