sábado, 4 de julho de 2015

Vidas Nocturnas (They Drive by Night) 1940

Os irmãos Paul e Joe Fabrini (George Raft e Humphrey Bogart) dirigem um negócio de camionagem na Califórnia, principalmente dirigido para o mercado da fruta, transportando produtos das explorações agrícolas para os mercados de Los Angeles. Lutam para sobreviver contra os empresários corruptos e a intensa competição. São forçados a conduzir muitas horas e uma noite dão boleia à jovem Cassie Hartley (Ann Sheridan), que acabara de se despedir do seu emprego num terminal de camionagem. Os três testemunham a morte de um conhecido mútuo, que adormece ao volante. Isto causa um profundo efeito em Paulo e Joe, que ficam determinados a encontrar um modo de conseguir um bom dinheiro, para desistir deste trabalho.
Um dos filmes mais populares da Warner no início dos anos 40, "They Drive by Night" é uma obra intensa e emocionante, que apresentava um quarteto de quatro estrelas (Raft, Bogard, Sheridan e Ida Lupino), e era baseado no livro "Long Haul", de A. I. Bezzerides, com argumento de Jerry Wald e Richard Macauley. A segunda parte do filme, é uma vaga adaptação de um outro filme chamado "Bordertown", um "bad girl" melodrama interpretado por Bette Davis e Paul Muni. Como as duas histórias se complementam, e são adaptadas de um modo convincente, acaba por ser uma refrescante mudança de ritmo, pouco normal nas produções de Hollywood.
Já era a segunda colaboração entre Raoul Walsh e Humphrey Bogart, que por esta altura ainda não era uma estrela grande de Hollywood, mas sim um actor mais habituado a papéis de vilão. Os dois voltariam a encontrar-se no ano seguinte em "High Sierra", outra das mais interessantes obras da década de 40. A direcção de Walsh era sólida, e a interpretação de Boogie consegue manter o filme tenso o suficiente para que nunca consigamos adivinhar o que vai acontecer a seguir.
Destaque ainda para Alan Hale, num papel secundário que é um dos melhores do filme.

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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Heróis Esquecidos (The Roaring Twenties) 1939

Como "Little Caesar" e "The Public Enemy", "The Roaring Twenties" é passado na década de 20, na era da Lei Seca, quando a lei activa abriu novas oportunidades para o crime organizado, mas esta produção está, na verdade, dividida em duas partes: uma viagem nostálgica para a história original de Mark Hellinger, e um compêndio com os melhores momentos de James Cagney, que depois se afastaria deste tipo de papéis durante quase 10 anos, até "White Heat". Cagney estava claramente cansado dos papéis de gangster e precisava de uma saída,  mas o conceito de Hellinger oferecia uma colecção intrigante de personagens que valia a pena dizer sim.
O dilema do actor era simples: ele era demasiado bom para interpretar constamente vilões. Os argumentistas transformaram o papel de Eddie Bartlett num decente veterano da Primeira Guerra Mundial, que chega a casa e descobre que o seu patrão não se preocupou em aguentar o seu trabalho, numa altura em que opções de trabalho eram inexistentes, e como um veterano da guerra, ninguém parecia se preocupar com o que era feito da sua vida, excepto os seus colegas veteranos, o aspirante a advogado Lloyd Hart (Jeffrey Lynn) e o psycho Killer George Hally (Humphrey Bogart). Há personagens que vêm para casa da Grande Guerra, e encontram a desilusão e a falta de oportunidades e apoio, um cocktail tóxico que irá empurrar Eddie para uma carreira desesperada.
O Eddie de Cagney é, na verdade, a sombra do meio do que são as três facetas de um personagem: ele é um homem duro, mas de bom coração, que tentou manter alguma justiça e confiança durante a sua carreira do crime subconsequente, mas tornou-se uma força letal, porque é assim que ele consegue sobreviver.
Raoul Walsh mostrou que tinha um dom especial para a acção e a comédia irónica, e foi por isso que os estúdios da Warner o puxaram para a lista A, dos seus principais realizadores, e entregaram-lhe em mãos "High Sierra"(1941), novamente com Bogart, e vários filmes com Errol Flynn, incluindo obras de propaganda da segunda guerra mundial como "Objective, Burma" (1945), "Uncertain Glory" (1944) ou "Northen Pursuit (1943).

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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Sérgio Sollima (1921-2015)



Faleceu hoje uma lenda do cinema italiano de género, que várias vezes passou aqui pelos Thousand Movies, quer através dos Spaghetti Westerns, quer através dos Poliziotteschi.
Para o recordar, fica aqui um dos seus filmes menos conhecidos, com legendas em inglês.

Il Diavolo Nel Cervello (1972) - Link Imdb

terça-feira, 30 de junho de 2015

Eu e a Minha Namorada (Me and My Gal) 1932

"Ambientada em Manhattan, a história tem a ver com um polícia de coração mole, não muito inteligente (Spencer Tracy), que namora a empregada de mesa de uma casa de sopas e, por mero acaso, apanha um famoso gangster que, convenientemente, escolheu o sótão da irmã dele para se esconder. Pelos vistos, Raoul Walsh e os seus argumentistas usaram esta premissa como deixa para fazer o que bem entendiam. O resultado é um filme delicioso, despretencioso, muitas vezes louco.
O populismo de "Me and My Gal" parece sincero, embora o retrato dos americanos de origem irlandesa na Nova Iorque durante a depressão, seja sem dúvida idealizado, o optimismo, a ternura, o calor humano e a intensidade da experiência comum por detrás da idealização são verdadeiros. Neste filme feito antes da revogação da Lei Seca, não apenas há um motivo cómico recorrente envolvendo um bêbado belicoso (o excêntrico Will Stanton), mas há também uma cena de casamento que é uma homenagem aos copos, com o pai da noiva a entrar em grande plano e a lançar um convite para dentro das lentes da câmara: "Quem quer um copo?"
Com toda a comicidade de "Me and My Gal", não é nem surpreendente nem lamentável que o lado sério da intriga saia a perder. O à vontade com que Walsh lida com o espaço, o seu fraco pelos durões e pelos bondosos, bem como o domínio de cada nuance do seu material, são evidentes do principio ao fim do filme que, por milagre, nunca desliza para o meramente convencional." 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer

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A Pista dos Gigantes (The Big Trail) 1930

Breck (John Wayne) conduz uma caravana de pioneiros através de ataques indios, tempestades, desertos, rios caudalosos, descendo penhascos, enquanto procura o assassino de um caçador, e se apaixona por Ruth (Marguerite Churchill).
Western épico, o primeiro da era do cinema sonoro, foi filmado simultaneamente nos 35mm habituais, e em 70 milímetros widescreen, um processo recém introduzido mas de curta duração chamado Fox Grandeur (similar ao posterior Todd-AO). Nos anos 90 foi restaurado, ao seu esplendoroso widescreen original. O filme faz um trabalho impressionante ao mostrar as suas impressionantes vastas paisagens, as caravanas a atravessarem os rios, cruzando planícies ásperas e escalando penhascos íngremes em todos os tipos de clima, e a coragem dos pioneiros para fazerem uma viagem tão perigosa, tudo isto é mais importante do que um argumento pouco criativo e sem imaginação, para além de díalogos pouco naturais, e uma tentativa de fazer humor ligeiro. Mas tudo isto acaba por não ser tão importante.
Consta que o filme custou 2 milhões de dólares para ser feito, muito para a altura em questão, e surpreendentemente falhou nas bilheteiras. Foi filmado na mesma tradição que outros grandes westerns da década anterior, como "The Covered Wagon" (1923) ou "The Iron Horse" (1924). Raoul Walsh pretendia ser o protagonista, mas teve de procurar um substituto depois de perder um olho. John Ford recomendou-lhe o seu amigo Marion Morrison para o papel, e este para o seu papel de protagonista acabou por adoptar o nome de John Wayne, com o qual ficaria no resto carreira. Mas depois do filme ter fracassado monetariamente acabou por obrigar Wayne a andar por inúmeros filmes de série B durante a década de 30. Wayne só recuperaria a reputação quase 10 anos mais tarde, num outro western épico realizado por John Ford: "Stagecoach".

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domingo, 28 de junho de 2015

Raoul Walsh - Parte 1

Quando os críticos dos Cahiers du Cinema conferiam o status de "auteur" aos cinestas de Hollywood, a tendência era favorecer os realizadores mais "machos" cuja vida era tão áspera como os filmes que faziam. Raoul Walsh era o epítome da bravura, um dos chamados "mavericks" que demonstrava um vigoroso senso de aventura, dentro e fora da tela.
Ainda em adolescente, interrompeu os estudos para viajar com o seu tio de barco, acabando por se tornar cowboy no México. No Texas juntou-se a uma companhia de teatro itenerante, e finalmente chegou a Hollywood como cowboy cantor, trabalhando para D. W. Griffith em vários filmes, tanto atrás como à frente das câmeras, como por exemplo, no papel de John Wilkes Booth em "The Birth of a Nation" (1915).
Como realizador, Walsh foi um pioneiro. Ajudou a formular o protótipo do filme de gangsters com "Regeneration" (1915), além de realizar uma série de outros filmes mudos notáveis, como "The Thief of Bagdad" (1924), "What Price Glory" (1926), e "Sadie Thompson" (1928). Também deu a John Wayne uma das suas primeiras oportunidades, em "The Big Trail" (1930). Mas, os anos trinta não foram muito favoráveis a Walsh, e foi apenas quando ele se mudou para a Warner Bros., no final da década, que começaram a aparecer sinais de um estilo pessoal.
O seu forte eram os filmes de acção, preenchidos com uma energia abrasiva e uma decência brusca onde os seus heróis definiam o seu próprio código moral, num universo indiferente. Com um trio de filmes de gangsters levou o género a novos patamares: "The Roaring Twenties" (1939), "High Sierra" (1941) e "White Heat" (1949). Walsh demonstrava uma afinidade natural com actores duros como James Cagney ("Manpower" 1941), Humphrey Bogart ("They Drive by Night" 1940), e, principalmente, Errol Flynn (quem dirigiu em vários filmes). As experiências pessoais de Walsh incutiam autenticidade em westerns como "Pursued" (1947) ou "Colorado Territory" (1949).
Permaneceu um realizador activo até meados da década de 60, mas a sua carreira entrou em declínio desde que saíu da Warner, a meio da década de 50. Ao todo realizou mais de 100 filmes, numa carreira que se prolongou por 52 anos, tendo sido forçado a retirar-se em 1964, por perder a visão no já único olho que tinha.
Neste ciclo dedicado a Raoul Walsh, vamos ver cerca de 3 dezenas dos seus filmes mais importantes, com especial ênfase ao período da Warner. Como irá ser um curso extenso vou dividi-lo em três partes, por ordem cronológica. A segunda parte irá para o ar em Setembro, depois do ciclo "Anos Setenta, Esses Esquecidos...", e a terceira durante o mês de Outubro.
Aqui ficam os filmes que poderão ver de seguida:

- The Big Trail (1930)
- Me and My Gal (1932)
- The Roaring Twenties (1939)
- They Drive By Night (1940)
- They Died With Their Boots On (1941)
- High Sierra (1941)
- Gentleman Jim (1942)
- Desperate Journey (1942)
- Action in the North Atlantic (1943)
- Background to Danger (1943)
- Northern Pursuit (1943)


 

sábado, 27 de junho de 2015

Emboscada Fatal (Comanche Station) 1960

Loner Cody (Randolph Scott) é contratado por um rico fazendeiro para recuperar a sua esposa raptada, Mrs. Lowe (Nancy Gates), e ao conseguí-lo, terá de cumprir um longo caminho de regresso. No trajecto de volta, um fora-da-lei e seus homens juntam-se a ele apenas por interesse à grande quantia em dinheiro oferecida como prémio. Com os índios em pé-de-guerra e os bandidos como antigos inimigos, tudo se encaminha para um final explosivo...
O derradeiro filme deste aclamado ciclo, também chamado por Ranown, é mais uma obra bastante sólida,  de aventuras non-stop, que recicla e embaralha os temas do filme anterior, "Ride Lonesome". Em ambos os filmes Scott interpreta um homem que é inicialmente confundido com um caçador de recompensas, cavalgando o território do Oeste tentando enriquecer negociando pessoas, mas, que na verdade, tem uma missão pessoal a cumprir.
A maior parte de "Comanche Station" foi rodado na região norte da California, em Lone Pine, perto do sopé do Monte Whitney. As acumulações montanhosas de pedregulhos, conhecidas como Alabama Hills, são figuras proeminentes no filme, servindo como pano de fundo para a abertura e para as cenas finais, bem como proporcionam o árido e desolador campo de batalha onde a guerra entre Cody e Lane é resolvida. Dos sete filmes desta dupla, três foram filmados aqui.
Atrás destas colaborações entre Scott e Boetticher estavam dois outros homens. Harry Joe Brown produziu cinco dos sete filmes desta dupla, e Burt Kennedy, que escreveu o argumento também de cinco. Foram um exemplo da habilidade de Brown que conseguiu convencer a Columbia a produzir todos estes filmes, numa altura em que o western estava a passar para a televisão, o que marcaria o declínio do género.

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O Homem que Luta Só (Ride Lonesome) 1959

O assassino Billy John (James Best), é capturado por Ben Brigade (Randolph Scott), um caçador de recompensas, que pretende levá-lo até Santa Cruz para ser enforcado. Brigade pára numa estalagem onde salva a esposa do gerente de um ataque de índios e pede ajuda a dois foras-da-lei para o acompanharem na sua jornada com mais segurança. Contudo, o ataque dos índios continua, e os foras-da-lei têm outros planos...
O penúltimo filme na série "Boetticher/Scott é considerado por muitos como o melhor, e também dos melhores da carreira do realizador. Tal como o título do filme indica, Ben Brigade, o personagem de Scott, é um herói solitário, um caçador de recompensas que guia o seu prisioneiro para ser julgado, mas na realidade, na maior parte do filme, Brigade não cavalga sozinho.
O argumento é basicamente um compêndio de todos os padrões do western: o ataque dos índios, os vilões a perseguirem os heróis para um confronto final, e a mulher da fronteira que precisa de ser protegida (Karen Steel, que era uma habitual nos filmes de Boetticher). Tal como James Stewart em "The Naked Spur", Brigade é um caçador de recompensas pouco relutante, não o tipo de pessoa que esperaríamos perseguir alguém por dinheiro. É óbvio que nem tudo é o que parece, e Brigade tem motivos ocultos para aquilo que está a fazer.
Como é habitual, Boetticher é extremamente imparcial ao lidar com os seus personagens principais, com personalidades bem desenvolvidas, nunca permitindo que Boone e Whit se tornem os vilões do filme, apesar de conspirarem contra Brigade. Isto porque o vilão principal, Frank, o irmão de Billy (Lee Van Cleef), pouco está presente no no filme, e era preciso algum antagonismo contra a personagem principal.
Era a estreia absoluta de James Coburn nas longas metragens, no papel de Whit.

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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Têmpera de Herói (Buchanan Rides Alone) 1958

No caminho de regresso para casa, Tom Buchanan (Randolph Scott), passa pela cidade de Agry, na fronteira entre a California e o México, e acaba por se envolver num conflito entre o mexicano Abe Garbo, e a familia que domina a região, do mesmo apelido que o nome da cidade.
"Buchanan Rides Alone" continua o famoso ciclo de westerns realizados por Bud Boetticher e interpretados por Randolph Scott, embora seja talvez o mais "leve" da série, e também o mais fácil. Até aqui os filmes eram conhecidos por dar ao herói do western normalmente sisudo um sentido de humor e um sorriso pronto, mas este filme em particular é dominado por um sentido cómico e um sentimento de slapstick. O herói é largamente incompetente, tropeçando no meio dos problemas, ficando de fora apenas como forma anárquica, e, de seguida, tropeçando de volta para o meio das coisas. Scott interpreta um Buchanan solitário, que acaba de passar algum tempo como mercenário no México, ganhando dinheiro suficiente para cumprir o sonho mais comum de qualquer cowboy: comprar um pedaço de terra só para si.
No seu conjunto, "Buchanan Rides Alone" é mais um western interessante da equipa Boetticher / Scott, um estudo de contrastes, em que a um drama sério e por vezes sangrento é substituido pelo factor cómico, neutralizando a sensação de perigo real, neste história. Em vez disso, é um western engraçado, bastante acessível, cujo tom irreverente é melhor representando pelo momento em que Scott, depois de um disputa no saloon com um adversário, lhe pisca um olho. Tentem imaginar um actor como Gary Cooper a fazer isso, e então saberão o quanto esta série de filmes é diferente dos mais comuns westerns.

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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Entardecer Sangrento (Decision at Sundown) 1957

Bart Allison (Scott) chega a Sundown pretendendo matar Tate Kimbrough, com o seu amigo Sam. Ele acredita que Kimbrough fora resposável pela morte da sua esposa, três anos antes, e agora pretende vingança.
"Decision at Sundown" é um western invulgar da dupla formada por Scott e Boetticher, onde a personagem principal costuma ser impulsionada por um acto heróico, mas aqui vamos deparar com um twist, ao encontrar o personagem interpretado por Randolph Scott a ser movido por um acto de vingança, completamente consumido pelo ódio. Boetticher consegue manter a tensão alta, neste "chamber western" onde as correntes emocionais e filosóficas são desenvolvidas lentamente e pacientemente.
Com as simpatias do filme a manterem-se longe de Bart, mesmo com este a fazer o papel de herói, a narrativa centra-se mais na cidade, como um todo. A história não é realmente a do homem bom em busca de vingança contra o homem mau, para corrigir um erro cometido muito tempo antes, mas é um tipo muito diferente de western, basicamente "High Noon" em sentido inverso, com o despertar dos habitantes da cidade contra a podridão no seu meio, em torno de um homem que não quer nem aprecia a sua ajuda. Se o filme não é realmente sobre o herói, que termina o filme consumido pelo sentimento do ódio, raiva e perda, é sobre a forma como as pessoas da cidade reaprendem colectivamente sobre o valor do auto-respeito. Kimbrough pode não ter sido totalmente responsável pela morte da esposa de Bart, mas ele é, sem dúvida, um influência malévola em Sundown, mantendo o povo dócil, com os seus homens a controlarem a lei na cidade. Liderados pelo médico local, o povo de Sumdowm vai acabar por redimir-se.
  Ao longo de todo o filme, até a personagem de Kimbrough é humanizada, com as simpatias a tornarem-se cada vez mais difusas, mais difíceis de rastrear. Não está claro desde o início, o que Kimbrough fez pelo povo da cidade concretamente, à excepção de comprar o xerife, e eleger alguns bandidos para deputados da cidade. No final é visto como um homem normal, como qualquer outro, com medo de enfrentar Bart, mas disposto a fazê-lo de qualquer modo, para manter o seu orgulho.

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terça-feira, 23 de junho de 2015

A Marca do Terror (The Tall T.) 1957

Depois de perder o seu cavalo numa aposta, Pat Brennan (Randolph Scott) apanha boleia de uma diligência, com dois recém casados Willard e Doretta Mims (John Hubbard e Maureen O´Sullivan). Na paragem seguinte o condutor e os passageiros caem nas mãos de um trio de foras-da-lei, cujo líder é um homem chamado Frank Usher (Richard Boone). Quando Usher descobre que Doretta é filha de um proprietário de uma mina de cobre, resolve pedir um resgate. A tensão irá aumentar nas 24 horas seguintes, com Usher a aguardar resposta às suas demandas, e uma ligação romântica a crescer entre Brennan e Doretta.
Filmado em apenas 12 dias, "The Tall T." é mais um western notável, numa década que sem dúvida pertenceu a este género. Burt Kennedy escreve um argumento tenso, a partir de um conto de Elmore Leonard.
"The Tall T." é, acima de tudo, um filme de actores. A primeira surpresa reside no desempenho de Maureen O'Sullivan, no papel da choramingona Doretta Mims, um desempenho que quase pode ser visto como uma antítese do seu excelente papel de mulher independente  em "Tarzan and His Mate". Aqui ela é a recém-casada, e tímida esposa do antipático Willard Mims.  Depois há o papel de Scott, entre os mais bem desenvolvidos dentro do cânone de Boetticher.
"The Tall T." tem também algumas das melhores sequências da dupla Boetticher/Scott, incluíndo o uso magistral do terreno rochoso, a caverna escura em que Doretta e Brennan são mantidos, e as sequências da diligência. E não esquecer as sequências de Brennan protege um pacote de hortelã-pimenta doce.

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domingo, 21 de junho de 2015

7 Homens Para Matar (Seven Men From Now) 1956

Ben Stride (um ex-xerife) persegue sete homens que fizeram um assalto em Wells Fargo, e assassinaram a sua esposa. Stride vive atormentado pelo facto de que o seu próprio fracasso para manter o seu emprego foi a esposa trabalhar no sitio que foi assaltado, e por isso ele sente-se responsável pela sua morte.
Durante a década de 50, Bud Boetticher realizou dois famosos filmes sobre touradas: "The Bullfighter and the Lady" e "The Magnificent Matador". John Wayne produziu o primeiro, e foi por essa razão que convidou Boetticher para este pequeno western. Seria a primeira das sete colaborações do realizador com o actor Randolph Scott, colaborações essas que impulsionaram este ciclo, e também a primeira colaboração com Burt Kennedy, que na década seguinte se tornaria um dos realizadores mais importantes de série B americana. Houve quem os classificasse de "chamber westerns", e considerasse como uma das descobertas mais gratificantes do cinema dos anos 50. Eram obras psicologicamente complexas, equivalentes para os westerns americanos como Val Lewton estava para os filmes de terror dos anos 40, de quem já vimos alguns filmes neste blog.
Este filme de estreia era muito moderno esteticamente, muito tenso, e com personagens tão ou mais desenvolvidas do que famosas obras posteriores de realizadores como Sergio Leone ou Sam Peckinpah. Duas outras duplas podem colocar-se ao mesmo nível destas colaborações: Delmer Daves/Glenn Ford e Anthony Mann/James Stewart.
"Seven Men From Now" separa-se dos vulgares westerns na abordagem que faz conceito do bem e do mal. Os chamados "vilões" neste filme não se vestem de preto e com cara de maus, e o herói não executa apenas tarefas altruístas. Todos os tipos de personagens convivem entre eles, e tal como Jean Renoir disse em "A Guerra do Jogo": "toda a gente tem as suas razões". Poucos filmes demonstram tão bem este tipo de sentimento, como este.Um destaque muito especial para o papel de vilão de Lee Marvin.

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