quinta-feira, 24 de julho de 2014

O Gato Preto (Kuroneko) 1968



Uma mulher e a sua afilhada são violadas e assassinadas por um grupo de samurais, durante a guerra civil. Pouco tempo depois, uma série de samurais regressados da guerra a essa área, são encontrados mortos com a garganta rasgada. O governador chama um jovem herói para acabar com o que aparentemente é um fantasma. Ele acaba por encontrar as duas belas mulheres, e depois de uma purificação espiritual vai envolver-se num duelo emocionante com um demónio.
Em parte baseado numa história do folclore japonês chamada "A Vingança do Gato", este filme de Kaneto Shindô é provavelmente a entrada definitiva do bakeneko (gato-demónio), sub-género do cinema de terror japonês, que também contava com obras como "Ghost Cat of Nabeshime" (1949) de Kunio Watanabe, "Ghost Cat of Arima Palace" (1953) de Ryohei Arai, ou "The Mansion of the Ghost Cat" (1958), de Nakagawa, obviamente traduzidos para inglês. As tradições teatrais japonesas estão no core deste clássico "kaidan eiga", com fortes elementos do teatro de Noh em algumas encenações e coreografias, assim como uma clara influência de Kabuki nas acrobacias e nos espíritos dos gatos.
Além de enraizado no antigo folclore japonês, é um filme envolvido tanto no tormento psicológico como na vingança do outro mundo. É portanto, um desvio significativo em relação à maioria dos filmes do realizador, que são elogiados pelo realismo do pós-guerra e forte crítica social. O historiador do cinema japonês Donald Richie descreveu Shindo como um "dos melhores pictorialistas do Japão", uma afirmação bastante apoiada por este filme, filmado elegantemente num visceral e expressionista preto e branco, é mais um filme arrebatador visualmente, cuja estética ajuda a completar um conto (talvez excessivamente) familiar de amor, perda e vingança.
Muito mais um filme de terror do que "Onibaba", do mesmo realizador, com as suas duas belas mulheres, e elementos do vampirismo e a mudança sobrenatural de forma, foi ignorado injustamente durante muito tempo, talvez devido ao crescimento dos filmes de monstros do Japão, mas com o tempo foi-lhe reconhecido o valor. 

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Kwaidan (Kaidan) 1964



Um filme que contém quatro histórias distintas: "Black Hair", onde um pobre samurai se divorcia do seu verdadeiro amor para casar por dinheiro, mas tem um casamento desastroso acabando por voltar à sua antiga esposa, para descobrir algo de terrível sobre ela. "The Woman in the Snow": preso numa tempestade de neve um lenhador encontra um espírito da neve na forma de uma mulher, que lhe poupa a vida na condição de ele não contar a ninguém o que viu. Passam-se 10 anos, e ele esquece-se da promessa... "Hoichi the Earless": Hoichi é um músico cego a viver num mosteiro, que canta tão bem que até uma corte real fantasmagórica lhe ordena para cantar uma balada épica da sua morte, para eles. Por fim temos  "In a Cup of Tea", onde um escritor conta a história de um homem que vê refletida na sua chávena de chá a face de um homem.
É irónico que o autor das mais conhecidas e respeitadas histórias de fantasmas japoneses, não seja sequer japonês. Nascido na Grécia, filho de pais gregos/irlandeses, imigrado para os Estados Unidos com a idade de 19, Lafcadio Hearn trabalhou alguns anos como jornalista, em Cincinnati e New Orleans. Mais tarde apaixonou-se pelo Japão, e pelo modo de vida japonês, tendo-se mudado para aí e criado uma família. Continuou a escrever sobre uma enorme variedade de assuntos, alguns dos quais a serem adaptações em prosa dos contos sobrenaturais do folclore japonês. 60 anos depois da sua morte, o realizador Masaki  Kobayashi fez um filme sobre quatros das histórias deste autor. O resultado chamou-se "Kwaidan", literalmente "histórias de fantasmas", hoje em dia celebrado como um dos filmes mais importantes a saír do Japão nos anos sessenta.
As histórias são na sua maioria simples de estrutura (reflectindo a sua pouca duração literária), tal como devem ser as histórias de ficção e horror. Depois de tantos anos passados, e das histórias terem percorrido o Oriente e o Ocidente, continuam a ser tão assustadoras como eram antes. Por vezes surreal na sua evocação de acordar de um pesadelo, o drama é frequentemente expressionista, na exteriorização da angústia mental dos seus personagens. Visualmente o filme é impressionante, de uma beleza tão assombrosa que é de tirar o fôlego. A fotografia de Yoshio Miyajima, e a direção de arte de Shegemasu Toda servem a história em atmosfera, por vezes numa forma semi-abstracta ou simbólica.
"Kwaidan" é um filme difícil de classificar, e é um exemplo interessante das tentativas infrutíferas de tentar classificar um filme num determinado género. Inclui alguns elementos de terror e sobrenatural, mas também é um notável filme romântico, e por vezes estes tons conflitantes são montados em contraste um com o outro. No fim de contas, não são as histórias em si, mas o modo como elas são contadas, que fazem de "Kwaidan" um filme tão magnífico. Combinando a majestosa ópera com o minimalismo de uma peça de teatro.
"Kwaidan" foi originalmente lançado no Oeste numa versão de 125 minutos, mas fez-se uma restauração que lhe devolveu os 164 minutos originais. É essa a versão deste post.
Conseguiu uma nomeação para um Óscar de Melhor Filme em língua estrangeira.
Legendado em inglês.

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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Onibaba (Onibaba) 1964



Uma velha mulher e a sua afilhada ganham a vida a matar samurais rebeldes, atirando o seu corpo para um grande buraco, para depois vender os seus pertences. Quando Hachi (um amigo do marido morto da jovem), regressa da guerra, começa uma relação aberta com a rapariga, causando que a jovem passe menos tempo com a velha, que se sente abandonada...
"Onibaba", de Kaneto Shindô, foi feito de forma independente, fora do sistema de estúdio japonês, e é um melodrama de terror atmosférico, com base num antigo conto popular budista. Passado no período feudal do Japão, conta a histórias de pessoas desesperadas, a tentar não apenas permanecer vivas num mundo de caos, como também tentando manter uma aparência de humanidade. Sentimentos e sexualidade são o coração da história,  com os instintos básicos - não só a fisicalidade animalesca mas também a necessidade de ligação - são o último refugio dos personagens.
Shindo teve a idéia brilhante de fazer o filme no meio das canas altas de Suski, que teve um efeito intenso na narrativa. É passado no tempo da guerra, e há até mesmo a sugestão da destruição quase apocalíptica, porque nunca vemos quaisqueres sinais genuínos de civilização, apenas os seus restos espalhados. O campo serve para isolar os personagens, criando uma espécie de microcosmos de humanidade que é, para todos os efeitos, tirado da guerra do mundo exterior.
A um nível puramente estético, "Onibaba" é uma excelente peça de cinema, enquanto Shindo carrega a sexualidade na mise-en-scene, em tudo, desde as folhas a balançar, o esvoaçar dos pássaros, ao nascer da lua. Há muito pouco diálogo, de modo que os recursos visuais são muito mais importantes, tanto narrativamente como simbolicamente. A atmosfera estranhamente atraente é agravada por uma partitura musical de Hikaru Hayashi que se articula de uma mistura de jazz livre com batidas tribais e vozes humanas que soam como gritos de uma sessão de tortura.

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terça-feira, 22 de julho de 2014

Jigoku (Jigoku) 1960



Jigoku conta a história do jovem Shiro, e do seu melhor amigo Tamura, que vão passear à noite de carro, e acidentalmente atropelam um bêbado. Secretamente eles deixam o corpo no local e fogem. Um gesto que vai levar Shiro e a namorada até às profundezas do inferno.
Os trabalhos de H.G. Lewis e do brasileiro Zé do Caixão são muitas vezes citados como os primeiros filmes Gore. A sua influência no género é inegável, mas Jigoku ainda precede, no tempo, filmes como "Bood Feast", o primeiro marco no género. A tradução de Jigoku é "inferno", e é exactamente aí que o realizador Nobuo Nakagawa nos leva, neste jogo de moralidade ilusória. Seguimos um homem através de vários infernos. O primeiro é vivido acima do subsolo, enquanto o outro é mais tradicional, um mundo cheiro de fogo e enxofre.
Muitos artistas tentaram visualizar o que o inferno seria. As pinturas de Hieronymus Bosch e Francis Bacon são talvez as visões mais conhecidas, e mais respeitadas, e nota-se a influência destes pintores no filme de Nakagawa. Também podemos encontrar algumas imagens clássicas do folclore japonês, e o estílo ímpar das suas histórias de fantasmas, assim como os tradicionais trajes dos senhores feudais. O inferno em "Jigoku" é uma paisagem de pesadelo, muito dos efeitos especiais que Nakagawa emprega preveem a estética psicadélica que apareceria no final da década de sessenta. No início do filme, o pai de Yukiko faz um discurso sobre as diversas versões do Inferno que existe no mundo religioso, mas foca-se mais na visão budista. O inferno aqui é como um sonho do qual não podemos saír. Qual mais viajamos menor é realmente a distância que precorremos. Não há nenhum lugar para ir, mas a compulsão de encontrar uma saída é irresistível.
Os últimos quarenta minutos do filme são verdadeiramente notáveis. Parece que pertencem a um filme diferente. A visão de Nakagawa do inferno é um deleite visual. A iluminação é de arregalar os olhos (com abundância das cores verdes e vermelha), os demónios japoneses são assustadores e a violência é extrema. Na altura em que saíu foi um filme chocante.

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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Agosto na Fyodor Books


Durante todos os Sábados do mês de Agosto, vou estar na Fyodor Books, pelas 18h, para apresentar um maravilhoso ciclo de cinema de género italiano.
Ao longo do mês haverá dois ou três convidados especiais, e no dia 23 irá haver uma pequena festa dos seis anos dos thousand movies. Apareçam. 

Quem quiser pode aderir ao evento. Aqui.  

Morada da livraria:

Avenida Óscar Monteiro Torres, n° 13,B,
Campo Pequeno 
1000 Lisboa

The Ghost of Yotsuya (Tôkaidô Yotsuya Kaidan) 1959



Em  "The Ghost of Yotsuya", do realizador Nobuo Nakagawa, temos uma das melhores adaptações do conto de folclore japonês, "Yotsuya Kaiden". O filme é feito como o teatro kabuki, lidando com paixão, infidelidade e vingança, e tal como nas grandes tragédias de Shakespeare há sempre uma tentação nos calcanhares do protagonista, levando-o para um caminho de auto-destruição; e há sempre o traído, um inocente que só tem carinho para dar.
Iemon é um samurai egoísta que não tem problemas em assassinar o pai de Oiwa (a mulher que deseja), para assegurar o casamento. Naosuke, um empregado do assassinado, assiste ao crime, mas faz uma aliança com o criminoso para que possa tirar algum benefício. Depressa Iemon se farta de Oiwa, e começa a deitar os olhos em Oume, a herdeira de um nobre influente. Tenta então matá-la, inventando uma história de que ela tem um caso com o seu massagista, Takuetsu.
Histórias de fantasmas (kaidan) são muito populares na cultura japonesa, e esta é uma das suas mais famosas. Tal como é habitual nos filmes kaidan, perde-se muito tempo na construção do ambiente. Na verdade, neste caso, não é tempo perdido, porque os actos diabólicos de Iemon são suficientes para manter o filme interessante. O climax vai-se construindo até ao terceiro capítulo, e o que vamos testemunhar não vai ser de todo agradável para o protagonista, e nem a sua mente diabólica lhe vai servir para fugir a uma vingança atroz.
A iluminação do filme é impecavelmente feita, e mostra a sensibilidade e a capacidade de Nakagawa de construir um clima de medo. Acima de tudo é um filme sobre atmosfera, imagine-se como seria um filme da Hammer realizado por Hitchcock. A grande opulência da fotografia e da cenografia são muito bem conseguidas, e Nakagawa é um realizador que sabe muito bem quando deve envolver a extravagância, e que sabe quando o ambiente deve passar a ter o papel principal.

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sábado, 19 de julho de 2014

Terror Clássico Japonês

O terror japonês já pode ser encontrado desde o final do século 19, quando curtas como "Jizo the Ghost" ou "Ressurection of a Corpse" foram produzidas, mas o verdadeiro boom deste cinema, só se deu depois do final da Segunda Guerra Mundial. Os filme de terror sempre tenderam reflectir as ansiedades sociais dominantes em certa altura e lugar, onde esses filmes foram produzidos: a corrente do expressionismo alemão é disso um belo exemplo.
O pós-guerra foi um tempo turbulento para o Japão. O país tinha sofrido uma derrota militar humilhante, com baixas catastróficas, 2,7 milhões de mortos, e um grande número de desaparecidos ou feridos. Centenas de milhar faleceram nas obliterações nucleares de Hiroshima e Nagasaki, e a sua radioatividade. Para a derrota ser ainda mais humilhante, nos sete anos posteriores à derrota o Japão foi ocupado pelas tropas americanas, para se prevenirem do rearmamento.
A escala da destruição japonesa encontrou o seu mais óbvio espelho no ciclo de filmes "Kaiju Eiga" (monster movies) dos anos cinquenta, com o primeiro exemplo em "Godzilla", de 1954. Este filme, seguido de tantas sequelas e imitações, encenava a destruição de Tóquio, enquanto que a parada de monstros mutantes simbolizavam a ameaça da radiação, e a poluição ambiental. O medo do apocalipse e da destruição foram sempre uma constante no cinema de terror japonês, desde a segunda grande guerra até aos tempos actuais, enquanto as faces de mulheres assustadas (um sinal comum nas vítimas nucleares), encontraram corpo em certos filmes japoneses de horror da década de 60, como em "Ghost Story of Yotsuya" ou "Onibaba", que iremos ver neste ciclo.
Durante o período da ocupação os valores tradicionais colidiram com as forças de modernização ocidentais. O código Shinto em que a nação tinha sido construída, baseado na ética confucionista e que estabelecia responsabilidades entre o imperador e os seus súbitos, assim como entre membros de uma familia e amigos, foi substituido pelos valores da democracia ocidental, com uma nova ênfase no capitalismo individual. Muitos dos filmes de terror produzidos na década de cinquenta e sessenta dramatizaram esta colisão com o código, a busca egoísta do ganho pessoal, e a ausência de valores colectivos estão na origem de algumas destas histórias de fantasmas.
A estes filme foi dado o nome de Kaidan Eiga (histórias de fantasmas), normalmente baseadas em contos do folclore budista, ou em peças Kabuki. Fiz uma selecção destes filmes, que vos vou mostrar durante a semana.



Aqui ficam os seus nomes.

Segunda: The Ghost of Yotsuya (1959), de Nobuo Nakagawa

Terça: Jigoku (1960), de Nobuo Nakagawa

Quarta: Onibaba (1964), de Kaneto Shindô

Quinta: Kwaidan (1964), de Masaki Kobayashi

Sexta: Kuroneko (1968), de Kaneto Shindô

O Pirata Vermelho (The Crimson Pirate) 1952



Burt Lancaster interpreta um pirata com um gostinho especial por intrigas e por acrobacias, que se envolve numa revolução nas Caraíbas, no final do século 18.Vai envolver-se numa aventura que conta com fugas de prisões, cientistas excêntricos, batalhas navais, e muitas lutas de esgrima.
Fusão muito influente de acção e comédia, usando o cenário da capa e espada como um cenário perfeito para a dupla Burt Lancaster e Nick Cravat espalhar toda a sua magia, e romance. Cravat era um acrobata, companheiro de Lancaster desde os seus tempos de circo, e com quem contracenou em vários filmes.
O argumento de Roland Kibbee não oferece nada de novo em termos de história, é a rotina habitual de traições e alianças que proporcionam as acrobacias do filme, mas há bastante comédia e situações brilhantemente encenadas que nos fazem sentir o filme contemporâneo, talvez porque muitas destas idéias foram copiadas por outros realizadores no futuro.
Este toque moderno, também se deve ao facto dos heróis serem colocados em circunstâncias por vezes ridículas (mais cómicas do que ameaçadoras, tal como nos velos seriais), e ter a habilidade inapta dos personagens resolverem as situações à velocidade da luz. Um exemplo destas situação é quando vamos encontrar três piratas amarrados a um barco, e um tem a idéia de voltar o barco ao contrário para chegar à praia, usando-o como um submarino.
"The Crimson Pirate" não foi uma tentativa de reclamar o trono dos filmes de capa e espada, que nesta altura pertencia a Tyrone Power. Lancaster continuaria a exprimentar vários géneros durante as décadas de cinquenta e sessenta, mas ele parecia agarrado ao conceito de tomar as convenções dos géneros bem familiares aos espectadores, uma audiência cada vez mais aberta aos clichés, para alcançar pessoas de todas as idades.
Com realização de Robert Siodmak, um realizador alemão autor de alguns dos mais belos noirs dos anos quarenta, contava com um elenco interessante, incluindo um Christopher Lee, ainda em início de carreira.

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quinta-feira, 17 de julho de 2014

O Pirata dos Meus Sonhos (The Pirate) 1948



O terceiro filme de Vincente Minneli com a sua mulher, Judy Garland, era uma espécie de aquecimento para "Um Americano em Paris" (1951), mas sem a finesse deste. Passado nas Caraíbas, a acção gira em torno da donzela Manuela (Judy Garland) que anseia por um lendário pirata chamado Macoco, ou Mack, the Black. Mal ela sonha que o homem a quem ela está prometida, Don Pedro Vargas (Walter Slezak), é realmente o próprio Macoco reformado. Um homem que está de olho em Manuela, Serafin (Gene Kelly), vai tentar fazer passar-se por Macoco.
"The Pirate" tem sido um dos musicais mais debatidos a saír dos estúdios da MGM, nos seus anos de ouro. Alguns fãs consideraram-no um dos maiores musicais de todos os tempos, à frente do seu tempo, no que diz respeito a concepção e execução, e desde então tem sido mal compreendido ao longos dos anos. Alguns detratores consideraram-no um filme menor de Minneli, uma obra demasiado auto.consciente, e um filme sobrecarregado pelo drama por detrás dos bastidores.
Com acontece normalmente, a verdade está algures no meio destes dois extremos: o filme mostra o talento visual de Minneli no seu auge (a sua experiência como director de arte está bem aqui bem patente, no design de produção), e há várias sequências de tirar o fôlego (a sequência do ballet pirata é incrível),  mas grande parte do filme também é exagerado.
A música é de Colo Porter, e embora não seja o seu melhor trabalho, mesmo fraco Porter é melhor do que a maioria dos compositores. O destaque vai para a música "Be a Clown", plagiada quatro anos mais tarde para criar "Make ‘Em Laugh", para "Singing in the Rain". interpretada primeiro como uma coreografia atlética de Gene Kelly e os The Nicholas Brothers, e depois como um dueto cómico entre Kelly e Garland.
Foi nomeado para um Óscar de "Best Music, Scoring of a Musical Picture".

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quarta-feira, 16 de julho de 2014

O Pirata Negro (The Black Swan) 1942



Quando o famoso Pirata Henry Morgan (Laid Cragar) é nomeado governador da Jamaica, tenta chegar a acordo com os piratas da região, mas acaba por encontrar alguma resistência em alguns. Entretanto, Jamie Waring (Tyrone Power), um dos seus homens de confiança, apaixona-se pela filha do antigo governador, Margaret (Maureen O'Hara), que o despreza.
Se "The Sea Hawk" era o filme modelo para o velho bom swashbuckler, "The Black Swan" é o seu lascivo irmão mais novo. Interpretado por Tyrone Power, o principal rival de Errol Flynn para os papéis de galã nos filmes de capa e espada, do final dos anos 30, e anos 40, que aqui tem mais uma das suas muitas colaborações com Henry King, "The Black Swan" é mais um filme essencial para esta saga da pirataria. King, um pioneiro do cinema, e um realizador muito pensativo, deixou de lado os pormenores, e reduziu a uma fachada o modelo da dupla Curtiz/Flynn. O tema mais descaradamente retratado, por vezes sugestivamente, mas recorrente nos filmes de Flynn, a dança da sedução perigosa, entre o perigoso bandido e a primeira dama, como é Olivia de Havilland, é aqui transmutado a uma fantasia. Tal como Duelo ao Sol (1948), "The Black Swan" é, no seu caminho tortuoso e sujo, um dos filmes mais bizarros a saír dos grandes estúdios de Hollywood na década de 40. Enquanto "The Sea Hawk" apanhou boleia dos filmes de guerra para navegar por esses ventos, "The Black Swan" era inteiramente uma rejeição da relação contemporânea, excepto talvez na sua celebração agressiva da masculinidade do guerreiro.
Alguns dos filmes que ajudaram a inventar o que mais tarde seria chamado de "estética camp" (e "The Black Swan" certamente que era um deles, ao lado de "Cobra Woman", de Robert Siodmark, e os melodramas de Bette Davis e Joan Crawford), deitaram para fora ansiedades frenéticas, que por vezes podiam ser comparadas com o film noir.
A grande razão pela qual este filme tem tanto entretimento, é pela mistura de humor com acção. Isso muito deve à escolha de Thomas Mitchell como parceiro de Power. De gloriosas lutas de espadas, a canhões explodindo navios, é um dos filmes de mais entretimento das gloriosas aventuras de piratas.

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terça-feira, 15 de julho de 2014

O Gavião dos Mares (The Sea Hawk) 1940



Errol Flynn interpreta um pirata inglês. Num dos seus raids, depois de libertar escravos ingleses detidos pela Espanha, conhece e apaixona-se por uma bela espanhola, Dona Maria Alvarez de Cordoba (Brenda Marshall, cujo tio é Claude Rains) mas, como é natural, ela não quer ter nada a ver com ele. No entanto, quando descobre que ele tem as suas jóias, a sua opinião sobre ele começa a mudar. Eventualmente, ele é "contratado" pela raínha de Inglaterra para atacar navios espanhóis, e derrotar Lord Wolfingham.
Tal como explicam os historiadores Rudy Behlmer e Dr. Lincoln D. Hurst no DVD, "The Sea Hawk" era uma mistura de idéias, embrulhadas numa épica aventura de capa e espada, perfeita: o título vem do romance de Rafael Sabatini, fielmente filmado em 1924, e o argumento funde-o com uma história de Seton I. Miller, com referências não muito leves sobre a II Guerra Mundial, que tinha começado recentemente, e o filme reunia muitos actores populares dos estúdios da Warner Bros, com majestosos cenários ingleses.
Posto de outra forma, era quase uma sequela do filme "The Private Lives of Elizabeth and Essex," onde Elizabeth I (agora interpretada por Flora Robson) recebe a ajuda do corsário Geoffrey Thorpe (uma imagem mais malandra de Essex), para proteger Inglaterra contra o ataque de um diplomata espanhol (uma imagem conivente de Prince John, de "The Adventures of Robin Hood", interpretado pelo mesmo Claude Rains). Enquanto Thorpe depende da ajuda do seu leal companheiro Pitt (uma imagem de Little John de "The Adventures of Robin Hood" interpretado pelo mesmo Alan Hale), a confiança da raínha era depositada em Sir John Burleson (uma imagem de Sir Francis Bacon, de "Elizabeth and Essex")
É impossivel falar de "The Sea Hawk" sem falar dos seus dois irmãos mais velhos: "Captain Blood" e "The Adventures of Robin Hood". Quase toda a gente que trabalhou em "The Sea Hawk" também tinha trabalhado em "The Adventures of Robin Hood", e sabia exactamente o que fazer. "The Sea Hawk" ganha em várias comparações. A batalha naval do início do filme bate tudo o que "Captain Blood" tinha para oferecer. A decisão da Warner para filmar a preto e branco é que talvez tenha sido infeliz. Num mundo fantasista de navios detalhados, e guarda-roupa bastante elaborado, talvez o filme tivesse beneficiado mais sendo a cores, com o mesmo Technicolor usado em "Robin Hood", mas Michael Curtiz sabia como usar o preto e branco, e ainda assim esta obra tem algumas cenas assombrosas.
Historicamente tinha muito mais a ver com a Inglaterra dos anos 40, por causa da sua luta contra os Nazis, do que a luta contra a Espanha de 1585. Era um filme em tempo de guerra, apenas com um cenário diferente dos seus irmãos. Era um filme mais escuro, os seus heróis tinham de se sacrificar mais nas suas guerras, tal como era dito ao povo inglês para se sacrificar contra os alemães. O discurso final da raínha de Inglaterra era um chamar às armas de um povo que estava 400 anos atrasado no tempo.
Foi nomeado para quatro Óscares, todos em categorias técnicas.

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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Capitão Blood (Captain Blood) 1935



A acção passa-se dentro do tumulto político que foi a Inglaterra do século XVII, onde o tirano King James executava rebeldes sem qualquer sentimentalismo. Dr. Blood (Errol Flynn) é apanhado a tentar curar um rebelde ferido, e acaba por ser punido com ele. Supostamente vai ser enforcado por traição, mas é sugerido ser enviado para Port Royal, na Jamaica, como escravo. Arabella Bishop (de Havilland), sobrinha do proprietário de uma quinta, Col. Bishop (Lionel Atwill) , compra o miserável doutor, o que vai provocar grandes faíscas entre os dois. Blood e os seus companheiros conseguem fugir num Corsário Espanhol, e começam a viver da pirataria, tornando-se inimigos do seu próprio país, e párias em outras nações.
"Captain Blood" foi o primeiro filme da dupla Errol Flynn e Olivia de Havilland, então dois desconhecidos dos estúdios Warner Bros, com apenas meia dúzia de papéis secundários no seu curriculum. Depois do sucesso deste filme, eles formariam uma dupla imparável, protagonista de outros sete filmes. É um remake de um outro filme mudo, de 1924, e grande parte das cenas de acção desse filme foram recicladas para esta versão. Michael Curtiz trouxe para este filme o seu vigor habitual, e entusiasmo, e o resultado é um fantástico filme de aventuras de piratas das caraíbas do século 17.
Ao longo do filme, Flynn cruza com um famoso pirata francês, interpretado por Basil Rathbone. Os dois têm um empolgante duelo de espadas numa praia, que é uma espécie de prelúdio para o duelo entre os dois mesmos actores em "The Adventures of Robin Hood", do mesmo realizador, feito três anos depois. Flynn foi uma grande descoberta para este tipo de papel. Os seus traços faciais afiados, a sua nobre mas confiante arrogância, os seus olhos expressivos, são perfeitos para o herói de acção Hollywoodizado, que marcaria o cinema nos 20 anos seguintes. A Inglaterra é mostrada como uma terra sem vida e sem graça, com os seus interiores pouco atraentes. As Caraíbas, por ouro lado, estão cheias de vida, e de tiroteios de navios. Este filme definiria os padrões para muitos  swashbuckers que se seguiriam, muitos deles com Flynn no papel de protagonista.

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