sexta-feira, 17 de novembro de 2017

The Undead (The Undead) 1957

Um hipnotizador (Val Dufour) de ética questionável envia uma jovem prostituta (Pamela Duncan) para trás no tempo, onde ela reencarna numa mulher que foi erradamente condenada a morrer como uma bruxa, mas logo descobre que pode estar a alterar o rumo da história, e como consequência, a sua própria existência.
Um filme com um orçamento ultra-reduzido, supostamente filmado em menos de uma semana, e que goza de uma reputação muito duvidável, completamente imerecida, em parte por ter sido incluído na famosa série "Mystery Science Theatre 3000", destinada a filmes muito maus. Mas, na verdade, é um óptimo exemplo do que se pode fazer com argumentos muito reduzidos, principalmente quando se tem uma equipa de produção muito boa, e um argumento ambicioso e imaginativo, como este de Charles B. Griffith e Mark Hanna.
Parte do divertimento de "The Undead" é a sua imprevisilidade. O filme anda para trás e para a frente no tempo, entre a idade média e a sessão de hipnose, com vários eventos a acontecerem ao longo do caminho que poderão mudar o rumo da história. Quando as coisas começam a ficar fora de mão, a vida de Diana pode estar em risco. O argumento pode parecer um pouco confuso, mas a história flui de uma forma bastante suave. 
O orçamento de 75 mil dólares não dava para muito, por isso grande parte dos cenários foram construídos dentro de um supermercado fechado. Foi usada uma máquina de fazer nevoeiro, e nunca são vistas mais de uma dúzia de pessoas no ecrã ao mesmo tempo, o que não dava grandes hipóteses para fazer recriar um ambiente medieval. Também foram reutilizados os morcegos que já tínhamos visto em "It Conquered the World" (1956). Gostar deste filme convém perceber estes pequenos pormenores orçamentais, que acabam por valorizar mais o resultado final. 

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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O Ataque dos Caranguejos Gigantes (Attack of the Crab Monsters) 1957

Um grupo de cientistas viaja para uma ilha isolada para estudar os testes do uso de armas nucleares. Na chegada, o avião explode e os cientistas ficam presos no local. Depressa descobrem que a ilha é habitada por caranguejos gigantes. Além dos monstros inteligentes os seus problemas só aumentam quando percebem que a ilha está a afundar-se lentamente. 
Roger Corman tinha apenas 31 anos em 1957, o ano mais prolífico da sua carreira, ao realizar um total de nove filmes. Foram explorados neste ano vários sub-géneros da exploitation, como o terror ("The Undead"), o Rock N´Roll ("Carnival Rock and Rock All Night"), o drama Havaiano ("Naked Paradise"), a "bad girl" adolescente ("Sorority Girl" e "Teenage Doll") e um filme inclassificável chamado "The Saga of the Viking Women and Their Voyage to the Waters of the Great Sea Serpent". Os filmes mais importantes de Corman neste ano foram o filme que vimos anteriormente, "Not of this Earth", e este "Attack of the Crab Monsters". 
"Attack of the Crab Monsters" também foi escrito por Charles B. Griffith, e estava carregado de boas ideias. Provavelmente tinha ideias para cinco filmes. O cenários é incerto, com a ilha constantemente a desmoronar-se, criando uma sensação de isolamento e medo, bem ajudada por uma partitura musical de Ronald Stein, e uns visuais bizarros e inquietantes, com alguns toques de "gore", como uma mão a ser decepada, mas nada prepara o espectador para o que está por vir. 
Custou apenas 70 mil dólares a ser produzido mas rendeu mais de um milhão nas bilheteiras, tornando-se no filme de Corman mais rentável desta fase da sua carreira. Há quem diga que parte do sucesso se deveu à selvajaria do título: "Attack of the Crab Monsters".

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Not of This Earth (Not of This Earth) 1957

Um agente extraterrestre chega à Terra do distante planeta Davana, através de um transportador de matéria bastante evoluído. Começa então a aterrorizar o sul da Califórnia, numa tentativa de adquirir sangue para a sua raça moribunda, com o resultado a ser uma devastante guerra nuclear.
"Not of this Earth" embora não seja considerado dos melhores filmes de Roger Corman, é, sem dúvida um dos melhores dos anos cinquenta do realizador, e também um dos melhores de ficção científica para este início de carreira, e o motivo talvez seja porque o filme percorreu vários géneros sem nunca descarrilar. Mais importante, é um "shocker" de baixo orçamento que resulta bastante bem, graças, principalmente, aos argumentistas, onde estava incluído Charles B. Griffith, que já começava a ser uma habitual colaboração de Corman, e ao fantástico elenco, apesar do actor principal, Paul Birch, não se dar bem com o realizador. Talvez isso até tenha sido um factor decisivo para melhorar o seu desempenho, já que o seu desempenho é bastante hostil, e a sua personagem um dos aliens mais assustadores dos anos cinquenta.
Paul Johnson (Birch), sempre no seu fato preto, que o faz parecer o empresário mais sinistro do mundo, e com um discurso que também não aquece nada. Talvez Birch não tenha gostado da personagem, mas não conseguimos imaginar outro actor a ficar com o papel. 
Com apenas 67 minutos de duração, diz-se que foi umas das principais inspirações para "They Live" (1988), de John Carpenter. 

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terça-feira, 7 de novembro de 2017

It Conquered the Earth (It Conquered the Earth) 1956

Um dos vários membros restantes de uma raça de extraterrestres, habitantes de Vénus, é guiado para a Terra por Tom Anderson, um cientista descontente, que lhe diz em que humanos ele deve meter dispositivos de controle mental. Entre eles está o seu antigo amigo e companheiro Paul Nelson. Nelson finalmente persuade o paranóico Anderson que errou ao se aliar a um alienígena determinado a dominar o mundo.
Este filme de série B de Roger Corman é talvez mais conhecido pelo extraterrestre ridículo com aparecia de vegetal criado por Paul Blaisdell, que já tinha criado o mutante do filme anterior de Corman, mas na realidade até é uma entrada bastante decente no sub-género dos filmes de histeria comunista do meio do século, como "Invaders from Mars" (1953), ou "Invasion of the Body Snatchers" (1956).  Lee Van Cleef é estranhamente eficaz (e bem fundamentado) no papel central, de cientista tão desiludido com a humanidade que recorre a um ser extraterrestre para "salvar o mundo de si próprio".  Destaque também para o outro protagonista, Peter Graves, ainda bem longe do seu papel na série "Missão Impossível", e Beverly Garland, bem convincente no papel da esposa de Van Cleef.
O argumento de Charles B. Griffith faz maravilhas com cenários que de outra forma seriam risíveis (como morcegos de borracha a atacarem pescoços de pessoas para lhes removerem todas as emoções), além de outras cenas notáveis. A grande força do filme vem de facto do argumento, com uma profundidade que não é muito habitual encontrar em filmes de baixo orçamento deste período, com discussões filosóficas sobre o poder das emoções humanas. Aliás, o argumento tem a sofisticação de outros filme de Corman deste período, como veremos em breve.

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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O Dia do Fim do Mundo (Day the World Ended) 1955

Depois de uma guerra nuclear, um grupo improvável de pessoas, incluindo um rancheiro, um geólogo, um criminoso e a sua namorada encontram-se presos no meio do nada enquanto lutam contra um mutante criado por Paul Blaisdell. O geólogo e o criminoso também vão lutar pela atenção da filha do rancheiro.
Lançado nos anos cinquenta, em plena era atómica, "Day The World Ended" conta a história do que aconteceu quando o homem finalmente se destrói num holocausto nuclear. Apenas sete pessoas sobrevivem à explosão, e o destino da humanidade está nas mãos deste pequeno grupo, que luta pelo seu destino neste novo mundo mutante.
"Day The World Ended" foi o terceiro filme de Corman como realizador, e o primeiro no domínio da ficção científica. Corman tornou-se num herói de culto, o messias do cinema de baixo orçamento, mas sem dúvida que a sua maior contribuição foi como produtor. 
Uma casa no sopé das montanhas de Hollywood serve de refúgio para este grupo, assim como uma grande lagoa em Sportsman's Lodge. O resto do filme é filmado nas Bronson Caverns em Griffith Park. O filme faz um óptimo trabalho ao mostrar as pressões enfrentadas pelos sobreviventes, principalmente o cientista e o seu irmão radioactivo. A capacidade dos dois em fazer a situação parecer real, ajuda o monstro a parecer menos falso. Enquanto Corman é conhecido por trabalhar rápido e barato, os seus actores não parecem apressados na tela. O gangster é interpretado por Mike "Touch" Connors, antes de se tornar no herói da série "Mannix". 

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domingo, 5 de novembro de 2017

Roger Corman - Parte 1

Roger Corman é considerado o Papa do cinema Pop, o indiscutível rei da série B, e um dos mais prolíficos realizadores de todos os tempos. Se não fosse ele, provavelmente nunca conheceríamos realizadores e actores como Martin Scorsese, Francis F. Coppola, James Cameron, Joe Dante, Jonathan Demme, Peter Bogdanovich, Curtis Hanson, Robert de Niro, Jack Nicholson, Dennis Hopper, Peter Fonda, Bruce Dern, entre outros. Como distribuidor trouxe pela primeira vez para a américa os trabalhos de Ingmar Bergman, François Truffaut, Federico Fellini, Akira Kurosawa, expondo a jovens realizadores americanos um tipo de cinema que iria mudar Hollywood para sempre.
Apesar destas importantes colaborações para o cinema, ele provavelmente será mais conhecido pelos filmes de exploitation que fez. A sua filosofia para fazer filmes era de minimizar os riscos principalmente a fazer filmes de género destinados a um público específico, piorizando a quantidade sobre a qualidade, tentando espremer cada moeda do orçamento para maximizar o lucro. Por vezes isto significava tirar o dinheiro restante de um filme, e usá-lo para fazer outro completamente diferente, e fazê-lo bem depressa. Ele também reutilizaria cenários e actores ao longo de uma série de filmes, para economizar custos. Por vezes era contratado um argumentista para escrever o argumento no local.
Corman tirou o diploma no curso de engenharia industrial de Stanford, conseguindo um emprego na U.S. Electrical Motors. Demitiu-se ao fim de quatro dias, dizendo ao chefe que "cometeu um terrível erro". Acabou por prosseguir uma carreira no cinema, depois de um breve período na Fox, a ler argumentos. Mas rapidamente descobriu que queria seguir a sua carreira sozinho.
Acabou por ir parar à recém formada American International Pictures (AIP), que se dedicava a fazer filmes independentes de baixo orçamento, destinados a adolescentes. Aqui produziu e co-produziu 19 filmes nos seus primeiros três anos com a companhia. Também teve um grande impacto como realizador, onde dirigiu inúmeros filmes.
Um ciclo de Corman, que se queira o mais completo possível, demoraria muito tempo. Então, decidimos cortá-lo em várias partes, com a primeira a ir para o ar nos próximos dias, e que irá focar-se nos filmes realizados por sim no início de carreira, entre 1955 e 1959, com especial enfoque nos filmes de monstros.
Dada a raridade de alguns dos filmes que serão apresentados, não terão legendas, mas a maioria terá legendas em português.


terça-feira, 31 de outubro de 2017

Noite de Halloween

A noite de 31 de Outubro é internacionalmente conhecida como a Noite de Halloween. Apesar de ser um feriado americano, cada vez tem maior repercussão em Portugal. Aqui, no My Two Thousand Movies, é um habitual período para filmes de terror. Por isso, para esta noite, fizemos uma seleção especial com 20 filmes de terror, escolhidos meio ao acaso, mas todos eles bastante recomendados. É servirem-se, e bom Halloween.

- Amer (2009), de Hélène Cattet e Bruno Forzani. Link Imdb
- Bug (1975), de Jeannot Szwarc Link Imdb
- Dead Snow (2009), de Tommy Wirkola Link Imdb
- Eden Lake (2008), de James Watkins Link Imdb
- El Vampiro (1957), de Fernando Méndez Link Imdb
 - Fragile (2005), de Jaume Balagueró Link Imdb
- Kitchen Sink (1989), de Alison MacLean Link Imdb
- La Horde (2009), de Yannick Dahan, Benjamin Rocher Link Imdb
- Nomads (1986), de John McTiernan Link Imdb
- Schramm (1993), de Jorg Buttgereit Link Imdb
- Session 9 (2001), de Brad Anderson Link Imdb 
- Skjult (2009), de Pal Oie Link Imdb
- The Oblong Box (1969), de Gordon Hessler Link Imdb
- The Beyond (1981), de Lucio Fulci Link Imdb
- The Abandoned (2006), de Nacho Cerdà Link Imdb
- Tony (2009), de Gerard Johnson Link Imdb
- Tras el Cristal (1986), de Agustin Villaronga Link Imdb
- Veneno Para las Hadas (1984), de Carlos Enrique Taboada Link Imdb
- Visitor Q (2001), de Takashi Miike Link Imdb
- Wolfen (1981), de Michael Wadleigh Link Imdb

O próximo ciclo começa no fim de semana. Até lá, divirtam-se.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Dois Homens e Um Destino (Butch Cassidy and the Sundance Kid) 1969

Butch (Paul Newman) e Sundance (Robert Redford) são os dois líderes do gang  Hole-in-the-Wall . Butch é o homem das idéias, Sundance o homem da acção e habilidade. O Oeste está a ficar civilizado, e como eles assaltam um comboio com muita frequência acabam a ser perseguidos, vão eles para onde quer que vão. Por cima das rochas, por dentro das cidades, através dos rios, um grupo segue sempre no seu encalço. Quando finalmente escapam por pura sorte, Butch tem uma nova idéia: "Vamos para a Bolívia".
Quando "Butch Cassidy and the Sundance Kid " estreou, em 1969, o western como género cinematográfico dominante estava a entrar em eclipse, e não iria ressurgir durante muitos anos, embora ninguém soubesse disso na altura. Apenas John Wayne, com o sentimental "True Grit" (1969) tornou-se no favorito para ganhar o Óscar de Melhor Actor nesse ano, continuaria a entrar em westerns regularmente. Mas mesmo estes filmes que restavam eram tocados por uma consciência da doença que o perseguia, e que lhe levaria a vida em 1979. Os tempos tinham mudado, a percepção da história foi-se alterando, e as antigas mitologias do western já não resultavam mais. Numa época de rebeldião contra-cultural e protesto anti-governamental, filmes como "Bonnie & Clyde" (1967), de Arthur Penn, transformaram o criminoso no herói fora da lei, o rebelde simpático que tentava fugir da tirania da sociedade e da autoridade opressiva. Neste ambiente, surgiram dois westerns com abordagens decididamente diferentes de tudo o que havia sido feito antes.
O primeiro foi "The Wild Bunch" (1969), de Sam Peckinpah, um banho de sangue nos últimos dias do Velho Oeste, que juntamente com as transmissões da guerra do Vietname, mudaram para sempre a nossa consciência sobre violência no ecrã. O outro foi, "Butch Cassidy and the Sundance Kid", feito num momento em que a sociedade se estava a aproximar dos heróis, selando o seu inevitável destino. Também eram uma lufada de ar fresco no western convencional, que de certa forma reafirmavam a nossa identificação com o género, com personagens que pareciam mais do nosso tempo do que foram do passado. Onde Peckinpah e Penn mostraram os seus personagens a morrerem de horríveis mortes sangrentas, em câmara lenta, chocante, mas estranhamente românticas, George Roy Hill, neste "Butch Cassidy and the Sundance Kid ", congelou o quadro final, antes da morte da dupla de bandidos, interrompendo a tempo a sua amizade afectuosa e divertida, bem como a lenda. Nostálgia e sátira, detalhes históricos e sensibilidades modernas, uma lamentação por tempos perdidos e uma sentido cómico contemporâneo. "Butch Cassidy and the Sundance Kid" tinha tudo isto, e a audiência adorou.
Com críticas medíocres na estreia, "Butch Cassidy and the Sundance Kid" tornou-se num fenómeno no boca a boca, impulsionando a carreira de todos os envolvidos. Paul Newman já era uma estrela, mas encontrou aqui uma nova geração de fãs, conseguindo ainda o seu primeiro grande sucesso num papel cómico. Robert Redford, que até aqui era apenas mais um protagonista conseguiu alcançar o estrelato graças ao seu talento.  William Goldman estabeleceu-se como um argumentista de sucesso com o seu primeiro argumento importante, vencendo um Óscar com este filme, e George Roy Hill, ganhou mais controle sobre os seus trabalhos. Quatro anos mais tarde, este trio formado por Hill - Redford - Newman voltariam a reunir-se para mais um filme de sucesso, chamado "The Sting". Hill também voltaria a trabalhar com os dois actores em separado.

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domingo, 29 de outubro de 2017

A Guerra Secreta de Harry Frigg (The Secret War of Harry Frigg) 1968

Quando cinco generais aliados são capturados pelos alemães, são levados para a mansão da Condessa Francesca De Montefiore (Sylva Koscina), onde serão mantidos prisioneiros no estilo de vida que merecem. Infelizmente, como são todos generais de uma estrela, não conseguem concordar com os outros num plano para fuga. A solução é enviar para lá o rebelde soldado Harry Frigg (Paul Newman), especialista em fugas, para ajudar os generais a fugir. O problema é que ele quando chega à mansão, conhece a condessa  Francesca De Montefiore, e já não quer saír de lá.
Os primeiros vinte minutos de "The Secret War of Harry Frigg" são um pouco difíceis, porque mostram Paul Newman no seu pior. Simplificando, Paul Newman dá o seu melhor, mas ele não consegue fazer de burro, e embora consiga fazer da comédia charme não é num papel destes cheio de maneirismos. As boas noticias são que depois destes vinte minutos as coisas melhoram. Primeiro pelas discussões divertidas entre estes cinco generais, depois pela chegada de Frigg, que em vez de tentar escapar vai tentar atrasar a fuga, para chegar mais perto da Condessa.
Uma comédia de guerra realizada por Jack Smight, que já tinha trabalhado com Paul Newman em "Harper", e aqui volta a trabalhar num filme que não é mais do que um veículo para o actor. Foi dos poucos flops de Newman nos anos sessenta, mas mesmo assim alcançou um sucesso razoável nas bilheteiras norte americanas.

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O Presidiário (Cool Hand Luke) 1967

"Há estrelas e há actores como Paul Newman, cuja presença icónica e penetrantes olhos azuis transcendem regularmente até o melhor trabalho em que trabalham. A postura galharda de "O Presidiário" pode oscilar de vez em quando, mas a magnética personalidade de Newman empresta ao filme o peso que a sua história relativamente simples luta nobremente por suportar. Filmado num impressionante ecrã largo (o melhor a captar o brilho do sol e os prisioneiros, ligados por correntes, luzidios de suor e sem camisa), o filme de Stuart Rosenborg vacila ambiciosamente entre uma história francamente anti-autoritária e uma grande lenda "macho" para acabar numa curiosa e incompleta alegoria de Cristo.
O facto de a película se afundar desajeitadamente a meio caminho não deve surpreender ninguém, mas "O Presidiário" continua mesmo assim a prender a atenção. Newman interpreta um homem comum enigmaticamente recalcitrante, Lucas "Cool Hand" Jackson (Luke) atirado para o presídio por cortar, em rebeldia, os topos dos paquímetros. Uma vez encarcerado ele colide, sem surpresa, com um sistema de regras ainda mais teimoso e, à medida que o seu estoicismo perturbador se torna mais disruptivo, as punições que lhe são infligidas tornam-se mais severas. Cheio de diálogos citáveis e sequências memoráveis, "O Presidiário" existe como uma obra icónica em si mesma, decepcionamtemente ligeira em significado, mas cheia, de modo definitivo, de significação cultural (contracultural).
Efectivamente, várias frases do filme entraram no léxico do cinema (a ameaçadora declaração discreta: "o que temos aqui é um problema de comunicação", por exemplo) enquanto cenas como a aposta de comer ovos e uma batalha a murro no átrio da prisão são a essência da lenda do cinema. Uma grande parte do charme considerável de "O Presidiário" deriva de um colorido elenco de actores secundários, um contingente de faces jovens que um jovem Dennis Hopper, Harry Dean Stanton, e George Kennedy como o rival de Newman, depois o seu braço-direito.
Kennedy levou para casa o Óscar de Melhor Actor Secundário pelo seu retrato de Dragline, o definitivo duro ingénuo. Mas no coração do filme está o desempenho tranquilamente carismático de Newman, que mostrou o actor no topo do seu jogo e propulsionou para o topo a sua popularidade. Comparado com o desempenho super-activo de Jack Nicholson no estranhamente similar "Voando Sobre um Ninho de Cucos", Newman em "O Presidiário" é todo subtileza, sorrisos sabedores e confiança" Texto de Josha Klein.

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sábado, 28 de outubro de 2017

Um Homem (Hombre) 1967

"Paul Newman é um homem branco raptado em criança pelos Apaches e criado com os da sua raça.Tendo herdado a pobreza e regressado aos brancos, descobre-se numa diligência no Novo México com um grupo variado que incluí Diane Cilento como uma viúva divertida, Fredric March como um corrupto agente dos assuntos indios, e Martim Balsam como o cocheiro mexicano da diligência. A meio da jornada são assaltados por um bando ligado a outro passageiro, Richard Boone. Newman, demonstrando o seu treinamento Apache, mata dois dos bandoleiros mas não vê razão para dar mais assistência aos viajantes, já que alguns deles deixaram claro o seu ódio pelos índios.
"Um Homem", de Martin Ritt, exibe muito do sentimento liberal que se tornou um lugar-comum nos westerns dos anos sessenta e depois, mas a retórica fica em segundo plano relativamente ao agravar das tensões entre as personagens, à medida que o jogo do gato e do rato entre o bando e os seus prisioneiros se desenvolve. Newman é excelente como um John Russell gelidamente autocontrolado, cuja dualidade ética lhe dá uma visão muito especial do preconceito racial, e Richard Boone, como o seu adversário, afasta-se jovialmente da hipocrisia dos cidadões mais respeitáveis." Texto de Edward Buscombe  
O elenco de luxo contém ainda nomes como Cameron Mitchell, Barbara Rush e Frank Silvera.

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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Cortina Rasgada (Torn Curtain) 1966

O professor Michael Armstrong dirige-se para Copenhaga, para acompanhar uma conferência de física com a sua assistente / noiva Sarah Sherman. Quando lá chegam Michael diz-lhe para ela regressar e ele deve ficar mais algum tempo. Ela segue-o, e descobre que ele está a ir para a Alemanha oriental, para trás da cortina de ferro, e fica chocada quando descobre que ele está a desertar para o oriente depois do governo ter cancelado o seu processo de pesquisa. Mas ele não está a fugir mas sim à procura de um famoso cientista da alemanha oriental.
Quando Alfred Hitchcock começou o seu 50º filme, "Torn Curtain" (1966), deveria estar no auge da sua carreira. Depois de quatro décadas como realizador, os seus filmes ainda eram populares, os críticos franceses proclamavam-no como um grande artista, e alguns críticos americanos começavam a concordar com a sua brilhante gestão da carreira. No entanto, ao começar a juntar as idéias para "Torn Curtain", sentiu-se inseguro. "The Birds" (1963), apesar de popular, tinha ficado longe do êxito de "Psycho" (1960), e o seu próximo filme "Marnie" (1964) tinha sido um desastre a nível de público e crítica. Temendo que estivesse a perder o toque, Hitchcock permitiu que a Universal fizesse mais e mais exigências para que o filme fosse um sucesso.
A idéia para este filme era interessante. Depois do casal de espiões Burgess e MacLean terem sido capturados, em 1951, estava na altura de passar a história para a grande tela, quando se estava no auge dos filmes de espionagem, e James Bond era um êxito garantido, o que fazia desta altura a ideal. Mas Hitchcock estava longe de querer fazer uma réplica das aventuras de 007.  Ele queria revelar o lado sombrio da espionagem, queria fazer o "homem médio" americano fazer-se sentir um espião, e o quanto sujo este trabalho era.
Hitchcock não ficou contente com as escolhas de casting, mas acabou por acatar as ordens da Universal: Paul Newman e Julie Andrews, duas estrelas maiores na década de sessenta. Newman aborreceu Hitchcock, pela forma como se comportou num jantar em sua casa. Enviou-lhe um memorando detalhando em três páginas problemas do argumento. Como o peso das duas estrelas principais levava logo grande parte do orçamento do filme, houve dificuldade em encontrar um resto do elenco decente.
Os críticos não mantiveram "Torn Curtain" em grande estima, mas, ainda assim, seria o maior êxito do realizador desde "Psycho". Mas ficava o aviso que provavelmente não era boa idéia vergar-se às ordens dos grandes estúdios.

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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Harper, Detective Privado (Harper) 1966

Lew Harper é um investigador privado de Los Angeles cujo casamento com Susan Harper, que ele ainda ama, está em vias de chegar ao fim, porque ela não suporta vir em segundo lugar, depois do seu trabalho. A sua última cliente é Elaine Sampson, que quer que ele encontre o seu marido, desaparecido faz 24 horas, logo depois de chegar ao aeroporto de Van Nuys, em Vegas. Ninguém parece gostar de Ralph, incluindo a sua esposa, que acredita que ele está com outra mulher. Seja como for, o trabalho de Lew éncontrá-lo, e ao mesmo tempo tentar salvar o que resta do seu casamento.
Paul Newman a assumir o papel de um detective privado que tenta encontrar um milionário desaparecido no meio da vida exuberante de Los Angeles. O resultado seria um sucesso memorável, e um dos maiores sucessos de Newman nos anos sessenta, que ajudava a estabelecer a sua reputação de actores mais cool da grande tela. 
Harper ficou conhecido no mundo como Lew Archer, o herói de uma séries de livros iniciados pelo escritor de mistério Ross Macdonald, com o primeiro livro a chamar-se "The Moving Target". A série seria aclamada por adicionar uma grande densidade psicológica aos livros de detectives, e fez de Macdonald um dos escritores de maior sucesso das novelas de mistério, com o seu nome a ser colocado ao lado de outros como Dashiell Hammett ou Raymond Chandler.
Isso não impediu Newman de mudar o nome ao famoso detective de Macdonald, impulsionado pelo facto dos seus dois filmes de maior sucesso começarem pela letra "H", "Hud" e "The Hustler", Newman pediu que o nome do seu detective fosse alterado de Archer para Harper. Para além deste pormenor, o filme ficou fiel ao livro de Macdonald, e ajudou a trazer novos leitores para o escritor. O papel ficou tão associado a Newman que ele entraria numa sequele nove anos depois, "The Drowing Pool". 
"Harper" também mostrou respeito pelos filmes noir do passado, onde vai buscar inspiração, principalmente na escolha da actriz que interpreta a Mrs. Sampson, Laureen Bacall. O elenco conta ainda como nomes como Arthur Hill, Julie Harris, Janet Leigh, Shelley Winters e Robert Wagner.

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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Ultraje (The Outrage) 1964

Numa estação ferroviária do sudoeste americano na década de 1870, três homens: um ex-presidiário, um padre e um prospector, trocam histórias sobre o julgamento de um criminoso mexicano, condenado à forca pela violação a uma mulher e o assassinato do seu marido. Três testemunhas estão nesse julgamento, o acusado, a vítima e um velho índio, que contam versões amplamente divergentes sobre o que aconteceu, e pelo que os homens falam na estação, há mais versões. Na restituição do incidente, que vai do realismo ao humor físico, a natureza da verdade e a natureza humana são examinadas. 
"The Outrage" (1964) é um remake de um conhecido filme de grande realizador japonês, Akira Kurosawa: "Rashomon" (1950), que ganhou um Óscar para melhor filme em língua estrangeira. Os argumentistas Michael e Fay Kanin transformam a história numa peça, mantendo o cenário medieval. Durante a sua exibição nos palcos em 1959, Rod Steiger interpretava o violador, e a sua então esposa Claire Bloom, era a mulher enganada. Esta versão cinematográfica era transportada para o grande ecrã por Michael Kanin, com Martin Ritt atrás das câmaras, mundando-se o cenário para o velho Oeste, e a personagem do samurai para um fora da lei do sul da fronteira, entregando-se o papel principal a uma estrela da bilheteira, Paul Newman. Ao seu lado estava um elenco recheado de estrelas: Laurence Harvey, Claire Bloom, Edward G. Robinson e William Shatner. 
Curiosamente, "The Outrage" era um dos filmes preferidos de Newman, que foi um papel onde ele investiu muito para expandir os seus horizontes além das personagens americanas urbanas, com as quais ele era mais conhecido. O actor viajou para o México, e esteve um tempo considerável entre a população daquele país, como forma de se preparar para esta personagem, e aprender o sotaque. A maioria dos críticos considerou que a sua interpretação era de tal forma exagerada e o seu sotaque tão forçado, que quase se podia considerar uma paródia aos vilões mexicanos. No entanto, Newman continuou a considerar este um dos seus melhores desempenhos, provavelmente por causa da sua atração pela bravura da personagem.

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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Hud: O Mais Selvagem Entre Mil (Hud) 1963

Hud Bannon (Paul Newman), é um jovem implacável que deixa marcas em tudo o que toca. Hud representa a encarnação perfeita da juventude em fúria, capaz de entrar em qualquer briga sem medir as consequências. Há um amargo conflito entre o insensível Hud e o seu pai Homer, um homem severo e altamente fundamentado. O sobrinho de Hud, Lon, admira a rebeldia de Hud, embora se dê conta da amoralidade que acompanha o seu tio. 
Protagonistas pouco simpáticos nunca foram estranhos para os ecrãs americanos quando "Hud" viu a luz do dia, em 1963. Na década de 30, James Cagney tinha construído uma carreira à custa de criminosos carismáticos, e Clark Gable (cujos primeiras obras inspiraram Martin Ritt e os argumentistas deste filme) muitas vezes interpretava personagens que se encontravam do lado errado da lei. Mas como Ritt observava, Gable era sempre convertido perto do final do filme, e sobrevivia, e os personagens de Cagney, bem mais perversos e brutais, acabavam por ser punidos ou mortos. Parecia que o cinema americano não estava disposto a apresentar um rebelde que não estivesse disposto a se apresentar e curar, até que apareceu "Hud", apresentando um personagem amoral do princípio ao fim do filme.
"Hud" também abordava uma mudança na sociedade americana, e um novo cinismo sobre o nosso modo de vida, e as pessoas que nela alcançam sucesso. Na história, o velho Homer Bannon,,um rancheiro respeitável e com princípios, cujo mundo desmorona em torno dele, adverte o seu neto sobre os perigos de admirar o seu outro filho, Hud. Homer diz-lhe que a nossa percepção do mundo muda conforme as pessoas que admiramos, adivinhando a queda da inocência do jovem e um passo para o que muitos vêm como a sociedade corporativa, cada vez mais popular.
"Hud" era um de vários westerns modernos, que lamentavam a morte do mundo aberto e livre do velho Oeste, e os seus códigos de ética. Filmes como "The Lusty Men" (1952) e "Lonely Are the Brave" (1962), eram centrados na figura de um robusto herói masculino individualista destruído por um mundo que o deixava para trás, com pressa em direcção ao progresso. Mas neste fillme, é esse robusto individualista que se recusa a comprometer-se, o que é mostrado como a sua força mais destruidora. 
O que era mais incrível nesta caracterização, foi o facto de ter levado à tela a estrela mais popular dos seus dias, Paul Newman, e era apresentado com desempenhos sensíveis e atraentes, não só da parte de Newman como também do restante elenco (Patricia Neal e Melvyn Douglas ganharam Óscares). Newman ficou consternado ao ver como os mais jovens receberam o filme. Em vez de odiarem Hud viram nele uma personagem carismática e atraente, transformando-se num ídolo para a juventude transviada. Martin Ritt, o realizador, não gostou do que viu, e considerou ter cometido um erro na sua representação. A história estava prestes a ultrapassar as exigências morais do cinema, sinais de que o cinismo, e o respeito pelos egoístas estavam a tornar-se nos novos padrões.

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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Noites de Paris (Paris Blues) 1961

Ram Bowen e Eddie Cook são dois músicos de jazz a viverem em França, onde, ao contrário dos EUA na altura, os músicos de jazz tinham valor e o racismo não era um problema. Quando eles conhecem e se apaixonam por duas jovens americanas, Lillian e Connie, que estão de férias em França, devem decidir se devem voltar aos EUA com elas ou se devem ficar em Paris, pela liberdade que esta lhes permite. Ram, quer ser um compositor reconhecido, acha Paris demasiado excitante, e está relutante em abandonar a cidade por uma relação, e Eddie quer ficar pela atmosfera racial mais tolerante da cidade.
Martin Ritt fez uma série de dramas sociais discretos, entre os quais este "Paris Blues", uma obra fascinante sobre a era do Jazz, com uma banda sonora brilhante, onde expatriados americanos sobrevivem em Paris a tocar jazz. Louis Armstrong faz também uma aparição como a super estrela do jazz Wild Man Moore.
Há três elementos que definem o filme: a música, os cenários, e a abordagem directa ao racismo americano, sendo a banda sonora de Duke Ellington nomeada para o Óscar. Esta era também a segunda colaboração de Martin Ritt com ambos os protagonistas, Paul Newman e Sidney Poitier. O retrato de Paul Newman sobre o jovem "músico de jazz hipster" é muito poderoso. Uma das partes mais interessantes do filme é ouvir Paul Newman a usar a gíria, agora intemporal, do músico de jazz americano. Globalmente o filme é puro entretenimento.

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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

A Vida é um Jogo (The Hustler) 1961

"Em "A Vida é um Jogo", Paul Newman representa Fast Eddie Felson, um "tubarão" atrevido do bilhar, que gasta o seu tempo vagueando de mesa em mesa à procura de alguns papalvos para depenar. O empresário, género abutre, personificado por George C. Scott, vê um filão em Eddie, e tenta ensinar-lhe que manter o sangue frio é a chave para ganhar, mas Newman descobre da pior maneira que permanecer cool também significa excluir tudo e todos da sua vida excepto a mesa de bilhar e o homem que se tenta bater.
Fora os espectaculares planos de ecrã largo a preto e branco das fumarentas salas de bilhar, "A Vida é um Jogo" é um filme sobre pessoas e, como tal, apresenta um arsenal de desempenhos impressionantes.  Com Newman e Scott está o lacónico Jackie Gleason, e a patética Piper Laurie que se torna o interesse amoroso, maldito e alcóolico de Newman (embora amor seja uma palavra demasiado forte para descrever o que eles partiilham). O filme de Robert Rossen continua a ser um dos retratos mais notáveis e cínicos da natureza humana já feitos, uma descrição gelada de um mundo onde a lealdade dura o tempo de uma jogada ganhadora, e onde a vitória nem sempre se distingue da derrota." Texto de Joshua Klein
Venceu dois óscares, num total de nove nomeações, com destaque para os actores, que arrecadaram quatro nomeações: Paul Newman, Piper Laurie, Jackie Gleason e George C. Scott, que recusou a nomeação por considerar que os actores não podiam competir uns com os outros, a não ser que estivessem a interpretar o mesmo papel. Mais tarde recusou o Óscar em "Patton" pelas mesmas razões.

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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Exodus (Exodus) 1960

Judeus sobreviventes do Holocausto tentam emigrar para a Palestina, então sobre controle britânico. Estes, no entanto, restringem a migração apreendendo os navios que transportam os judeus e confinando-os no Chipre. Um combatente da Haganá, Ari Ben Canaan, é enviado ao local para fazer o que for necessário para que 611 passageiros cheguem a Palestina. O plano é descoberto instantes antes do navio zarpar. A maioria dos passageiros recusam-se a regressar ao confinamento, permanecem a bordo do Exodus, novo nome dado por eles ao navio, e iniciam uma greve de fome.
Baseado no best seller de Leon Uris, Exodus (1960) concentra-se no nascimento de Israel depois da Segunda Guerra Mundial. Centra-se em Ari Ben Canaan, um líder da resistência israelita que tenta ajudar um grupo de 600 judeus que tentam escapar de um bloqueio britânico para a palestina.
Otto Preminger, o realizador, era um homem que gostava de controvérsia, e desde o inicio que esta adaptação do livro de Leon Uris tinha os seus detratores. Primeiro Preminger decidiu descartar o argumento de Uris, porque considerava que o autor não podia escrever os diálogos, o que foi causar uma enorme controvérsia entre os dois durante anos. Depois convidou Albert Maltz, um argumentista da lista negra para escrever o argumento, mas este entregou-lhe uma versão de 400 páginas. O trabalho final iria parar às mãos de Dalton Trumbo, mais um da lista negra, que escrevia o argumento com o seu próprio nome. Mais ou menos na mesma altura, Kirk Douglas contratou Trumbo para escrever "Spartacus", e seria o reaparecimento de Trumbo que acabaria com o poder da Lista Negra.
Paul Newman, o protagonista, e Otto Preminger, o realizador, tinham dois estilos muito diferentes de trabalhar. Newman gostava de discutir as motivações do seu personagem com o realizador, mas este queria que Newman só fizesse o que ele lhe mandava. Um dia Newman entregou várias páginas de notas a Preminger, ao que este respondeu: "If you were directing the picture, you would use them. As I am directing the picture, I shan't use them."
A natureza não comprometedora de Preminger foi bem escolhida para esta produção específica. Havia discussões contra o filme pelos líderes de Israel, onde foi filmado em exteriores, assim como por líderes de grupos de terroristas, que levaram Preminger a enfrentar grandes pressões, e críticas à produção. Na sua autobiografia Preminger disse: "I think that my picture...is much closer to the truth, and to the historic facts, than is the book. It also avoids propaganda. It's an American picture, after all, that tries to tell the story, giving both sides a chance to plead their case." 

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Milionários de Filadélfia (The Young Philadelphians) 1959

O futuro advogado Anthony Lawrence enfrenta vários dilemas éticos e emocionais, enquanto escala a escada social de Filadélfia. As suas habilidades pessoais e profissionais são testadas quando ele tenta equilibrar as necessidades da sua noiva Joan, as expectativas dos seus colegas e a sua própria obrigação de defender o seu amigo Charlie, acusado de um crime.
A nova e a velha Hollywood encontram-se em 1959, num relato de sexo, pecado e escândalo, na cidade do amor fraternal. De um lado estavam os veteranos, como o realizador Vincent Sherman, A estrela dos anos quarenta Alexis Smith, e Billie Burke, que entrava no seu primeiro filme em seis anos. Representando os jovens encontrávamos a nova estrela Paul Newman, a protagonista Barbara Rush, Robert Vaughn, e Adam West, um futuro Batman no seu papel de estreia. Estas gerações misturam-se perfeitamente, alimentando o estatuto de ídolo de Paul Newman. 
Newman estava interessado em muito mais do que isso. Na verdade ele foi obrigado a fazer o filme, sob contracto com a Warner Bros, que tinha assinado quando começou a fazer filmes em 1955. Embora tivesse sido nomeado ao Óscar no ano anterior graças ao seu filme "Cat on a Hot Tin Roof", não estava feliz com a maior parte dos trabalhos, e pretendia voltar para os palcos. A única forma de o poder fazer, era fazer outro filme para a Warner Bros. Mas apesar do seu desapontamento com Hollywood, deu o melhor de si em "The Young Philadelphians", criando um retrato memorável de um jovem que faria qualquer coisa para chegar ao topo, incluindo dormir com a esposa do seu chefe.
Para Sherman marcava o regresso de Sherman à Warner Bros, depois de oito anos sem sequer falar com o chefe do estúdio, Jack Warner. Depois de trabalhar como freelancer no inicio dos anos cinquenta, Sherman esteve sem trabalhar durante quatro anos. Quanto a Robert Vaughn tinha acabado de ser protagonista de um filme de série B de Roger Corman, "Teenage Caveman", para no ano seguinte aparecer como um dos "Sete Magníficos", de John Stu
rges. Vaugh seria um dos grandes destaques deste "The Young Philadelphians", conseguindo uma nomeação para o Óscar. A única deste filme.

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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Vício de Matar (The Left Handed Gun) 1958

William Bonney - Billy the Kid - consegue um trabalho como vaqueiro para um criador de gado conhecido como "The Englishman", um homem pacífico e religioso. Quando um xerife com más intenções e os seus homens matam "The Englishman" porque ele pretendia fornecer o forte local do exército com a sua carne, Billy pretende vingar a morte do amigo, matando os quatro homens responsáveis, e envolvendo toda a gente em redor: Tom e Charlie, dois amigos com quem trabalha; Pat Garret, que está prestes a se casar; e um gentil casal mexicano que o abriga quando está metido em sarilhos.
Um western completamente único, que se situa entre o peculiar e o profético, "The Left-Handed Gun" (1958), marcava a estreia na realização de Arthur Penn, e elevava Paul Newman, que até então era mais visto como um actor bonito, a um estatuto mais sério. 
Baseado numa história para televisão de Gore Vidal, oferece-nos uma nova abordagem para a lenda e a vida do pistoleiro conhecido como William "Billy the Kid" Bonney, tratando-o mais como um jovem problemático do que como um desesperado sanguinário. Superficialmente parece um western tradicional, mas as suas armadilhas de filme de cowboys são ultrapassadas pela interpretação de Paul Newman. Acabado de saír das formação no Actor's Studio, Newman (que tinha participado na versão televisiva desta história), desafia as convenções do western, contorcendo-se em poses de angústia interna. O seu colega do Método James Dean tinha mostrado interesse em interpretar Billy the Kid, e quase podemos ver a sua angustia na interpretação atormentada de Newman no papel principal.
Não foi muito bem recebido na américa, mas foi na Europa, principalmente durante a década de setenta, quando as audiências começaram a aceitar estes filmes estilizados. 

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