sábado, 30 de agosto de 2014

Terror Gótico Italiano

Castelos isolados, corredores empoeirados, nevoeiro, galhos de árvores que nos atingem como se fossem mãos, viajantes encalhados, amantes que conspiram para assassinar, passagens secretas que descem até criptas em deterioração - este é o sumo do terror gótico italiano, um dos mais emocionantes e atmosféricos sub-géneros do cinema.
A idade de ouro do terror italiano começou em 1957, com "I Vampiri", de Riccardo Freda. Este conto maravilhosamente filmado sobre transfusões de sangue, teve origem na lenda de Elizabeth Bathory, que segundo a história preservava a sua beleza banhando-se no sangue de virgens. Mais importante do que isso, foi o primeiro filme a mostrar-nos uma personagem monstro-mulher, um ingrediente recorrente (e fundamental), do cinema de terror italiano, nascido da atitude da cultura em relação à sexualidade feminina, que combinava partes iguais de amor e medo.
Depois de um período calmo do cinema de terror, que já vinha desde meados da década de 40, "I Vampiri" sinalizava a aproximação de uma nova tempestade de cinema de terror, que viria a ultrapassar largamente a dos monstros da Universal dos anos 30 e 40.
Mas o impacto de "I Vampiri" permaneceu relativamente insignificante durante alguns anos. Por mais que o filme fosse respeitado e considerado um dos clássicos do cinema de terror, poucos filmes italianos seguiram o seu rasto, no imediato. Em paralelo desenvolvimento em Inglaterra, os estúdios da Hammer estavam ocupados com a sua própria interpretação de uma diferente lenda - um remake de Frankenstein. O sucesso das produções da Hammer sinalizavam para os cinéfilos de todo o mundo, reviver o poder dos antigos monstros da Universal.
Entretanto filmava-se no México, onde Fernando Mendez realizava "The Vampire" (1957), e em França, onde Georges Franju realizava "Les Yeaux Sans Visage (1959), começando uma vaga de contos horripilantes, e foi aí que os realizadores italianos responderam com uma enxurrada de filmes. Entre 1960 e 1966, os italianos fizeram alguns dos melhores filmes de terror atmosférico já feitos.
Depois de fazer a fotografia de "I Vampiri" e "Caltiki", Mario Bava virou-se para a realização. O seu primeiro filme, "La Maschera del Demonio", é uma obra prima do terror gótico, um dos mais perfeitos filmes de terror de todos os tempos. Com magníficos cenários que evocam um mundo traiçoeiro de sombras (parecido com o do film noir americano), e câmeras que nos arrastam para criptas deterioradas e passagens secretas, "Black Sunday" (como era conhecido na América) criava um mundo de pesadelo, um mundo perto da obra Lovecraftiana, onde as força do mal estavam em constante perigo de emergir das sombras.
"Black Sunday" também nos iria introduzir a um outro ícone do cinema de terror italiano: a face de Barbara Steele. Sem ela este sub-género teria sido, de facto diferente.

Vamos deixar de lado este "La Maschera del Demonio" (mas aqui fica a referência se quiserem ver), que já passou várias vezes pelos thousand movies, e vamos ver cinco obras que são completamente novas para nós. Vamos começar por "I Vampiri", e vamos até 1966, a tal idade de ouro do cinema gótico italiano. Espero que gostem.

Segunda: I Vampiri (1957), de Riccardo Freda

Terça: Il Mulino Delle Donne di Pietra (1960), de Giorgio Ferroni

Quarta: L'Orribile Segreto del Dr. Hichcock (1962), de Riccardo Freda

Quinta: La Frusta e il Corpo (1963), de Mario Bava

Sexta: Operazione Paura (1966), de Mario Bava

PS: no fim poderá haver umas surpresas. 


Choque de Titãs (Clash of the Titans) 1981



Ao responder a um enigma aparentemente impossível, Perseu, o filho de Zeus, ganha a mão da Princesa Andrómeda em casamento. Mas os problemas surgem com o aparecimento de Calibos, o antigo amor da princesa, e com a mãe dele, a deusa Thetis. Para impedir que o temido Kraken seja liberto, Andrómeda tem de ser sacrificada e Perseu vai em busca de Medusa, porque a cabeça dela é a única coisa que pode deter o Kraken.
Embora seja mais conhecido como o último trabalho em stop-motion pelo mágico Ray Harryhausen, é nos cenários imaginativos,  vilões coloridos, e cenas de acção muito bem desenvolvidas por Desmond Davis, que reside a força do filme. Podemos mais facilmente lembrar-nos das cenas-chave do filme, do que de toda a história, porque a força dessas cenas é mais do que suficiente para garantir que o filme siga a bom porto.A sequência de batalha entre Perseu e Medusa é talvez a cena mais marcante do filme, a enormidade de Kraken, o detalhe de Bubo, a coruja mecânica, o gracioso galopar de Pegasus, a letalidade dos escorpiões gigantes, e o olhar sinistro de Calibos - tudo criações de Harryhausen, que combinam bem com a live action, infundindo no filme uma sensação fantástica.
E depois ainda há a destacar o elenco, apesar de alguns actores serem pouco mais do que meros figurantes: Laurence Olivier, Claire Bloom, Maggie Smith, Ursula Andress, Harry Hamlin (como Perseu), Burgess Meredith, entre outros.

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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O Vale dos Monstros (The Valley of Gwangi) 1969



O cowboy James Franciscus procura fama e fortuna capturando um Tyrannosaurus Rex que vive no Forbidden Valley para o colocar num circo mexicano. Mas a sua vítima, chamada Gwangi, parece ter aversão a ser mostrado em público...
O conceito original para Gwangi foi de Willis O'Brien, o criador dos efeitos especiais de "King Kong" (1933), mas nunca foi posto em prática, pelo menos até "Mighty Joe Young", que usou algumas idéias, assim como usaria o filme The Beast of Hollow Mountain (1956). Vendo este filme de Harryhausen facilmente se acredita como a idéia de colocar dinossauros contra cowboys seria tão atrativa. Parece um pouco rebuscado vê-la em acção, mas depois acaba por resultar muito bem. O argumento não é nada de especial, apenas uma variação de "The Lost World", embora muito também pudesse ser dito de "King Kong". Mas neste caso, a acção é bastante secundária, já que é a acção que é a força motora do filme. O grande problema é que demora muito tempo a partir para a acção, uma vez que a primeira metade do filme perde tempo demais com caracterizações de personagens, que acabam por não ter grande importância quando a acção começa a evoluir. A partir daqui é uma obra marcante, em especial a última sequência.
A magia de Harryhausen é deliciosa como sempre. Em Gwangi ele criou algumas das melhores sequências com dinossauros da história do cinema. Algumas décadas depois, os monstros em stop-motion incrivelmente articulados ainda têm o poder de encantar na tela, como tinham naquela altura. 

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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Os Argonautas (Jason and the Argonauts) 1963



Jason tem sido profetizado para assumir o trono de Tessália. Quando salva Pélias de se afogar, não reconhece nele o homem que anos antes matou o seu pai, e segue o seu conselho de para viajar até Colchis e encontrar o lendário Velo de Ouro. Jason monta uma equipa para velejar com os melhores homens gregos, incluindo Hércules. Estão sobre a protecção de Hera, raínha dos Deuses, e a viagem estará repleta de batalhas épicas...
Primeira tentativa de abordar o mito grego pela equipa de produção de Ray Harryhausen e Charles H. Schneer, que manteve a chama do cinema fantástico e as artes dos efeitos especiais vivas, durante algumas décadas. Com argumento escrito por Beverley Cross, que mais tarde viria a trabalhar em "Clash of the Titans" para este duo, e Jan Reed, e destaca-se entre os filmes do canon Harryhausen com a narrativa mais forte. O filme distingue-se pela sua descrição quase naturalista de tempo e lugar, nos lugares autênticos onde foi recriado o passado distante.
Visual e conceitualmente adere aos aspecto do modelo que Nathan Juran tinha estabelecido na sua primeira colaboração com Harryhausen, em "The 7th Voyage of Sinbad (1958)", expandindo algumas dessas idéias, como o duelo final dos esqueletos, mas o realizador Don Chaffey rejeitou o tom juvenil desse filme, a favor de uma obra mais ousada, de tom mais negro. Chaffey que mais tarde viria a pertencer à escola da Hammer, embora na sua vertente mais lúdica. Foi dele um dos filmes mais caros e de maior sucesso desta produtora, embora não fosse um filme de terror,  One Million Years B.C.(1966), que também se valeu dos efeitos especiais de Harryhausen. Argonautas captura a cultura que vê a eternidade em cinzas, e onde o mar se levanta em glória personificada, os vestígios dos templos abrigam as vontades dos deuses, e toda a esperança do mundo está pendurada nos ramos de uma árvore. Um verdadeiro marco na história dos efeitos especiais.

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A Ilha Misteriosa (Mysterious Island) 1961



Durante a guerra civil americana, prisioneiros da União escapam num balão e acabam presos numa ilha do Atlântico Sul, habitada por plantas e animais gigantes. Devem encontrar uma maneira de sobreviver aos perigos e voltar para casa.
Adaptação do famoso livro de Julio de Verne, sequela de "20.000 Léguas Submarinas", é um dos mais satisfatórios filme em que Harryhausen trabalhou desde 1958 até 1963, trabalhando em quatro famosas adaptações literárias. Em termos de entrega, emoções, e argumento transgride vários grupos etários. Temos acção, exotismo, e algum terror e tragédia e o sentido inerente de temor que premeia as obras de Jules Verne.
Os argumentistas alteraram a história de Verne de 1874 para permitir a entrada das criaturas de Harryhausen, e uma dupla de mulheres britânicas snobs, mas a história continua fiel à narrativa de um repórter e soldados rivais que escapam da prisão num balão gigante, para aterrarem numa ilha composta por uma flora e uma fauna bastante estranha. Adicione-se a isto piratas, o Capitão Nemo, um vulcão em erupção, e as audiências têm uma bela história de sobrevivência.
As criaturas de Harruhausen são magníficas, os gestos articulados do caranguejo gigante são totalmente naturais, mas mesmo antes da sua aparição formal na tela a sua aberrante estatura está implícita através de sombras e personagens atingidas pelo medo, o que faz o público salivar por ver este estranho monstro.
Magnífica banda sonora de Bernard Hermann, e dos actores destaca-se Herbert Lom no papel de Capitão Nemo.

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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A 7ª. Viagem de Sinbad (The 7th Voyage of Sinbad) 1958



O Capitão Sinbad (Kerwin Mathews), navega para Baghdad com a sua noiva, depois de uma missão de paz bem sucedida, ao reino vizinho de Chandra. Ele e  Parisa (Kathryn Grant), a princesa real de Chandra, estão muito apaixonados. Ventos misteriosos têm soprado o navio para fora de rumo faz uma semana, até que eles finalmente conseguem chegar a terra firme, a lendária ilha de Colossa. Quando Sinbad e alguns membros da tripulação desembarcam para reunir provisões, encontram o mágico Sokurah a ser perseguido pelo gigante Cyclops, de quem o mágico roubou uma lâmpada contendo um génio. Eles conseguem fugir da ilha, mas Cyclops reclama a lâmpada mágica, e o mágico não é aquela pessoa boa que aparentava ser.
Alguns filmes assim que são mencionados provocam um sorriso espontâneo. "The 7th Voyage of Sinbad" certamente que é um deles, capaz de gerar grandes sorrisos, e quentes lembranças. Um filme de aventuras, baseado nas aventuras de Sinbad, e com efeitos especiais de Ray Harryhausen, é algo que não podia falhar. O realizador Nathan Juran e Harryhausen trazem os monstros para a tela a um ritmo implacável, como se o filme não tivesse partes chatas.
Sinbad marcou uma nova era para Harryhausen, uma fantasia cheia de criaturas épicas, todas filmadas a cores, e com uns valores de produção de luxo. Foi também a primeira vez que Harryhausen enfrentou o desafio de animar tantas criaturas diferentes ao mesmo tempo, e o resultado não podia ter sido melhor - desde o centauro Cyclops ao duelo com o esqueleto (precursor de uma cena de muito maior escala em "Jason and the Argonauts").
 Como filme de fantasia, "The 7th Voyage of Sinbad" é o filme de fantasia quase perfeito, mantendo o entretimento cinematográfico atemporal, mais de meio século depois de ter sido feito.

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domingo, 24 de agosto de 2014

Ray Harryhausen

Em 1933, com 13 anos de idade, Ray Harryhausen viu "King Kong" no cinema, e ficou apaixonado, não apenas pelo gorila Kong, que claramente não era apenas um homem num fato de gorila, mas também pelos dinossauros. Saíu do teatro surpreso e assombrado, pois tudo parecia absolutamente realista, e queria saber como tudo tinha sido feito. Tinha sido feito através de uma técnica de stop-motion, modelos articulados, filmados um fotograma de cada vez, para simular movimento. Harryhausen, mais tarde, tornou-se o principal expoente desta técnica.
Em jovem ele tinha interesse em animais pré-históricos, e modelos criados em barro. Começou a trabalhar com uma câmera emprestada, trabalhando à volta do facto de que ele não tinha um mecanismo stop-frame, e mostrou as suas experiências a Willis O'Brien, o tal que tinha feito os efeitos especiais de "King Kong". O veredicto de O'Brien, que os modelos de Harryhausen não tinham qualquer carácter, e que ele devia estudar anatomia, foi um ponto de viragem na abordagem de Harryhausen ao seu trabalho.
No Los Angeles City College continuou as suas experiências com uma nova câmera de 16mm, e em 1940 quando o marionetista George Pal fugiu da Europa para Hollywood Harryhausen mostrou-lhe o seu trabalho e foi contratado para a série de Puppetoon de Pal, para a Paramont, ao lado de O'Brien. Mas as figuras de madeira de Pal não se adequavam ao trabalho destes dois.
Em 1946, depois de ter estado na guerra, estava desempregado iniciou uma série de curtas de 2 minutos sobre contos de fadas, com material de stock da Kodak que tinha encontrado, e teve sucesso, tendo como resultado vendido os filmes a escolas e livrarias.
O'Brien chamou-o então para seu assistente nos efeitos especiais de "Mighty Joe Young", uma espécie de continuação de "King Kong", e apesar do filme ter sido um fracasso comercial ainda ganhou o Óscar de Melhores Efeitos Especiais. Foi então que nos anos 50 Harryhausen começou a trabalhar mais para o cinema, primeiro em "The Beast from 20,000 Fathoms", depois em "It Came From Beneath the Sea", "Earth vs. the Flying Saucers" ou "20 Million Miles to Earth", alguns dos quais vimos no ciclo de Sci-fi dos anos 50.
Para este ciclo, vamos pegar na sua carreira a partir daqui, e ver os seus melhores trabalhos até aos anos 80. Espero que seja do vosso agrado. Eis a programação desta semana:

Segunda: The 7th Voyage of Sinbad (1958), de Nathan Juran

Terça: Mysterious Island (1961), de Cy Enfield

Quarta: Jason and the Argonauts (1963), de Don Chaffey

Quinta: The Valley of Gwangi (1969), de Jim O´Connolly

Sexta: Clash of the Titans (1981), de Desmond Davis


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

120 Filmes Noir

6 anos de Thousand Movies. Aqui fica um presentinho.

The Maltese Falcon (1941, John Huston) - Imdb Link
Double Indemnity (1944, Billy Wilder) - Imdb Link
The Big Sleep (1946, Howard Hawks) - Imdb Link
Sunset Boulevard (1950, Billy Wilder) - Imdb Link
The Third Man (1949, Carol Reed) - Imdb Link
M (1931, Fritz Lang) - Imdb Link
Notorious (1946, Alfred Hitchcock) - Imdb Link
Touch of Evil (1948, Orson Welles) - Imdb Link
Cris Cross (1949, Robert Siodmak) - Imdb Link
Strangers on a Train (1951, Alfred Hitchcock) - Imdb Link
Out of the Past (1947, Jacques Tourneur) - Imdb Link
The Big Combo (1955, Joseph H. Lewis) - Imdb Link
The Night of the Hunter (1955, Charles Laughton) - Imdb Link
The Killing (1956, Stanley Kubrick) - Imdb Link
Key Largo (1948, John Huston) - Imdb Link
The Killers (1946, Robert Siodmak) - Imdb Link
I Am a Fugitive From a Chain Gang (1932, Mervyn Le Roy) - Imdb Link Legenda
Ace in the Hole (1951, Billy Wilder) - Imdb Link
Laura (1944, Otto Preminger) - Imdb Link
White Heat (1949, Raoul Walsh) - Imdb Link

The Lost Weekend (1945, Billy Wilder) - Imdb Link
Angels With Dirty Faces (1938, Michael Curtiz) - Imdb Link
Du Rififi Chez Les Hommes (1955, Jules Dassin) - Imdb Link
Sweet Smell of Success (Alexander Mackendrick) - Imdb Link
The Blue Dahlia (1946, George Marshall) - Imdb Link
Night and the City (1950, Jules Dassin) - Imdb Link
The Set-Up (1949, Robert Wise) - Imdb Link Legenda
Scarface (1932, Howard Hawks) - Imdb Link
Shadow of a Doubt (1933, Alfred Hitchcock) - Imdb Link
The Big Heat (1953, Fritz Lang) - Imdb Link
The Asphalt Jungle (1950, John Huston) - Imdb Link
Nightmare Alley (1947, Edmund Goulding) Imdb Link Legenda
Body and Soul (1947, Robert Rossen) - Imdb Link
In a Lonely Place (1950, Nicholas Ray) - Imdb Link
The Lady From Shangai (1947, Orson Welles) - Imdb Link
Ossessione (1943, Luchino Visconti) - Imdb Link
The Woman In the Window (1944, Fritz Lang) - Imdb Link
Pickup on South Street (1953, Samuel Fuller) - Imdb Link
Scarlet Street (1945, Fritz Lang) - Imdb Link
Kiss of Death (1947, Henry Hathaway) - Imdb Link

Gun Crazy (1950, Joseph H. Lewis) - Imdb Link Legendas
Mildred Pierce (1945, Michael Curtiz) - Imdb Link
Where the Sidewalk Ends (1950, Otto Preminger) - Imdb Link
The Naked City (1948, Jules Dassin) - Imdb Link
Gilda (1946, Charles Vidor) - Imdb Link
Murder, My Sweet (1944, Edward Dmytryk) - Imdb Link
Kiss Me Deadly (1955, Robert Aldrich) - Imdb Link
Sudden Fear (1952, David Miller) - Imdb Link
This Gun for Hire (1942, Frank Tuttle) - Imdb Link
Dark Passage (1947, Delmer Daves) - Imdb Link
The Postman Always Rings Twice (1946, Tay Garnett) - Imdb Link
Fury (1936, Fritz Lang) - Imdb Link
Leave Her to Heaven (1945, John M. Stahl) - Imdb Link
D.O.A. (1950, Rudolph Mathé) - Imdb Link
Kansas City Confidential (1952, Phil Karlson) Imdb Link
Force of Evil (1948, Abraham Polonsky) Imdb Link
Crossfire (1947, Edward Dmytryk) - Imdb Link
The Strange Love of Martha Ivers (1946, Lewis Milestone) - Imdb Link
House of Strangers (1949, Joseph L. Mankiewicz) - Imdb Link
The Wrong Man (1956, Alfred Hitchcock) - Imdb Link

Odds Against Tomorrow (1959, Robert Wise) - Imdb Link
Raw Deal (1948, Anthony Mann) - Imdb Link Legendas
Act of Violence (1948, Fred Zinnemann) - Imdb Link
The Stranger (1946, Orson Welles) - Imdb Link
You Only Live Once (1937, Fritz Lang) - Imdb Link
Angel Face (1952, Otto Preminger) - Imdb Link
Pitfall (1948, André de Toth) - Imdb Link
Detour (1945, Edgar G. Ulmer) - Imdb Link
On Dangerous Ground (1951, Nicholas Ray) Imdb Link
Panic in the Streets (1950, Elia Kazan) - Imdb Link
Human Desire (1954, Fritz Lang) - Imdb Link
Fallen Angel (1945, Otto Preminger) - Imdb Link
Cry of the City (1948, Robert Siodmak) - Imdb Link
Dead Reckoning (1947, John Cromwell) - Imdb Link
T-Men (1947, Anthony Mann) - Imdb Link
Party Girl (1958, Nicholas Ray) - Imdb Link
Clash By Night (1952, Fritz Lang) - Imdb Link
Mystery Street (1950, John Sturges) - Imdb Link
Niagara (1953, Henry Hathaway) - Imdb Link
While the City Sleeps (1956, Fritz Lang) - Imdb Link

Beyond a Resonable Doubt (1956, Fritz Lang) Imdb Link
The Big Steal (1949, Don Siegel) - Imdb Link
Black Angel (1946, Roy William Neill) - Imdb Link
Born to Kill (1947, Robert Wise) - Imdb Link
Brute Force (1947, Jules Dassin) - Imdb Link
Call Northside 777 (1948, Henry Hathaway) - Imdb Link
Caugh (1949, Max Ophüls) - Imdb Link
Cry Danger (1951, Robert Parish) - Imdb Link 
Follow Me Quietly (1949, Richard Fleischer) - Imdb Link
Journey Into Fear (1943, Norman Foster) - Imdb Link
Lady in the Lake (1947, Robert Montgomery) - Imdb Link
My Name is Julia Ross  (1945, Joseph H. Lewis) - Imdb Link
Nightfall (1957, Jacques Tourneur) - Imdb Link
Pushover (1954, Richard Quine) - Imdb Link
The Shanghai Gesture (1941, Josef Von Sternberg) - Imdb Link
Side Street (1949, Anthony Mann) - Imdb Link
Stranger on the Third Floor (1940, Boris Ingster) - Imdb Link
The Dark Corner (1946, Henry Hathaway) - Imdb Link
The Hitch-Hiker (1953, Ida Lupino) - Imdb Link
The Mob (1951, Robert Parish) - Imdb Link
The Seventh Victim (1943, Mark Robson) - Imdb Link
They Live by Night  (1946, Nicholas Ray) - Imdb Link
Thieves Highway (1949, Jules Dassin) - Imdb Link
Whirpool (1949, Otto Preminger) - Imdb Link

Boomerang (1947, Elia Kazan) - Imdb Link 
Detective Story (1951, William Wyler) - Imdb Link 
House of Bamboo (1955, Samuel Fuller) - Imdb Link 
House by the River (1950, Fritz Lang) - Imdb Link 
Killer's Kiss (1955, Stanley Kubrick) - Imdb Link
Kiss Tomorrow Goodbye (1950, Gordon Douglas) - Imdb Link 
Railroaded (1947, Anthony Mann) - Imdb Link 
Secret Beyond the Door... (1948, Fritz Lang) - Imdb Link 
Shock (1946, Alfred L. Werker) - Imdb Link 
Suddenly (1954, Lewis Allen) - Imdb Link
The Big Clock (1948, John Farrow) - Imdb Link 
The Blue Gardenia (1953, Fritz Lang) - Imdb Link
The Desperate Hours (1955, William Wyler) - Imdb Link 
The Glass Key (1942, Staurt Heisler) - Imdb Link 
The Letter (1940, William Wyler) - Imdb Link 
The Reckless Moment (1949, Max Ophüls) - Imdb Link  
The Spiral Staircase (1945, Robert Siodmak) - Imdb Link
The Unsuspected (1945, Michael Curtiz) - Imdb Link
The House on 92nd Street (1945, Henry Hathaway) - Imdb Link
The Racket (1951, John Cromwell) - Imdb Link

 

Cidade Portuária (Hamnstad) 1948



Berit é uma jovem com problemas, é suicida e depressiva. Como lhe é impossível viver com a mãe, ela passou muitos anos em instituições. Agora ela tem um emprego numa fábrica, com a condições de que possa viver com a mãe de novo. A relação entre as duas continua muito tensa, até que uma noite ela conhece um homem chamado Gösta. Será que ele a poderá ajudar?
Na sua quinta longa-metragem Bergman deixa os limites da cidade, e da vida urbana, e vai para fora, filmando em exteriores, num verdadeiro estaleiro naval. A utilização de um ambiente verdadeiro prepara a acção para um argumento mais realista, e sexualmente mais firme. Se Gösta à primeira vista parece um personagem bidimensional, é apenas porque ele não tem sentimentos. Ele pode lutar por uma mulher, e até mesmo dizer que a ama, mas não até Berit testar os seus níveis de compromisso, que ele também tem de testar a si próprio. A sua explosão emocional é intensa, mas a sua mudança para uma alma sensível é convincente. A certa altura Bergman tem Eklund a olhar directamente para a câmera como se ele estivesse a olhar directamente para o público, em vez da prostituta com quem ele está no quarto, e o efeito é de arrepiar.  
"Hamnstad" está um pouco à frente no seu tempo, mostrando directamente que a maioria dos reformatórios são prejudiciais para problemas futuros. Bergman arranca um desempenho notável a Nine-Christine Jönsson. Como Berit ela é perturbada e neurótica, mas também consegue arrancar momentos de ternura. Aqui já temos uma sugestão da afinidade de Bergman para trabalhar com actrizes. Afinidade essa que lhe daria alguns dos seus melhores trabalhos, no futuro.

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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Uma Luz nas Trevas (Musik i Mörker) 1948



Na Suécia, o pianista da classe alta, Bengt Vyldeke, sofre um acidente no serviço militar, e fica cego. Volta para casa da sua tia, Beatrice Schröder, e no ínicio é ajudado pela irmã Agneta, desde que a sua noiva Blanche o abandonou.Quando Agneta vai para a universidade é a jovem criada Ingrid que ajuda Bengt na sua vida diária, e acaba por se apaixonar por ele...
Depois de gozar o sucesso dos seus dois primeiros filmes, Bergman foi abruptamente trazido de volta à terra depois do fracasso comercial de "A Ship Bound For India". O realizador ainda tinha muito a aprender sobre a indústria do cinema, e a sua primeira consideração nesta fase da carreira, é que os seus filmes tinham de ser um sucesso comercial. Depois de deixar a Svensk Filmindustri, foi trabalhar com um produtor independente chamado  Lorens Marmstadt, e os seus estúdios Terrafilm, para trabalhar na adaptação de "Music in Darkness", de Dagmar Edqvist. Bergman odiava a história, mas trabalhou com o autor no argumento, e estava determinado a manter o filme divertido, dentro do estilo do seu mentor inicial, Gustaf Molander. Resultou, e o filme foi um sucesso, consolidando a reputação de Bergman, e abrindo caminho para a Svensk Filmindustri.
Apesar de ter sido um sucesso como entretimento popular, não tem quase nada do que hoje em dia é reconhecível de Bergman, e é um melodrana bastante leve. A luta por equilibrar o melodrama com o psicodrama porque ele se tornaria conhecido nos seus filmes posteriores, é evidente nas primeiras cenas do filme. Bergman equilibra bem o contraste entre a escuridão e a luz, dando ao filme um tema forte, balanço e estrutura, mas parece não ter a força das suas convicções melodramáticas. Na altura em que fez este filme, não parecia ter a convicção ou a capacidade de retratá-lo melhor na tela. Ainda assim é uma curiosidade para os fãs do realizador.  

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Um Barco para a Índia (Skepp till India Land) 1947



O marinheiro Johannes Blom regressa ao seu porto de origem, depois de sete anos no mar, para descobrir que a mulher em quem ele pensava está completamente desanimada. A história anda então sete anos para trás (os flashbacks viriam a tornar-se habituais nos filmes de Bergman), até uma altura em que Johannes vivia e trabalhava com o seu abusivo pai, Alexander.
Terceiro filme de Ingmar Bergman, e o primeiro a ser lançado na América. É uma história melodramática, madura e complicada, sobre quatro almas díspares, cujas vidas precisam de ser recuperadas. Todas elas parecem ter algum tipo de ligação com um rebocador velho que salva destroços. Bergman escreveu o argumento a partir de uma peça de  Martin Söderhjelm, e apesar de estar ainda longe dos seus melhores trabalhos, já se encontram aqui alguns vislumbres do que viria a ser o seu cinema, sobretudo no que toca à alienação e à solidão, temas que seriam recorrentes na obra do realizador.
Com este filme, Bergman estende o naturalismo teatral dos seus dois primeiros filmes, para uma formação um pouco mais grotesca da crueldade humana, através da empobrecida família de Blom, e são rasgados e torturados por várias decisões, demónios e deformidades. E tal como muitos dos filmes posteriores de Bergman, apresenta aqui o litoral como cenário, a mais sombria e radiante vista da Suécia, um desperdício de luz que não favorece muito a captação cinematográfica, mas do qual Bergman sempre soube tirar o máximo proveito.
É um dos filmes mais complexos psicologicamente do realizador, que faz um uso abusivo do simbolismo. Recebeu uma grande ovação no festival de Cannes.

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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Chove no Nosso Amor (Det Regnar på Vår Kärlek) 1946



Maggi conhece David depois de ter perdido o comboio, e passa a noite com ele. Sem dinheiro, os jovens amantes invadem uma casa de verão, mas são surpreendidos pelo dono, que se oferece para lhes alugar a casa, não sabendo eles que esse homem tem um motivo escondido. Vivendo juntos, os dois jovens têm de enfrentar o passado, e lidar com uns vizinhos intrometidos, e as autoridades.
O segundo filme de Ingmar Bergman pode ser pouco polido, e faltar-lhe a profundidade que iria caracterizar o seu trabalho posterior, mas é mais do que uma curiosidade no seu catálogo secundário. Os primeiros sinais de um realizador capaz de atraír o seu público para a situação de personagens altamente empáticas, neste caso, dois estranhos que se encontram numa estação de comboio. Ambos estão abandonados à sua sorte, sem dinheiro, e com um passado turbulento.
Embora atravessado por algumas piadas centradas nas personagens excêntricas da cidade, o filme acaba por trazer uma visão bastante sombria da humanidade. Independentemente das boas intenções do casal, cada mudança para melhor é logo anulada por alguma suspeita ou má vontade dos que os rodeiam, especialmente da parte da esposa do homem que emprega David. A sua resposta maliciosa ao primeiro sinal de perigo de David, ao aceitar uma má noticia através de um telefonema perguntado com uma alegria malévola "O que aconteceu...alguma coisa trágica?", representa o pico do desprezo, atirado como um balde de água fria. Um filme bastante interessante, apesar de se encontrar longe das melhores obras do realizador.

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