terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Os Detectives (Across 110th Street) 1972

O roubo de US$300.000 de um ponto da Máfia no Harlem, por três homens negros vestidos de policias, desencadeia uma busca frenética por toda a cidade para encontrar os autores. Anthony Quinn e Yaphet Kotto estão perfeitos como policias, divididos numa busca comum. Quinn, como um policia corrupto, em fim de carreira, que deve equilibrar a sua ganância e a necessidade inerente de se fazer justiça, nesta história emocionante. Nos excelente cenários naturais do Harlem, assistiremos à máfia e à polícia ao mesmo tempo, a tentarem capturar os bandidos.
Um dos filmes mais agressivos e violentos da sua época, "Across 110th Street" é um um veículo de acção policial sólido especialmente atraente pelo seu trabalho de exteriores claustrofóbicos, dando-nos uma sensação de desolação e desespero pelo crime das ruas, no centro da cidade. Asfalto, lixo, e graffitis em todo o lado para onde olhamos, e o filme não faz nenhum esforço em esconder estes detalhes. Quase lhe conseguimos sentir o cheiro e o sabor, neste olhar muito visceral sobre a corrupção da polícia e o crime organizado, principalmente das cidades mais populosas. 
"Across 110th Street" é normalmente catalogado como um filme da blaxploitation, do início dos anos 70, embora isto não seja muito preciso. É um drama de acção urbano com um elenco predominantemente afro-americano, mas o tema principal tem muito mais a ver com um drama policial, não explorando da mesma forma que outros filmes os idea
is da blaxploitation. Não há heróis, salvo talvez o Tenente Pope, apenas vítimas e perpertadores, com apenas a mensagem de que aqueles que vivem pelas armas morrerão por elas. 
Realizado por Barry Shear, conta com boas interpretações de Anthony Quinn e Yaphet Kotto.

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

À Espreita de Sarilho (Trouble Man) 1972

Mr. T (Robert Hooks) é o tipo de homem que procuramos quando estamos em apuros, e se pudermos pagar o seu preço, ele vai ajudar-nos no máximo da sua capacidade. Ele trabalha como detective privado, e também é um tubarão do bilhar, sempre disponível para um desafio. Hoje ele encontra-se no salão do Jimmy para disputar uma partida com um especialista, por causa de uma aposta. É abordado por dois homens, Chalky e o seu parceiro Pete, que dominam um jogo de dados no bairro. Eles queixam-se que estão a ser roubados por um bando de homens mascarados, e querem contratar Mr. T para os apanhar. 
"Trouble Man" é hoje lembrado por duas razões. Uma, já devem ter percebido, é que Robert Hooks interpreta o original Mr. T, que mais tarde ficaria conhecido pela série "Os Soldados da Fortuna" (The A-Team). A segunda razão é a banda sonora, tal como em tantos outros filmes da blaxpoitation, escrita e parcialmente interpretada por Marvin Gaye, como a famosa faixa do título, grande êxito na altura. Fora estes dois detalhes, o filme sofreu uma reputação injusta ao longo dos anos, de algo que não valia o seu tempo. 
Mas, na verdade, o filme até é bastante interessante. Obviamente que foram feitas comparações a "Shaft", graças ao seu protagonista detective privado, mas "Trouble Man" consegue ser tão bom como o filme de Gordon Parks, apesar de não gozar do seu estatuto de culto. Há apenas uma coisa de errado com o filme, o argumento de John D.F. Black, que nos permite estar sempre um passo à frente de Mr. T, o que enfraquece a sua posição na história. 
A maior parte de "Touble Man" é uma história de detectives eficiente. Só que nós podemos ver o quadro todo, que o investigador não consegue. Há uma enorme falta de acção, mas a conspiração toma conta do centro do palco, e é absorvente o suficiente para prender o espectador à sua cadeira. É refrescante ver um herói da blaxploitation usar mais o cérebro do que os punhos, mas o filme encaminha-se para um final explosivo. Era a estreia de Ivan Dixon no cinema, um realizador que se dedicou quase exclusivamente à TV.

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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Super Fly (Super Fly) 1972

Super Fly, aka Priest, é um traficante de droga que começa a aperceber-se que a sua vida vai acabar, e em breve, na prisão ou morto. Ele decide fugir desta vida fazendo o seu último golpe, transformando a cocaína em dinheiro, e fugindo para uma nova vida. O problema é que a Máfia não tem um plano de reforma para os seus homens, e não lhe vai dar hipótese de escolher entre ficar e continuar a vender, ou ir embora tranquilamente.
Dirigido por Gordon Parks Jr, "Super Fly" apresenta-se como um dos filmes mais dignos do movimento da "blaxpoitation", no momento do seu auge, no inicio dos anos 70. Ao contrário de outros filmes seus contemporâneos, como o popular "Shaft", este filme trás uma abordagem mais profunda ao movimento e contém menos violência. A fotografia de James Signorelli é particularmente inteligente, e traz-nos uma abordagem das ruas de uma pequena cidade. A montagem funciona muito bem com a banda sonora de Curtis Mayfield, particularmente numa sequência. O ritmo é lento, mas isso dá-nos tempo para compreender as motivações do personagem principal, interpretado por Ron O´Neal. Mesmo as tão esperadas cenas de sexo são menores neste filme, e nós somos levados a acompanhar o personagem de O´Neal enquanto ele tenta arranjar uma forma de saír das ruas. 
Ao contrário de muitos filmes de gangsters revisionistas que nos nos alinham claramente com o vilão,  "Super Fly" nunca é muito claro, nesse aspecto. A frustração de Priest com as limitações sociais faz sentido, mas ele ainda é um traficante de drogas que trata os outros com desdém quando o contradizem. Tem uma mulher atenciosa ((Sheila Frazier), mas também a engana. Ron O'Neal tem um desempenho extremamente eficaz no papel de Priest, e embora a maioria das restantes personagens serem bastante insultantes, O'Neal injecta um lado humano à sua personagem que nos mantêm do lado dele até ao fim do filme. 
Era o filme de estreia de Gordon Parks Jr, filho de Gordon Parks, o realizador de "Shaft". Faria apenas 4 filmes, acabando por falecer poucos anos depois, vítima de um acidente de aviação.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Shaft, Mafia em Nova Iorque (Shaft) 1971

John Shaft (Richard Roundtree) é um detective privado nas ruas de Nova Iorque, e certo dia enquanto faz o precurso da sua casa para o escritório é informado por um engraxador de sapatos que dois gangsters o procuravam. O seu amigo polícia Vic Androzzi (Charles Cioffi), intercede-o e pergunta-lhe se sabe porque é procurado pelos homens do poderoso gangster Bumpy Jonas (Moses Gunn), o que ele não sabe, mas quando chega ao seu escritório tudo leva a crer que este não será um dia normal...
Por causa de todo o hype que envolve o filme, da banda sonora altamente sensual e sugestiva de Isaac Hayes que ainda é ouvida, e porque o cinema de blaxploitation pode muito bem ter explodido graças ao sucesso deste filme, "Shaft" atingiu um merecido estatuto de culto, que vai muito para lá das críticas. E hoje em dia, ao olharmos para ele, mesmo com o apelo ás massas que um detective privado super cool representa, ainda é possível mesmo no calor da violência, ver um filme elegante com diálogos muito atraentes. O abuso da palavra "baby" leva a um final aberto a todo o tipo de observações.
O filme foi criticado na época por não ser uma exposição completa da experiência urbana negra, e por ser apenas uma versão "negra" de um thriller policial da Hollywood dos anos 40, mas, mesmo assim, "Shaft" ainda tem uma grande sensibilidade negra, basta testemunhar uma conversa do personagem principal com um polícia italo-americano branco, e, ainda hoje, parece radical um filme ter quase todos os actores negros, como acontece com "Shaft". No entanto, a violência do filme, a que muitos se opuseram na altura, não causará muito choque para o público da actualidade. Os atractivos centrais serão os diálogos e as atitudes, assim como o actor Richard Roundtree, que dá a Shaft a quantidade certa de carisma, arrogância e intocabilidade. Logo quando o filme começa, Shaft atravessa a estrada com o trânsito em movimento, chegando ao outro lado ileso. Assim é o cinema de blaxploitation, e assim é Roundtree neste filme.

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Sweet Sweetback's Baadasssss Song (Sweet Sweetback's Baadasssss Song) 1971

Melvin Van Peebles escreveu, realizou, produziu, montou, compôs e interpretou este ataque poderoso e inflamatório à América branca. Depois do corpo de um homem negro ser descoberto, Sweetback ajuda dois brancos "conhecidos" para estes ficarem bem, indo com eles para a esquadra como suspeito. Mas ele é obrigado a fugir depois de atacar brutalmente os dois polícias depois destes prenderem e espancarem um jovem negro.
"Sweet Sweetback's Baadasssss Song" de Melvin Van Peebles, foi um momento decisivo na história do cinema americano e do movimento negro. Foi lançado menos de uma década após o Movimento dos Direitos Civis ter começado, e quase vinte anos antes do incidente de Rodney King. A sua violência e alta sexualização, um conto de vingança de um "machão" negro lutando contra a opressão branca, e vencendo, foi algo que nunca tinha sido visto numa tela do cinema americano.  Em estilo, conteúdo, e na forma como foi concebido e produzido,  "Sweet Sweetback" foi uma revolução cinematográfica, quer concordemos ou não com o tema.
Van Peebles, um americano negro, que primeiro ganhou reconhecimento a escrever livros em França, construiu "Sweet Sweetback" de baixo para cima, quase inteiramente sozinho. Como dificilmente um estúdio ousaria financiar tal filme ele foi obrigado a conseguir todo o dinheiro por ele próprio, batendo porta a porta. O filme acabou por custar apenas 500 mil dólares, parte dos quais foram financiados por Bill Cosby. Van Peebles reduziu os custos contratando mão-de-obra não sindical, e assumindo ele próprio grande parte das responsabilidades do filme: argumento, realização, montagem, banda sonora e interpretação. Ele também foi um brilhante empresário que encontrava sempre uma forma de conseguir uns dólares extra. Por exemplo, quando a MPPA deu ao filme um x-rating Van Peebles não só ameaçou trazer uma acção judicial contra Jack Valenti e a MPAA, como também desenvolveu um pequeno esquema de marketing com a expressão "Rated X by an all-white jury," que colocou nos cartazes para ajudar a publicitar o filme. Também colocou esta frase em t-shirts que não teve problemas em vender.
O ponto de vista de Van Peebles, era trazer para os cinemas uma visão de ser negro e viver na América, que outros cineastas tanto tinham ignorado. Claro que com a abundância de rap e hip hop a fazerem ode à vida negra no centro da cidade, e filmes como os de realizadores como Spike Lee e John Singleton, "Sweet Sweetback" não parece ser um filme tão revolucionário. Mas, no exacto momento da estreia, foi tão revolucionário que apenas dois cinemas americanos o mostraram. Os distribuidores ficaram petrificados por um filme que, nas palavras de Van Peebles, deu ao público negro uma hipótese de ver algumas das suas fantasias realizadas, saindo da lama e lutando pela vida. 
Hoje em dia "Sweet Sweetback" é considerado o filme que deu inicio ao movimento da blaxploitation, no entanto  Van Peebles disassocia o seu filme de outros como "Shaft" ou "The Mack", porque estes foram filmes produzidos por grandes estúdios de Hollywood. "Sweet Sweetback" é também o único filme considerado obrigatório ver pelos Panteras Negras.

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Blaxploitation

Desde o inicio da década de 70, até meados dessa mesma década, aconteceu um movimento muito típico do cinema americano, chamado Blaxploitation, e que consistia num movimento formado por actores e realizadores negros, empenhados em atraír audiências da mesma raça. Junius Griffin o presidente de Beverly Hills para a NAACP (National Association for the Advancement of Colored People) é por vezes creditado como o inventor deste, de certa forma ambíguo, termo "blaxploitation", para descrever este "género" fugaz.  "Sweet Sweetback’s Baadasssss Song" (1971) de Melvin Van Peebles é normalmente o primeiros de muitos filmes de temática negra que viriam a trazer uma nova imagem para a cinematografia afro-americana.
Durante a primeira metade da década mais de 200 filmes deste tipo quebraram os estereótipos do cinema existente, mostrando homens negros possuídos (por vezes mulheres, como a fantástica Pam Grier) no controle dos seus próprios destinos. Mas desde o inicio que os críticos aos afro-americanos descobriram que estes estereótipos tornados possíveis pelos comportamentos dos heróis e heroínas dos filmes - que muitas vezes incluía tráfico de droga, violência e sexo fácil - eram o efeito mais prejudicial dos filmes. Também foi prejudicial a ausência de uma estética cultural negra. Os estúdios receberam muitas críticas pela ansiedade em ganhar dinheiro com esta tendência blaxploitation, mas as acusações mais pungentes ficaram para os actores e actrizes que contribuíram para os estereótipos mais ofensivos, interpretando personagens como chulos, prostitutas, traficantes de droga, e outros tipos de personagens.
Três actores proeminentes deste período eram Fred Williamson, Jim Brown (que se tornaram actores depois de deixarem o futebol profissional) e Ron O’Neal. Porque eles aceitaram estas regras, muitos afro-americanos famosos como Alvin Pouissant ou Jesse Jackson desafiaram-nos a considerar o tipo de modelo que estavam a mostrar à sociedade negra, principalmente aos mais influenciáveis.
O’Neal, por exemplo, no papel de um patrão da droga em Super Fly (1972), um famoso filme de Gordon Parks, Jr., interpretou uma personagem "cool", sofisticada, cheio do estilo e com grande taxa de êxito com as mulheres, guiava um carro de último modelo e usava a sua colher para a cocaína como acessório da moda. Muitas pessoas consideraram este filme um escândalo, mas isso não o impediu de se tornar um sucesso.
Como respostas às críticas os estúdios e os realizadores defenderam os filmes da blaxploitation, dizendo que apenas estavam a cumprir as demandas do público. Uma boa parte desses filmes também representavam os esforços dos estúdios em atingir o que para eles era um novo mercado: os afro-americanos. Antes de chegar este género raramente os actores negros tinham papéis de protagonistas, em filmes com distribuição alargada, mas a partir daqui podiam começar a escolher os seus próprios papéis, e frequentemente os filmes eram construídos à volta dos seus próprios papéis.
Nas próximas duas semanas vamos dar uma rápida passagem pela Blaxploitation, e descobrir alguns dos seus filmes mais importantes. Não sei se já viram "Jackie Brown", de Quentin Tatantino, mas é uma espécie de homenagem a este género.
Vamos começar com este documentário, que explica tudo.


domingo, 12 de fevereiro de 2017

Rock Hudson's Home Movies (Rock Hudson's Home Movies) 1992

Eric Farr fala para a câmara como se falasse pelas palavras de Rock Hudson, de um diário póstumo. Com clips de mais de 30 filmes de Hudson a ilustrarem as formas como a sua orientação sexual era exibida na tela. Primeiro vemos relações ténues e não resolvidas com mulheres, depois clipes de Rock Hudson com homens, viajando e circulando. Em seguida vemos o eros pedagógico: Hudson com homens mais velhos. Vemos Rock com o seu "sidekick", muitas vezes o actor Tony Randall, e examinamos em profundidade as comédias de embaraços e insinuações sexuais, filmes em que o actor por vezes interpreta duas personagens: o "macho Rock" e o "homo Rock". 
O realizador Mark Rappaport conduz uma análise revisionista da carreira cinematográfica do famoso actor de Hollywood, com os filmes de Hudson a serem revistos com o conhecimento tardio de que ele era gay, e que acabaria por morrer com Sida. É um filme-ensaio constituido quase inteiramente por pedaços de filmes de Hudson, gravados com vídeos, muitas vezes da TV, dando-lhe uma aparência crua e saturada. Isto tira-lhe o foco da estética, dirigindo-o quase inteiramente para o diálogo, as situações, e o significado escondido subjacente à personagem de Hudson na tela. O filme é fascinante, provocativo, divertido, e muitas vezes equivocado, porque Rappaport procura ler o subtexto gay em, aparentemente, tudo o que Hudson fez para a grande tela.
Legendas em inglês.

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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Deanimated (Deanimated) 2002

"Martin Arnold sujeita um clássico do cinema de terror americano de 1941 a uma cirurgia cinematográfica radical. Os actores desaparecem graças à tecnologia digital, fazendo com que o espaço cinemático se transforme no verdadeiro actor principal e fornecendo uma nova interpretação precisa e absurdamente cómica. Arnold pega no filme original “The Invisible Ghost”, no qual uma esposa “hipnotiza” o marido como parte de um plano assassino, e transforma-o em “Deanimated” – um estudo sobre a crescente desintegração dos filmes de actor. No final, o olho da câmara vagueia sobre os sets desprovidos de vida humana onde as luzes parecem ter sido apagadas, literalmente. Em “Deanimated”, a morte transforma-se na fúria do desaparecimento o que testemunha uma “insustentável transição para além da existência” (Georges Bataille). A loucura está inscrita nos rostos. O êxtase da supressão, a aniquilação do ser, a reificação do inorgânico, o olhar que busca, que já não encontra qualquer tipo de reconhecimento – estas são as fases que preparam a transição para uma rigidez catatónica (Thomas Miessgang). “Deanimated” embarca no despovoamento radical do ecrã e do auditório. Enquanto os filmes mais antigos de Arnold lidavam com o momento de sobre-ênfase através da repetição do sempre-semelhante, o tema central do filme “Deanimated” é a ideia de desaparecimento. Este velho tema, que nos é familiar dos filmes de crime e de terror, é aqui intensificado e reforçado: protagonistas essenciais do enredo são apagados do filme através de “composição digital”, as bocas dos casais que conversam são apresentadas fechadas, a banda sonora orquestrada amplifica-se para dar mais ênfase dramática aos não-acontecimentos. O que permanece são apenas vestígios de acontecimentos, provas circunstanciais escassas de situações cujas origens não são explicadas: pó que rodopia, o som de disparos, o horror reflectido no rosto de uma mulher que se afasta do vazio." Curtas de Vila do Conde.

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Film ist a Girl & a Gun (Film ist a Girl & a Gun) 2009

Filme na série de "found footage", "A Girl and a Gun" abre com uma grande sequência de Annie Oakley a mostrar a sua habilidade na frente das câmaras. Depois disso o filme afasta-se da idéia de "girl and a gun" para imagens de criação, sexo e destruição, juntando citações de filósofos gregos às imagens de uma forma bastante livre. A maioria das cenas vem dos primeiros tempos do cinema, dos primeiros 45 anos, e algumas sequências são memoráveis, principalmente as cenas dos filmes pornográficos mudos, que lembram o excelente compêndio "The Good Old Naughty Days".As ligações entre os pedaços de filmagens são por vezes disparatadas, mas o realizador Gustav Deutsch nunca constrói o filme com algum sentido narrativo. 
Gustav Deutsch realiza assim um filme bizarro e complexo que provavelmente exigirá mais do que uma visualização, para se entender o que ele está a dizer sobre a humanidade e a natureza, além de outros temas recorrentes ao longo do filme. Grande parte do filme parece uma obra de arte que deve ser estudada, analisada e discutida cena por cena numa escola de cinema. 
O realizador nasceu em 1952, em Viena, Áustria. Desenhista, músico, arquitecto, videomaker, os seus filmes têm um carácter experimental e investigativo. Em 1982 iniciou a sua carreira no cinema com a curta "Asuma", mas a sua estreia nas longas deu-se em 1998 com um documentário chamado "Film ist.". 

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Star Spangled to Death (Star Spangled to Death) 2004

Se em "Tom, Tom, the Piper’s Son" Ken Jacobs desconstruiu um velho filme mudo para a frente e para trás, separando e recontextualizando de todas as formas possíveis, em "Star Spangled to Death" vamos encontrá-lo de novo a trabalhar com "found footage", apresentando uma variedade de fontes que ofuscam a verdade, destacando a hipocrisia e distraindo-nos dos nossos verdadeiros problemas. Desenhos animados, discursos de Nixon, bobines "educativas" mostrando filmes... tudo junto para criar uma enorme carga de ruído. Por vezes contém interjeições cómicas, com som ou legendadas, ou um breve clip para criar um contraste ou alegoria. Outras vezes estes pedaços são-nos mostrados intactos, e tendem a ser mais problemáticos. Para um filme não-narrativo com uma duração tão prolongada (mais de 6 horas), é surpreendentemente atraente, mas alguns dos componentes testam a paciência do espectador, indo parar a meia hora, ou mais com poucas interrupções. Aqui, o filme funciona mais como uma colagem do que uma montagem, mas para ser justo, estes segmentos tornam o material mais interessante, por vezes repugnante, por vezes divertido, por vezes ambos. 
Os alvos de Jacobs são muitos: racismo, exploração, capitalismo, ganância, Nixon, Rockefeller, Islão, Israel, religião, a Guerra do Iraque, e, principalmente, a administração de Bush. Por vezes as suas abordagens são complexas, as suas promessas sobre Israel reconhecem os verdadeiros problemas que estavam a tentar resolver, e os verdadeiros problemas que a administração de Bush criou. Na luta contra o racismo são incluídos uns desenhos animados extremamente horríveis: “Uncle Tom and Little Eva,” mas também inclui clips de Oscar Micheaux e Al Jolson. Jacobs está ciente de que Micheaux foi um dos primeiros cineastas negros, e de que Jolson estava longe de ser um racista.
Não é um filme para toda a gente. O seu conteúdo enfurece contra a passividade e a complacência entre o público, mas é indispensável para os amantes do cinema vanguardista, e para quem quiser compreender os ensaios audiovisuais.

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
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Tom, Tom, the Piper's Son (Tom, Tom, the Piper's Son) 1969

"Tom, Tom, the Piper’s Son" de Ken Jacobs, é uma remontagem seminal de uma curta de 1905, com o mesmo título, que transforma o que era essencialmente uma cena de perseguição prolongada apresentando uma multidão cómica de aldeões numa meditação sobre a forma como vemos os filmes. Certamente que o filme reforça a noção tão profetizada de que um dos objectivos do cinema de vanguarda é treinar o espectador para ver ver cinema, e o próprio mundo, com outros olhos. Depois de nos fornecer a curta no seu formato original Jacobs re-expõe o filme ao público continuamente, mostrando uma miríade de detalhes que seriam impossíveis de se notar em apenas uma visualização, andando para trás e para a frente, fazendo zooms, para chamar a atenção do espectador. A partir destes close-ups vai-se criando uma perspectiva alternativa sobre os eventos da curta, mostrando que a linguagem cinematográfica não é tão linear como parece.
A abordagem de Jacobs tem o curioso efeito de simultaneamente abstrair e detalhar o conteúdo do filme que assistimos. Como espectadores, ficamos  a par dos detalhes que nos escaparam na nossa visão inicial, cuja memória coloca um número surpreendente de elementos no contexto. 
Ken Jacobs é um pintor expressionista abstracto de Nova Iorque, que se arriscou pelo mundo do cinema experimental, com uma carreira que já dura desde os anos cinquenta até aos dias de hoje.

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Cliente Morto Não Paga a Conta (Dead Men Don't Wear Plaid) 1982

Juliet Forrest (Rachel Ward) está convencida de que a morte reportada do seu pai, num acidente de carro na montanha, não foi um acidente. O pai era um famoso cientista de queijos, que trabalhava numa receita secreta. Para provar que aconteceu um crime, ela contrata os serviços do detective privado Rigby Reardon (Steve Martin). Este encontra um pedaço de papel com uma lista de pessoas intitulado "os amigos e inimigos de Carlota". Ao procurar respostas vai esbarrar com homens e mulheres perigosos, que eram as marcas dos filmes de detectives clássicos dos anos 40 e 50. 
O realizador Carl Reiner (que escreveu o argumento com George Gipe e Steve Martin) faz uma autêntica homenagem ao film noir, e dá a este filme um toque muito especial, integrando na acção clips de 18 filmes dos anos 40 e 50. Um exemplo, Humphrey Bogart, como Marlowe, aparece como o assistente arruinado de Reardon, incluindo cenas reais de filmes como In a Lonely Place, Dark Passage, ou The Big Sleep. Ao longo do filme, e por trás dos ombros das nossas personagens, vão aparecendo actores como Alan Ladd, Ray Milland, Burt Lancaster, Barbara Stanwyck, Cary Grant, Ava Gardner, Ingrid Bergman, James Cagney, e Bette Davis, que parecem interpretar ao lado dos protagonistas de hoje em dia.
"Dead Men Don't Wear Plaid" funciona melhor para quem conhece de raíz o movimento do film noir. Steve Martin tem um desempenho de alto nível, Rachel Ward era uma estrela em ascenção, na sua terceira longa metragem, e dá ampla evidência da sua beleza e talento. A montagem de Bud Molin e a fotografia de Martin Chapman também merecem elogios pelo seu esforço hercúleo em misturar pedaços de filmes antigos, com filmagens novas. 

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domingo, 5 de fevereiro de 2017

The Thoughts That Once We Had (The Thoughts That Once We Had) 2015

Descrito num texto de abertura como "história pessoal do cinema, parcialmente inspirada por Gilles Deleuze", ”The Thoughts That Once We Had" é uma rica exploração de conceitos-chave centrais para a influente teorização histórica dos dois volumes do filósofo francês. Um filme de found-footage composto inteiramente de clips de filmes não identificados, muitas vezes reconhecíveis, e de legendagens concisas escritas por Andersen, "The Thoughts That Once We Had" saltam associativamente, como Deleuze, através de um vasto território, que vai desde Griffith a Godard, usando dinamicamente imagens cinematográficas não para serem explicadas, mas para incorporar as ideias Deleuzianas em toda a sua rica ambiguidade e nuances. Andersen surpreendentemente evita a sua voiceover, que já era assinatura.
Alguns dos momentos mais poderosos em "The Thoughts That Once We Had" são declarações pessoais que aparecem legendadas e que rompem com temas claramente Deleuzianos, o mais impressionante para dar ressonância emocional a imagens de guerra e destruição, Coreia do Norte e Hiroshima, com Andersen a certa altura, a interrogar e expandir o universo de "Hiroshima Mon Amour". São momentos que pedem ao espectador que reconsidere as tragédias históricas da era do cinema com "imagens em movimento", em todos os sentidos do termo. Como Deleuze, a cinefilia infecciosa de Andersen é um amor pelo cinema - uma vida no cinema - e está fundamentada numa compreensão ética e filosófica do filme que descreve uma trajectória clara em todos os seus principais filmes.

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The Tony Longo Trilogy (The Tony Longo Trilogy) 2014

Quem é Tony Longo? Um ator que apesar de limitado a pequenas aparições em filmes é um axioma do cinema de ação de Hollywood: o gigante mudo que é guarda costas do mau da fita mas que tem um coração demasiado bondoso. Composto por três partes, "Hey Asshole!", "Adam Kesher" e "You Fucking Dickhead!", a trilogia de Tony Longo mostra-nos todas as cenas mais carismáticas do ator: "The Takeover" (Troy Cook, 1995), "Living in Peril" (Jack Ersgard, 1997) e "Mulholland Dr." (David Lynch, 2001). Tony Longo não é um ator famoso ou facilmente reconhecível e Thom Andersen ironiza com esse facto dando um rosto ao nome que nos é desconhecido. (Sérgio Gomes) 

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sábado, 4 de fevereiro de 2017

Los Angeles Plays Itself (Los Angeles Plays Itself) 2003

Uma pérola do cinema do inicio do século XXI, a obra prima de Thom Andersen, "Los Angeles Plays Itself" é um épico do cinema de ensaio e um filme propositadamente sinuoso, que destila uma uma história polémica pelo seu extenso levantamento crítico do uso e abuso da mítica Cidade dos Anjos por uma impressionante gama de filmes blockbusters de Hollywood, filmes de género de baixo orçamento, filmes independentes, experimentais, e até mesmo pornográficos. 
A rigorosa montagem de Anderson, cena após cena, para a real e imaginária Los Angeles é ajudada por regressos frequentas às "cena do crime" de exteriores, graças ás filmagens contemporâneas de  Deborah Stratman. O ritmo do filme vem dos comentários hábeis e mordazes de Andersen (falados pelo cineasta Encke King), que permanece~m sempre imperiosos na sua cuidadosa revelação das maiores forças históricas, culturais e ideológicas que tornam a cidade cinematográfica tão vivida.
No entanto, mais do que uma correcção ao senso do lugar e da história do cinema, "Los Angeles Plays Itself" poderosamente usa contra-exemplos raros como "The Exiles" (1961), de Kent MacKenzie ou "Bless Their Little Hearts" (1984), de Billy Woodbury, argumentando que as indignidades e falsos mitos tão frequentemente impostos a Los Angeles pelo cinema, são expressões directas da verdadeira injustiça sofrida por tantos dos seus deslocados, desprotegidos, ou habitantes silenciosos. Com "Los Angeles Plays Itself" Anderson definiu uma concepcção distinta da análise cinematográfica, e alcançou um status de culto duradouro, confirmado pela grande emoção e aclamação que teve depois do seu re-lançamento, em 2014, mais de 10 anos depois da sua estreia em Toronto.
Filme sem legendas.

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Red Hollywood (Red Hollywood) 1996

Thom Andersen junta-se ao teórico de cinema, cineasta experimental e colega da Ohio State University Noël Burch, para elaborar uma história revisionista meticulosamente poderosa sobre artistas comunistas a trabalharem em Hollywood durante o auge da era do Estúdio. O filme "Red Hollywood" foi inspirado por um artigo escrito por Andersen uma década antes, para desafiar preconceitos calcificados sobre aqueles artistas que foram injustamente acusados e colocados na lista negra de Hollywood por causa da sua simpatia com a esquerda, e que ainda sofreu a indiferença geral de estudiosos e historiadores pelos seus trabalhos pioneiros.
Apesar de apresentar extensas e fascinantes entrevistas com os membros do lendário Hollywood Ten, incluindo grandes reviravoltas por um ainda muito desafiante Abraham Polonsky, "Red Hollywood" consegue fincar os seus pontos e as suas opiniões pessoais, separando cuidadosamente cenas temáticas organizadas a partir de mais de cinquenta pedaços, com uma ressonância (narrada pelo colega de Andersen da CalArts e realizador Billy Woodbury), discutindo e dissecando os seus significados latentes, deixando claro que esses artistas dedicados viam o cinema como uma ferramenta vital nas batalhas ideológicas e reais que se deram durante os anos da Grande Depressão através do "Red Scare". As dimensões políticas do cinema de Hollywood raramente foram examinadas com tanta precisão e paixão.
Filme sem legendas. 

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Thom Andersen, O video-ensaísta

Thom Andersen é um cineasta americano conhecido pelos seus penetrantes e refrescantes ensaios fílmicos. Historiador paciente e cinéfilo fervoroso, Andersen construiu um caminho único na história do cinema, principalmente com dois documentários impressionantemente pesquisados e reveladores, "Red Hollywood" (co-dirigido por Noël Burch) e "Los Angeles Plays Itself", que juntos representam o modo subtil, mas profundamente envolvente que definem toda a sua obra maior. Tanto "Red Hollywood" como "Los Angeles Plays Itself" são filmes de compilações, densos mosaicos de cenas retiradas de filmes de Hollywood, transformados com a ajuda de narrativas em voiceover, escritas mas não faladas por Andersen, detalhando as histórias suprimidas do cinema americano, decifráveis dentro das imagens em movimento. Os dois filmes tornam clara a profunda compreensão de Andersen sobre o cinema popular, como uma forma de memória cultural perigosamente amnésica - um filtro ideológico que distorce deliberadamente o mundo que pretende representar - e uma lente excepcionalmente perspicaz  através da qual criticamente envolve a história escrita e não escrita.
Um importante complemento ao trabalho de Andersen como cineasta é a sua carreira como escritor, critico ocasional, curador, e, acima de tudo, instrutor no CalArts, onde ele tem sido uma âncora desta lendária escola de cinema há quase trinta anos.  Os assuntos, e o impulso pedagógico de alguns dos seus filmes foram parcialmente inspirados por palestras dadas por si no CalArts. Em "The Thoughts That Once We Had", o seu filme mais pessoal, dá-nos uma reflexão sobre as ideias do filósofo francês Gilles Deleuze, um trabalho lírico e profundamente cinematográfico, apesar da sua falta de narrativa falada.
Este fim de semana será dedicado a este video-ensaísta, de quem iremos ver quatro trabalhos.


Trilogia Cinemascope (Cinemascope Trilogy) 1997-2001

L’Arrivée (1997-8), Outer Space (1999) e Dream Work (2001) formam esta série de filmes chamada de "trilogia CinemaScope", realizada por Peter Tscherkassky. Nos três casos, são filmes de found footage, que utilizam um material estrangeiro, imagens "encontradas". Para L’Arrivée, foram retirados alguns planos de Mayerling (dir. Terence Young, Inglaterra, 1969) e os outros dois episódios retiram imagens do thriller The Entity (dir. Sidney J. Furie, EUA, 1983).
O elemento formal que liga a trilogia é uma técnica à mão e frame a frame para a película por revelar. Através deste processo, somos capazes, literalmente, de perceber o mecanismo central através do qual os sonhos produzem significados, o "trabalho dos sonhos," como observou Sigmund Freud: descontextualização [Verschiebung] e a condensação [Verdichtung]. A nova interpretação do material original tem lugar através da sua "deslocação" do contexto original e a sua posterior "condensação" por via de múltiplas exposições.
O filme de found footage tem uma longa tradição no cinema de vanguarda, tradição essa que começa nos anos 20 com os filmes de Joseph Cornell e Len Lye. A trilogia CinemaScope distingue-se pela transformação específica à qual submetemos o material de partida durante a realização desses filmes. 

 L’Arrivée (1997-8)
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Outer Space (1999)
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Dream Work (2001)
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Três Curtas

Rose Hobart (Rose Hobart) 1936
"Rose Hobart", é uma montagem de 19 minutos retirada do filme de 1931 da Universal Pictures, "East of Borneo", e de outros filmes, que parece um estudo sobre o movimento que retrata as ondulações da água depois de uma grande pedra ser atirada a uma lagoa. Nas raras ocasiões em que é exibido o filme mudo, acompanha-o uma gravação de "Holiday in Brazil" (1957), do compositor brasileiro Nestor Amaral, que contribui com algumas canções não autorizadas para "The Gang’s All Here" (1943), com a sua compatriota brasileira Carmem Miranda. O realizador Joseph Cornell viria a projectar o filme a uma velocidade mais lenta através de um filtro azul, embora anos mais tarde usasse um filtro côr de rosa.
Joseph Cornell era um pioneiro que trabalhou e influenciou com cineastas da vanguarda como Stan Brakhage e Rudy Burckhardt."Rose Hobart" é o seu filme mais conhecido.

Alone. Life Wastes Andy Hardy (Alone. Life Wastes Andy Hardy) 1998
Mickey Rooney e Judy Garland são clonados num musical experimental. O ponto de partida é uma série de cenas dos dias em que ambos eram adolescentes dos dias da série de musicais familiares de Busby Berkeley. Estes são colocados numa nova ordem, e perante os nossos olhos andam para trás e para a frente num adágio suave. 
Durando apenas 15 minutos, e consistindo inteiramente de pedaços de filmes retirados das comédias de adolescentes de Andy Hardy, "Alone. Life Wastes Andy Hardy", de Martin Arnold é uma pequena obra-prima, uma curta experimental que desconstrói o cinema narrativo separando as cenas dos filmes de Hollywood frame a frame, repetindo cenas chaves em movimentos tão lentos que revelam subtextos ocultos criando novos significados para momentos anteriormente inócuos.

The Film of Her (The Film of Her) 1997
"The Film of Her" baseia-se na história do funcionário da Biblioteca do Congresso que guardou um cofre de bobines, documentando os primeiros dias do cinema, do incinerador. Um magnifico tributo à origem das formas de arte, esta curta de 12 minutos é atravessada pela memória deste homem, que fixou na sua mente desde a infância a imagem de uma mulher que viu num filme pornográfico dos primeiros tempos. "The film of Her" é o que leva o funcionário a salvar os filmes, essa memória colectiva, e também serve como ponto focal para os pensamentos de Bill Morrison sobre a experiência pessoal e o acontecimento histórico.
Bill Morrison criou uma filmografia de mais de trinta trabalhos que foram apresentados em cinemas museus e galerias pelo mundo inteiro. Fazendo uso de imagens de arquivo raras, muitas vezes danificadas pelo passar do tempo, Morrison explora o poder do filme como um meio que evoca a memória e dá origem a um senso de mitologia colectiva.
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Phantom Power (Phantom Power) 2016

"Este filme de Pierre Léon é uma belíssima, inclassificável, obra, que evoca um trabalho sobre a memória e a biografia, mas também o cinema. A Viennale apresentou-o como um trabalho composto em intervalos irregulares, oscilante “entre filme de família experimental e mise en scène teatral, material de arquivo e montagens documentais”, “uma série poética de fragmentos cinematográficos”, com música popular russa, canções de Ingrid Caven, a encenação de pequenas cenas, uma montagem de excertos de filmes de Fritz Lang, motivada pelos muitos e muito importantes planos de mãos nos seus filmes" Cinemateca
Pierre Léon é realizador, encenador, actor, tradutor, músico e crítico.Nascido em 1959 em Moscovo, onde o pai era correspondente do L’Humanité, Léon passou boa parte da juventude na Rússia, não sendo de espantar a presença regular, nos seus filmes, da Rússia e de elementos da cultura russa – #Octobre" ou "L’Adolescent", que é, como "L’Idiot", uma adaptação de Dostoievski. Em Paris fez-se “cinéfilo”, crítico de cinema (pertence ao conselho de redacção da Trafic, escrevendo assiduamente na revista), actor (por exemplo em filmes de Jean-Claude Biette, de quem foi colaborador regular) e realizador, alternando ficções “clássicas” (Chekhov, para além de Dostoievski) e outras menos ortodoxas, frequentemente num registo “familiar” (e videográfico), em torno de um núcleo constante de amigos e colaboradores (como o irmão Vladimir, também cineasta. 

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