segunda-feira, 15 de setembro de 2014

De Punhos Cerrados (I Pugni in Tasca) 1965



Uma família da província está no centro do filme de estreia de Marco Bellocchio, o mórbido "I Pugni in tasca", que é literalmente um filme doente. Temos várias doenças que alimentam os membros da família: a mãe é cega, os filhos sofrem de epilepsia, o mais novo também é deficiente mental - são encarnações físicas das suas enormes emoções.
O jovem protagonista, Alessandro, é-nos introduzido ao filme a saltar de uma árvore, literalmente caindo no frame, como se tivesse sido largado do ar. Alessandro é conhecido por vários nomes (Ale ou Sandrino), vive longe do mundo ao seu redor, não se encaixa na sua família ou sociedade, e a sua vida é marcada por um constante tumulto, normalmente da sua própria criação. Tem tendências homicidas, que ele vê como uma solução prática para os problemas familiares, além de se portar como uma bomba prestes a explodir.
O protagonista é Lou Castel, um actor já com uma longa e variada carreira, mas um desconhecido quando Marco Bellocchio o escolheu para o papel principal. Na sua juventude foi muitas vezes comparado a um jovem Marlon Brando, não só devido à sua calvície prematura,  mas também porque simultaneamente parece inofensivo e profundamente ameaçador.
O vazio da família é assumido pelo irmão mais velho, Augusto (Marino Masé), que é o mais convencionalmente normal da família. Frustrado com as responsabilidades que foram descarregadas sobre ele como irmão mais velho, depois da morte do pai, ele pretende casar-se com a namorada, e mudar-se para um apartamento na cidade.
Ao lado de "Antes da Revolução", de Bernardo Bertolucci, este filme marcava o início de uma nova era no cinema italiano, que era infinitamente mais política, e mais ousada, principalmente porque davam um pontapé no Neorealismo, que vinha a dominar o cinema italiano nos anos 40 e 50, com uma radical simplicidade, e um enorme humanismo. "I Pugni in Tasca" era um produto dos turbulentos anos sessenta, era em que a maioria dos países ocidentais foram sacudidos pela agitação política e divisões geracionais que se tornaram abismos intransponíveis. Lançado em 1965, a escassos três anos das revoltas estudantis de Maio de 68, o filme é atravessado por uma raiva reprimida, tal como o título sugere.
Existe algo sombriamente cómico sobre o filme. Bellocchio leva o assunto muito a sério, mas dá-lhe um tom um pouco absurdo que circula algures entre a comédia e o infortúnio. No entanto, o realizador nunca se afasta da tragédia pungente do filme, porque todos os membros da família se vêm uns aos outros como encargos, e portanto tentam sabotar a felicidade do outro. Eles são disfuncionais porque não conseguem ver nada de positivo uns nos outros, que reduz cada membro da família a um objecto, mais do que a uma pessoa.

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domingo, 14 de setembro de 2014

Losers

O cinema não é só feito de heróis, e de grande vitórias. Por vezes conta-nos histórias do outro lado da vida, o dos perdedores e das derrotas.
O próprio Cinema  já teve os seus dissabores no que diz respeito a este tema. O filme que talvez venha primeiro à memória no que diz respeito a perdedores, é "Heaven's Gate", de Michael Cimino, um épico monumental, para muitos especialistas um dos maiores filmes da história do cinema, mas que na altura da sua estreia foi massacrado pelo público e pela crítica. Lembro-me de "One From the Heart", projecto fabuloso de Francis F. Coppola, com uma história desgastante por trás da sua produção. Foi também mutilado na altura da sua estreia. De outro ponto de vista, temos obras como "A Côr Púrpura", de Steven Spielberg, nomeado para 11 Óscares, sem ter ganho qualquer um.
Vamos por agora esquecer os filmes perdedores, e vamos entrar no reino das personagens "losers". É um tema que daria pano para mangas, suficiente para um ciclo de mais de um mês de duração. Mas, como sempre, fizemos uma mini selecção de personagens losers, com 5 filmes, que irão ser mostrados ao longo da semana. Espero que gostem.

Segunda: I Pugni in Tasca (1965), de Marco Bellocchio

Terça: Take the Money and Run (1969), de Woody Allen

Quarta: Midnight Cowboy (1969), de John Schlesinger

Quinta: Scarecrow (1973), de Jerry Schatzberg

Sexta: Le Diable Probablement (1976), de Robert Bresson

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Os Paraquedistas (The Gypsy Moths) 1969



No fim de semana de 4 de Julho, três paraquedistas chegam a uma pequena cidade do Kansas para uma performance.  Ficam hospedados em casa da tia do mais novo membro do grupo, uma mulher com um casamento infeliz. Uma relação condenada nasce entre esta mulher e um dos paraquedistas, e a tensão cresce, para terminar num fantástico espectáculo de paraquedismo.
O desafio de John Frankenheimer em "The Gypsy Moths" é explicar que razões tem um paraquedista em saltar de um avião e deixar-se cair a direito sobre o chão. O realizador resolve este problema admiravelmente, e consegue dar uma explicação bastante razoável.
Burt Lancaster, Gene Hackman e Scott Wilson representam três pontos de vistas diferentes sobre o paraquedismo. Para Hackman é um negócio, para Wilson é um modo de fuga e aceitação, para Lancaster é algo mais pessoal. Sete paraquedistas amadores fizeram mais de 2000 saltos para criar o trabalho de duplos deste filme, e entre ventos e chuvas não cooperativos, foram obrigados a mudar de local de filmagens sete vezes, dentro do estado do Kansas. Scott Wilson foi chamado a substituir um John Philip Law lesionado, que foi a primeira escolha para o papel de jovem temerário. Gene Hackman era ainda um actor relativamente desconhecido, e ainda assim conseguiu roubar a maior parte das cenas a Burt Lancaster, um actor já muito experiente.
Frankenheimer consegue fazer um excelente uso de exteriores do Centro-Oeste americano, e o resultado final acaba por ser agradável, sobretudo para os fãs do paraquedismo.

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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O Homem de Kiev (The Fixer) 1968



Passado na Rússia Czarista, na viragem do século 19 para o século 20, e baseado numa história real de um camponês russo judeu, Yakov Bog, que foi preso injustamente pelo crime mais improvável - o ritual assassinato de uma criança em Kiev. Seguimos os detalhes implacáveis da vida do camponês na prisão, e vemo-lo ganhar em dignidade as tentativas para humilhá-lo, e fazê-lo confessar o crime que não cometeu.
Muitos dos filmes de Frankenheimer lidam com a luta pela justiça social, e pela compaixão humana, e este é definitivamente um filme que cai nessa categoria. Em "The Fixer", Frankenheimer e o argumentista  Dalton Trumbo não perdem tempo para nos atirar com discursos dizendo-nos o que está a acontecer e o que isso quer dizer. A vítima (interpretada com grande sensibilidade por Alan Bates), não é apenas uma figura cristã, como também não se cansa de dizer que o é.
A experiência de Frankenheimer a dirigir muitas das peças da idade de ouro da televisão, como "Playhouse 90", demonstram perfeitamente que ele pode dominar close-ups e melhorar o diálogo. Poucos filmes americanos podem ser corajosos o suficiente para falar de idéias sem ter sempre que recorrer à acção. Já sabemos que Frankenheimer é um especialista em acção, basta lembrar "The Train", ou um filme posterior chamado "Ronin", mas aqui temos de dar-lhe créditos por abraçar um campo diferente, com um enorme sentido de introspecção.
A atmosfera claustrofóbica da prisão é tão intensa que a cena final é uma das mais interessantes da carreira do realizador. Os créditos também vão para Trumbo, por ter criado um herói que não é inteiramente perfeito. Yakov Bok não só traíu a sua herança, trabalhando para os anti-semitas, mas também, como sabemos depois, está de relações cortadas com a sua família.
Um destaque especial para os actores. Alan Bates conseguiu aqui a sua única nomeação para o Óscar de melhor actor, e, no papel de advogado, Dirk Bogarde também está muito bem. Hoje em dia é um filme muito esquecido no tempo, apenas teve uma edição muito rara em DVD.

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O Grande Prémio (Grand Prix) 1966



O piloto americano do Grand Prix Pete Aron, é despedido pela sua equipa, a Jordan-BRM depois de um acidente no Mónaco, que lesiona gravemente o seu colega de equipa, Scott Stoddard. Enquanto Stoddard luta para recuperar, Aron começa a correr para a equipa japonesa da Yamura, e envolve-se romanticamente com a ex-mulher de Stoddard.
Colocar um antigo realizador de televisão ao vivo a cargo de uma produção multi-câmeras sobre Formula 1 podia parecer um pouco arriscado, mas na realidade John Frankenheimer era a escolha ideal para este trabalho. Frankenheimer já tinha uma grande experiência a trabalhar com várias câmeras ao mesmo tempo, cumprindo prazos rígidos, e uma experiência a filmar ao primeiro take - tudo obrigatório para qualquer gestor de uma equipa no mundo de caos da televisão ao vivo. Adicionar a isto um talento especial para trabalhar com actores de múltiplas gerações, e um sentido visual maravilhoso, e temos, talvez, o único realizador que poderia equilibrar acção, drama, egos, e ao mesmo tempo tempo equilibrar com o seu gosto pessoal por carros rápidos.
Desde muito novo que Frankenheimer adorava carros, e havia poucos filmes que conseguiam capturar a beleza das máquinas em movimento, os detalhes fetichistas das entranhas de um carro de corrida, e o poder do perigo e da velocidade. Talvez aqui o filmes mais forte seja "Le Mans", de Lee H. Katzin, com um design minimalista (virtualmente sem diálogo), mas "Grand Prix" aproxima-se mais das emoções das corridas, do que qualquer outro filme.
As montagens sonoras são excelentes, os técnicos de som capturaram o barulho dos motores, e as mudanças de som de cada veículo, em harmonia com uma sensação de docu-drama, algumas sequências de corrida são acompanhadas com música. Ganhou três Óscares de Hollywood, Som, Montagem, e Efeitos Sonoros.
 
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Uma Segunda Vida (Seconds) 1966



"Seconds" é um filme estranho, perturbador, que se preocupa com um desejo primordial: a fantasia de começar de novo, receber uma segunda chance para fazer o que se quer na vida, assumindo uma nova identidade. No entanto, o filme apenas lentamente vai revelando qual é o seu verdadeiro objectivo.
O filme começa com o veterano John Randolph (que tinha sido colocado na lista negra do MaCarthismo na década anterior), como Arthur Hamilton, um banqueiro de sucesso que foi vivendo afastado tanto da sua esposa ((Frances Reid), como do mundo que ele criou para si próprio, que é feito com confortos materiais (uma casa grande, um carro grande), que ele sempre quis. Aborrecido e frustrado com a sua vida, e impotente para fazer alguma coisa contra isso, aceita um convite de um estranho grupo, chamado "The Company”, para ser literalmente renascido: a sua morte vai ser simulada, a sua cara vai ser reconstruída com uma radical operação plástica, e ele vai ser colocado num novo local, com uma nova identidade, e terá uma nova hipótese de viver.
Uma nova vida começa: o rosto de Arthur é reconstruido cirurgicamente (a personagem agora é interpretada por Rock Hudson), o seu nome alterado para Antiochus “Tony” Wilson, e assume a rica posição social de um artista a viver em Malibu. Conhece uma bela mulher, e tenta viver uma vida selvagem e despreocupada, mas começa a sentir saudades da sua anterior esposa...
O que parece mais perturbador sobre "Seconds", é a completa negação da felicidade potencial para o protagonista: independentemente de onde ele esteja, nada combina consigo, o que faz dele um problema para a sua própria existência. O filme nunca nos dá uma razão para a infelicidade deste homem, mas também nos encoraja a assumir que ele é apenas um personagem trágico, e está condenado a ser um homem infeliz.
"Seconds" foi visto como uma mudança significativa na carreira de Rock Hudson, que na década de 60 estava em trajetória descendente, depois de em meados dos anos 50 ter participado, com sucesso, em melodramas de Douglas Sirk ("All That Heaven Allows" e "Written on the Wind"), e um número de comédias românticas com Doris Day, entre o final dos anos 50 e inicio dos anos 60 (a mais famosa "Pillow Talk"). Tal como a personagem interpretada por si, este era um renascimento para o actor Rock Hudson.
No entanto, o que realmente nos agarra em "Seconds" é o estilo visual, único, criado por Frankenheimer e o director de fotografia, James Wong Howe, cuja carreira cinematográfica já vinha desde os anos 20. Filmado em tons gritantes de preto e cinza, é um filme altamente subjectivo, utilizando truques muito bem elaborados, para nos mostrar a subjectividade de Arthur/Tony, e questionar tudo o que possa parecer objectivo. A natureza visual do filme, está presente desde os creditos de abertura, com uma sequência preparada por Saul Bass, que fez muitos dos famosos créditos iniciais de Hitchcock, incluindo "Vertigo" e "Psycho".

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terça-feira, 9 de setembro de 2014

O Prisioneiro de Alcatraz (Birdman of Alcatraz) 1962



Originalmente sentenciado a 12 anos de prisão, depois de ter morto um homem no Alasca, em 1909, Stroud (Burt Lancaster) perde a sua liberdade condicional depois de se envolver num esfaqueamento na prisão e é depois condenado à morte na prisão de Leavenworth depois de ter assassinado um polícia que não deixou a sua mãe Elizabeth (Thelma Ritter), visitá-lo. Stroud tem uma relação obsessiva com a sua mãe, que faz uma visita ao Presidente Woodrow Wilson e convence-o a comutar a sentença de Stroud para prisão perpétua. O director da prisão, Harvey Shoemaker (Karl Malden), pretende manter Stroud o resto da vida na solitária. Mas Stroud vai arranjar uma motivação para a sua vida...
No mesmo anos em que lançou o seu grandioso e nervoso épico "Manchurian Candidate", Frankenheimer lançou mais um êxito com o biopic sobre o famoso Birdman of Alcatraz. Baseado no livro de Thomas Gaddis, o filme conta a história de Robert Stroud, um condenado por duplo assassinato, cujas cinco décadas de aprisionamento, ironicamente, proporcionou-lhe tempo para revelar o seu enorme génio. De acordo com o argumento de Guy Trosper, a educação de Stroud terminou depois da terceira classe, mas na prisão ele capacidade para adquirir muitos conhecimentos. É uma grande falha do argumento, que apesar dos 149 minutos de filme, esta informação só chega até nós através do diálogo expositivo. A sua fascinação pelos pássaros chega quase por acidente, e rapidamente se torna a obra da sua vida, mas ainda bem que o filme se afasta dos processos e contextos pelo qual este hobby se anuncia como uma espécie de chamado.
A história contada no filme, é muito simpática para Stroud (não obstante os vislumbres do seu narcisismo, e uma relação doentia com a mãe). Burt Lancaster faz um grande trabalho retratando o jovem rebelde (pronto para reagir violentamente se alguém disser mal da sua mãe), que se assume como porta-voz contra a reforma do sistema prisional. O seu papel foi de tal forma grande, que lhe valeu uma nomeação para o Óscar de Hollywood. Mas este é um filme de actores, e não vive só da prestação de Lancaster. Igualmente nomeados ao Óscar estiveram Telly Savalas e Thelma Ritter, ficando injustamente de fora Karl Malden, brilhante no papel do autoritário director da prisão. O verdadeiro Stroud conta-se que era pouco popular, tanto entre os guardas prisionais, como entre os colegas prisioneiros, e utilizou equipamento científico para fazer cervejas caseiras.

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domingo, 7 de setembro de 2014

John Frankenheimer

Junto com Sidney Lumet, John Frankenheimer foi um dos grandes realizadores e emergir e a ser influenciado pela estética da televisão ao vivo, uma vaga popular que surgiu brevemente, em força, no final dos anos 50, para se tornar obsoleto no inicio da década de 60. A sua fama posterior e a sua repetida nostalgia pela televisão ao vivo, fizeram dele um dos expoentes máximos desta forma.
A filmografia de Frankenheimer durante a década de 60 foi tão abundante, e tão repleta de interligações temáticas, que era necessário dedicar-lhe um ciclo. Nesta década fez a sua famosa trilogia sobre a paranoia (The Manchurian Candidate, Seven Days in May, Seconds), uma trilogia de acção (The Train, Grand Prix, The Horsemen), filmes que se centravam à volta de conflitos psicológicos entre homens num contexto de combate ou desporto. Ainda houve uma chamada trilogia rural (All Fall Down, The Gypsy Moths, I Walk the Line), que privilegiava a atmosfera do interior americano, em vez do enredo ou do suspense. Isto sem esquecer o enorme filme que é "Birdman of Alcatraz".
As referências de Frankenheimer para obras de Wyler ou Welles, ligam-no ao classicismo do final da era de estúdio de Hollywood,  e antecipava o estilo e o conceito da American New Wave que estava a surgir. Os seus filmes dos anos 60 a meio do profissionalismo de Anthony Mann ou Budd Boetticher, e a violência de Francis Ford Coppola ou Willem Friedkin nos anos 70, e uma ponte entre o emocionalismo impulsivo de Elia Kazan ou Nicholas Ray, e o humanismo de Altman ou Cassavetes. Frankenheimer tem um lugar reservado na história do cinema, como uma figura de transição entre duas épocas importantíssimas.
O ideal seria incluir neste ciclo todos os 11 filmes que ele realizou nesta década, mas tinha de escolher apenas 5, e fi-lo de modo a que pudessem entender melhor a sua importância.
Sendo assim, aqui fica a programação desta semana:

Segunda: Birdman of Alcatraz (1962)

Terça: Seconds (1966)

Quarta: Grand Prix (1966)

Quinta: The Fixer (1968)

Sexta: The Gypsy Moths (1969)


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Terror Gótico: mais alguns filmes

Ter reduzido este belo movimento de cinema de terror gótico italiano a 5 filmes, foi um pouco injusto. Como tinha por aqui alguns filmes, que dificilmente utilizarei noutros ciclos, resolvi fazer uma postagem extra com algumas destas obras. Espero que gostem.

 - L'Amante del Vampiro (1960, Renato Polselli) - Link Imdb (legendado em inglês)
- I Tre Volti Della Paura (1963, Mário Bava) - Link Imdb
- La Vergine di Norimberga (1963, Antonio Margheriti) - Link Imdb
- Sfida al Diavolo (1963, Giuseppi Veggezzi) - Link Imdb
- Lo Spettro (1963, Riccardo Freda) - Link Imdb (dobrado em inglês, sem legendas)
- Danza Macabra (1964, Sergio Corbucci e Antonio Margheriti) - Link Imdb
- 5 Tombe Per Un Medium (1965, Massimo Pupillo) - Link Imdb
- Amanti d'Oltretomba (1965, Mario Caiano) - Link Imdb
- La Notte dei Diavoli (1972, Giorgio Ferroni) - Link Imdb (legendado em inglês)
- Lisa e il Diavolo (1973, Mário Bava) - Link Imdb

Bom fim de semana.

Operação Medo (Operazione Paura) 1966



O Dr. Eswai é chamado pelo Inspector Kruger a uma pequena aldeia para fazer uma autópsia a uma mulher que morreu debaixo de estranhas circunstâncias. Apesar da ajuda de Ruth, a bruxa da aldeia, Kruger é assassinado, e é revelado que a mulher morta, assim como outras vítimas, foram assassinadas pelo fantasma de Melissa, uma jovem que, alimentada pelo ódio do luto da mãe, vinga-se sobre todos os habitantes da aldeia. Com a ajuda da enfermeira Mónica, o Dr. Eswai vai ter de descobrir qual é a verdade.
A primeira sequência de "Operação Medo", é tão poderosa e visceral como o nome do filme pode sugerir. O filme começa abruptamente, a meio de uma cena, com uma mulher a fugir de um grande castelo, e a gritar "Não! Não!".Ela corre para a câmera, que alterna entre close-ups para fazer sobressair o terror nos seus olhos, e shots de longa distância que a mostram a fugir horrorizada. Uma sequência fascinante, e aterrorizante, que promete um grande filme de terror psicológico. Poucas vezes durante o filme Mario Bava alcança o impacto destas primeiras cenas, e embora o filme, na realidade, tenha falta de sustos, ganha na atmosfera que consegue criar, e na deslumbrante fotografia, sempre da autoria de Mário Bava, com a ajuda de Antonio Rinaldi, colaborar de Bava em vários filmes.
É um filme que divide muito os fãs do realizador. Alguns consideram-no o seu melhor trabalho, enquanto para outros foi uma desilusão. E é fácil perceber porquê. É uma obra sedutoramente misteriosa, com uma história de fantasmas no seu núcleo, mas superficialmente é mais do que um exercício de estilo, com muita substância, e muitas cenas marcantes. Todos os problemas desaparecem no final do filme, quando Bava faz uma montagem rápida de frissons, com a terrível verdade à vista, e a realidade contextual do filme finalmente a encaixar-se. É um dos melhores filmes desta vaga de terror gótico, provavelmente o meu preferido. 

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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Chicote e o Corpo (La Frusta e il Corpo) 1963



Kurt Menliff é um nobre do século XIX, cruel e sádico, que regressa ao seu castelo à beira-mar plantado, depois de passar alguns anos fora. Entra logo em conflito com o seu pai inválido, um Conde, assim como com o seu irmão mais novo, Christian, que agora é casado com a prima, e ex-amante de Kurt, Nevenka. Quando na noite seguinte Kurt é encontrado morto no seu quarto, toda a gente é suspeita, e tudo fica mais complicado quando Nevenka começa a ver o fantasma de Kurt (real ou imaginário?), que assombra o Castelo, supostamente para se vingar do seu assassino.
Mário Bava é considerado por muitos como o Padrinho do terror Italiano. Um verdadeiro auteur, fez a fotografia da maioria dos filmes que realizou, e começou a escrever os próprios argumentos da década de sessenta em frente. Em 1963, já com alguns filmes no seu currículo, realizaria aquela que seria considerada uma obra prima do sadomasoquismo, e uma das mais importantes obras do terror gótico: "La Frusta e il Corpo", com o lendário Christopher Lee, e a bela desconhecida Daliah Lavi, que viria, mais tarde, a ser uma Bond Girl em Casino Royale, nos principais papéis.
Para quem procura filmes de terror gráficos, ou sangrentos, não é isso que vão aqui encontrar. Há muito pouco sangue, ou nudez, mas os temas sórdidos tratados entre as personagens (um triângulo amoroso com conotações incestuosas), e as chicoteadas são muito decadentes. O ritmo é lento, criando uma sensação de tensão e expectativa. Apesar de todos serem suspeitos neste filme, Bava está mais interessado em usar a sua marca registrada de cores sombrias, para estabelecer o clima e a atmosfera pretendidos. Brinca com o erotismo sádico, quando Kurt ataca a sua ex-amante com um chicote - e ela parece gostar. 
Um grande desapontamento foi porque a voz de Christopher Lee não foi usada, nem na versão italiana, nem na versão internacional. Esta versão aqui presente é a versão internacional.

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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Raptus - O Diabólico Dr. Hichcock (L'orribile segreto del Dr. Hichcock) 1962



O ano é de 1885, e o necrófilo Dr. Hitchcock gosta de drogar a sua esposa para jogos sexuais funerários. Um dia, administra-lhe uma dose maior, e acidentalmente mata-a. Vários anos depois volta a casar, e regressa à sua antiga casa. Ao descobrir que a sua amada primeira esposa ainda está viva, mas prematuramente envelhecida, ele planeia usar o sangue sangue da sua nova esposa para rejuvenescê-la...
"Raptus", o título alternativo de " L'Orribile segreto del dottor Hichcock", de Riccardo Freda, é certamente um filme que vai atraír os seguidores do cinema virado para o macabro. Os visuais atmosféricos desta obra prima de Riccardo Freda, de alienação sexual e necrofilia, é um capítulo sem precedentes no campo da Idade de Ouro do Terror Italiano, que agarrou a indústria romana de 1956 a 1966.
Com várias referências para as influências literárias de Ann Radcliffe e o século 19, "L'Orribile segreto del dottor Hichcock", é um catálogo de repressões vitorianas, referentes ao desejo e à morte, ao casamento e à sepultura. O perverso comportamento do nosso herói, o Dr Bernard Hichcock (Robert Flemyng), resulta na criação de objectos-fetiche de desejo e morte, de cada uma das suas mulheres. O argumento retira inteiramente o Dr Hichcock das convenções morais, tal como os críticos surrealistas observam, sem racionalização narrativa das suas acções. A sequência do funeral no filme levou o crítico Raymond Durgnat a comentar sobre o quanto eficaz uma boa iluminação pode ser, capaz de dar a um filme de terror uma poesia visual única no cinema. 
"L'Orribile segreto del dottor Hichcock" ficou completo em apenas 16 dias, em Abril de 1962. Freda, como famoso jogador, fez uma aposta de que poderia completar um filme de época em apenas 16 dias. A sexualidade submissa, e o misterioso subtexto foram em parte por causa do resultado de Freda em ler uma história de Ernesto Gastaldi, argumentando que não houve tempo em aprofundar as motivações dos personagens principais. O objecto de toda essa tensão sexual, é a raínha do gótico italiano, Barbara Steele. A sua reputação vem da série de filmes que ela representou na primeira metade da década de 60, quando Bava fez dela um ícone do fetichismo, em "La Maschera del Demonio"

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